Artigo do 'Cadernos de Saúde Pública' alerta sobre condições desfavoráveis da saúde indígena

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Em geral, a situação das condições de saúde dos povos indígenas em relação à população não indígena é extremamente desfavorável no Brasil, mas a prevalência de deficiência visual, auditiva e motora é quase sempre a maior nesse grupo populacional. É o que alerta um artigo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública de outubro.
 
De acordo com o artigo Deficiências visual, auditiva e motora entre a população indígena no Brasil, de Claudio Santiago Dias Junior e Ana Paula Verona, diferentemente de alguns países, como a Austrália, Canadá e Estados Unidos, é evidente a falta de estudos relacionados à prevalência das deficiências físicas entre os indígenas no Brasil. “Não se sabe quais tipos de deficiência física os atinge, em qual intensidade, como se distribuem geograficamente, se e como é o acesso ao sistema de saúde para lidar com essas questões.” Além disso, acrescentam os autores, pouco se sabe sobre os diferenciais na prevalência ou na chance de ter deficiência física segundo cor/raça no Brasil. “Tal desconhecimento é ainda maior ao se considerar a população indígena, que usualmente é retirada das análises que empregam dados populacionais.”
 
Os resultados deste estudo destacam a impossibilidade de acessar as informações sobre Terras Indígenas, língua falada e etnias, presentes no Censo Demográfico de 2010. Para os autores, tal acesso possibilitaria uma análise mais pormenorizada, considerando, por exemplo, a etnia. “O impedimento empobrece as análises e impossibilita possíveis associações entre aspectos culturais e deficiências, tão reclamados pela literatura internacional.”
 
Apesar dessas limitações, os pesquisadores festejam esses primeiros resultados, que, por si, já apontam para diversas possibilidades de pesquisa, seja utilizando o próprio Censo Demográfico, seja incentivando pesquisas de campo para compreender melhor os sentidos e significados das deficiências entre os povos indígenas. “Esse grupo populacional experimenta questões e desafios que os brancos, por exemplo, nem sempre enfrentam, como aspectos relacionados à opressão cultural e racismo”, observam.
 
O objetivo inicial da pesquisa foi descrever as prevalências (padronizada pela estrutura etária) de deficiências visual, auditiva e motora, segundo grau de severidade, entre a população indígena e compará-las com aquelas observadas nos demais grupos de cor/raça do Brasil. Em seguida, esse trabalho compara a chance de ter uma das três deficiências, separadamente e segundo grau de severidade, para cada grupo de cor/raça, controlando por outras variáveis associadas à chance de apresentar deficiência. Para estimar as razões de chance, foram utilizados modelos de regressão logística multinomial para cada tipo de deficiência, conforme grau de severidade. Os dados utilizados no estudo foram retirados do Censo Demográfico de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
 
Clique aqui para acessar na íntegra o artigo Deficiências visual, auditiva e motora entre a população indígena no Brasil.
 
 

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