Semana do ACS discute violência e saúde em territórios vulnerabilizados

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Diante do contexto atual de restrições orçamentárias e da possibilidade de se negar um futuro para milhões de pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), em parceria com várias entidades, como a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), organizaram a mesa temática A Saúde na Mira da Violência, na terça-feira, 2/10, no auditório da EPSJV. A atividade contou com a participação da psicóloga do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/ENSP/Fiocruz), Vera Frossard, os representantes da Comissão de Agentes Comunitários (Comacs Manguinhos), Anastácia dos Santos, e Jorge Nadais, no auditório da EPSJV. 
 
Na ocasião, refletiu-se sobre os impactos da violência na área de Saúde e as várias formas de violência que atingem os usuários e os profissionais de Saúde, principalmente os ACS, que são o elo entre a equipe da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e o morador desses territórios vulnerabilizados. A ACS Anastácia dos Santos destacou como essa categoria é silenciada: “Nós somos silenciados de todas as formas e por todas as partes. Então, aprendemos muito a calar, e isso vai nos adoecendo cada dia mais. E falar sobre violência é muito complicado para quem mora na favela.” 
 
Sobre o impacto da violência na área da Saúde, Vera Frossard apresentou dados de duas pesquisas do Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli/ENSP. “A proximidade do convívio das equipes com a violência no cotidiano de serviços e a complexidade dos casos gera um sentimento de impotência, um sofrimento psíquico dos profissionais.” Para Vera Frossard, a área da Saúde não notifica as violências sofridas pela população, sejam elas policiais ou domésticas, e isso vai impactar a produção de estatísticas para políticas de combate àiolência. Segundo Vera Frossard, essa atitude se deve, às vezes, por receio, outras por falta de conhecimento do profissional de como funciona a rede de proteção social e seus serviços.
 
Para Jorge Nadais, a maior violência que a favela sofre é a desigualdade social. “Ela é a base de todos os problemas que estão presentes na favela. Ela é a base do direito à negação da saúde, é a base do direito à negação da moradia, ao saneamento básico, à educação”, destacou. Anastácia – moradora de Manguinhos, assim como Jorge – ressaltou que a violência tem recorte de classe e raça. 
 

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