Estudo da ENSP sobre saúde do homem recebe menção honrosa do Prêmio Oswaldo Cruz de Teses

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A tese Participação em construção de políticas de saúde: o caso da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, de Ana Paula Azevedo Hemmi, orientada por Tatiana Wargas, foi agraciada com a menção honrosa do Prêmio Oswaldo Cruz de Teses 2018 na área de Saúde Coletiva. A tese teve como objetivo analisar o processo de construção do documento Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), lançada oficialmente em 2008, com ênfase na participação de diversos agentes sociais que atuaram nesse processo.
 
Segundo Ana Paula, o estudo identificou que a política de saúde do homem tem como origem o forte envolvimento político da Sociedade Brasileira de Urologia, apesar de ter sido oficialmente anunciada como uma meta por José Gomes Temporão em seu discurso de posse para o cargo de ministro da Saúde. 
 
 
Para Ana Paula, a trajetória da política no Ministério da Saúde tem como marcas a constituição da Área Técnica de Saúde do Homem, seguindo para o processo de construção da política que contou com a participação dos agentes sociais mencionados. “Ao analisarmos o processo de participação, este se caracterizou por um convite feito a especialistas para que pudessem expressar seus conhecimentos a respeito da saúde do homem a partir de seminários realizados pela Área Técnica de Saúde do Homem”, disse a aluna. 
 
Porém, esclarece Ana Paula, a maior parte dos participantes não interagiu diretamente entre si. “Percebemos a presença de um conflito no processo de construção do documento da política que se expressa pelas diferentes concepções sobre a atenção à saúde do homem, já que partem de racionalidades distintas, uma relacionada à biomedicina e a outra à Saúde Coletiva.”
 
Para a pesquisa, foram entrevistados agentes sociais que, naquele momento, ocupavam cargos estratégicos em Sociedades Brasileiras de Urologia, de Cardiologia e de Medicina de Família e Comunidade, como membros da Área Técnica de Saúde do Homem do Ministério da Saúde e Ministro de Estado da Saúde. Além de acadêmicos e pesquisadores de Instituição de Pesquisa e de Ensino Superior; membros de Organizações Não-Governamentais como Instituto Papai e Promundo; ativista da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais.
 
O estudo traz contribuições importantes para a Saúde Coletiva, explica a aluna, mas também para a análise de políticas de saúde, tanto do ponto de vista de registrar e sistematizar um processo institucional de construção de política, no âmbito do Ministério da Saúde, que envolveu diferentes formas de participação, quanto do ponto de vista da reflexão sobre a construção de um discurso oficial que se forma em torno das políticas de saúde.
 
Concedido pela Presidência da Fiocruz, sob a coordenação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), o Prêmio Oswaldo Cruz de Teses reconhece o mérito de trabalhos de elevado valor para o avanço do campo da saúde em diferentes áreas de atuação institucional: saúde coletiva, ciências biológicas aplicadas à saúde, biomedicina, medicina, ciências humanas e sociais. 
 
Ana Paula Azevedo Hemmi é graduada e mestre em Enfermagem pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela é professora e pesquisadora lotada no Departamento de Enfermagem da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde (FCBS) da Universidade dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), desde 2010. E também líder do Núcleo de Pesquisa, Estudos e Extensão em Saúde Coletiva - NUPEESC/ UFVJM, desde 2016. 

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