Profissionais do Centro de Saúde da ENSP e da Clínica da Família Victor Valla aderem às manifestações contra os cortes no orçamento

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Os sindicatos dos Médicos (SinMed/RJ), dos auxiliares e técnicos de enfermagem (Satem/RJ) e dos Agentes Comunitários de Saúde (Sinacs/ RJ) decidiram, em assembleia, pela paralisação dessas categorias, nos dias 23 e 30 de outubro. Além da paralisação, estão marcadas duas manifestações em frente à prefeitura do Rio de Janeiro, nos mesmos dias, devido ao contingenciamento de 2018 e a redução no orçamento da saúde municipal em 2019. 
 
Segundo a médica do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/ENSP), Mellina Izecksohn, o atraso do salário ainda não atingiu o Centro de Saúde e a Clínica da Família Victor Valla (CFVV), mas “várias unidades já estão atrasando os salários dos profissionais da Estratégia de Saúde da Família. Além disso, o problema é que o corte prevê demissão de Agentes Comunitários de Saúde (ACS), porque a prefeitura está usando a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) de 2017 para mudar o esquema das equipes, então nesse Plano que eles estão apresentando vai ter equipe sem agente comunitário".
 
Para completar a grave situação, ontem, após o defensor público Daniel Macedo dizer que recomendará ao município que decrete estado de calamidade na saúde pública, o prefeito Marcelo Crivella rebateu irritado: “A defensoria não tem moral para colocar o dedo na minha cara.” Diante desse quadro, os profissionais de atenção básica convocam toda a população a se manifestar através das redes sociais e em atividades na frente da prefeitura. 
 
Além dos sindicatos dos profissionais de saúde, o movimento Nenhum Serviço de Saúde a Menos também denuncia as consequências dos cortes que a saúde vem sofrendo há um ano e meio: falta de remédios e vacinas, salários atrasados, diminuição dos exames, entre outros. O movimento tem feito campanha de divulgação, nas redes sociais, sobre a crise na saúde pública e participará das mobilizações dos atos contra as demissões na área e o desmonte do SUS. 
 
Sobre a paralisação, a médica Mellina disse que acontecerá conforme manifestações anteriores: “Nossa paralisação é sempre 30 por 70, sempre ficam 30% das pessoas da unidade prestando atendimento. Faremos da mesma maneira. Uma parte fica nas unidades de saúde e a outra vai para o ato.” Nesse cenário, nos dias 23 e 30 de outubro, os profissionais de saúde do CSEGSF e CFVV funcionarão em sistema de plantão. Leia a carta abaixo, que vocaliza o pensamento dos profissionais de atenção básica dessas unidades de saúde.
 
 
            
 
               Carta dos profissionais do Centro de Saúde ENSP E Clínica Victor Valla
 
 
 
No início de outubro a Prefeitura do Rio de Janeiro apresentou, na câmara de vereadores, a proposta de orçamento para 2019, onde está previsto um corte orçamentário de aproximadamente 12%, isto é, de R$ 6,01 bilhões para R$ 5,28 bilhões.
 
Prevendo um agravamento das condições de trabalho e diminuição do acesso da população às unidades de saúde da Cidade do Rio de Janeiro, as categorias profissionais se organizaram em assembleias específicas, bem como fortaleceram o movimento Nenhum Serviço de Saúde a Menos, onde ficou decidido que, nos dias 23 e 30 de outubro de 2018, ocorrerão duas paralisações dos profissionais de atenção básica do município do Rio de Janeiro pelos seguintes motivos: 
 
* atraso de pagamento;
* frequente falta de insumos e medicamentos;
* proposta de diminuição de orçamento da saúde de 2019;
* proposta de mudança do modelo de assistência à saúde, com fechamento de equipes de saúde da família.
 
As posições das categorias médico (incluindo da rede de saúde mental), técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde foram respaldadas por assembleias nos seus respectivos sindicatos.
 
No dia 23/10, às 10 horas, será realizada uma manifestação em frente à Prefeitura do Rio de Janeiro. Já no dia 30/10, a manifestação se concentrará em frente à Câmara de Vereadores, tendo em vista que será realizado uma Audiência Pública para debater o Projeto de Lei nº 999/2018 (Mensagem nº 93/18), que “estima a receita e fixa a despesa do município do rio de janeiro para o exercício financeiro de 2019”.
 
Nestes dois dias as unidades de saúde, incluindo o CSE Germano Sinval Faria e C.F. Victor Valla, funcionarão em sistema de plantão, com profissionais escalados para dar suporte aos atendimentos de urgência da população.
 

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