ENSP promove capacitação em vigilância em saúde no Estado de Minas Gerais

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No começo de janeiro de 2017, a região do Vale do Mucuri, situada no nordeste do Estado de Minas Gerais, concentrou o primeiro caso de febre amarela daquele ano no país. O surto na localidade, que desencadeou a epidemia da doença, motivou a ida de um grupo da Fiocruz à região para desenvolver iniciativas de enfrentamento à doença. Os pesquisadores Eduardo Maranhão e Fernando Laender, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), conduziram as ações que contemplam uma série de intervenções nos campos da vigilância, biossegurança, comunicação e capacitação profissional.
 
A Região do Vale do Mucuri abarca 33 municípios, e a comitiva, composta também de representantes da Secretaria Estadual de Saúde de MG e da Superintendência Regional de Teófilo Otoni, esteve nas cidades de Teófilo Otoni, Setubinha, Poté, Novo Cruzeiro, Malacacheta, Ladainha, Itambacuri, Fransciscópolis e Catuji para entrevistar gestores municipais (prefeitos e secretários de saúde), gerentes e coordenadores de Secretarias de Saúde, hospitais, além de pacientes usuários do sistema a respeito da epidemia.

 
Após as visitas, o grupo da Fiocruz sistematizou e analisou os dados, cuja classificação levou em conta aspectos positivos e avanços no enfrentamento da epidemia, dificuldades e limitações no desenvolvimento das ações de vigilância epidemiológica, ambiental, imunização e atenção à saúde. A partir do diagnóstico para enfrentamento da febre amarela, os pesquisadores sugeriram o plano de ação com duração de três anos. “As autoridades políticas da região reconheceram o plano e assumiram o compromisso de implementá-lo. Eles estão respondendo e cumprindo com as recomendações”, admitiu Laender.
 
O plano de ação
 
O plano envolve procedimentos direcionados aos gestores locais e iniciativas voltadas à imunização, vigilância epidemiológica, atenção primária e vigilância sanitária. Dentro de cada componente, há orientações sobre captação e direcionamento de recursos, prioridades políticas, planos de comunicação, educação em saúde, dentre outros. “A avaliação que propusemos baseia-se nas recomendações do regulamento sanitário internacional. Como parte importante desse diagnóstico, apareceu a necessidade de capacitação profissional e, de acordo com essa demanda, aplicamos o Curso Básico de Vigilância em Saúde para 60 profissionais da rede”, complementou Maranhão.
 
O curso foi composto de seis módulos com o objetivo de capacitar os profissionais das instâncias municipal, estadual e federal sobre os princípios básicos do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE). Na opinião dos coordenadores, a integração entre os diferentes níveis de atenção da saúde em MG enriqueceu as discussões em sala de aula. 
 
“Durante o trabalho de campo, examinamos 6.500 prontuários. "Encontramos dois casos de de doença exantemática febril (Sarampo?) notificados e 12 ainda não notificados. A ausência do registro revela que o sistema de vigilância não tomou conhecimento desses casos, o que impossibilita sua investigação até a confirmação final ou descarte. Aí, nota-se a importância da capacitação. No curso, a presença de pessoas de diferentes níveis de atenção proporcionou a criação de uma rede de prevenção e controle de doenças, auxiliando os profissionais de saúde da região e possibilitando uma visão global da assistência e da vigilância em saude”, detalhou Fernando.
 
No que concerne à presença da Fiocruz no Vale do Mucuri, a avaliação foi extremamente positiva. “Trata-se de um território importante para o desenvolvimento de pesquisas e ações de vigilância, e a presença da Fiocruz no Estado de Minas Gerais demonstra isso. Além dessa questão, esse tipo de experiência funciona como espaço de aprendizagem para ambas as partes, uma vez que nos possibilita conhecer a realidade de pequenos municípios, as ações das Secretarias de Saúde, de vigilância e, sobretudo, como se integram aos outros níveis de atenção. Todos ganham com esse tipo de experiência”, afirmou Eduardo Maranhão.

Parcerias
 
As ações coordenadas pelos pesquisadores Eduardo Maranhão e Fernando Laender foram realizadas em parceria com a Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, a Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais, a Superintendência Regional de Teófilo Otoni e as secretarias municipais das cidades participantes.


Para Juçara Martins, coordenadora de Vigilância em Saúde da Superintendência Regional de Teófilo Otoni, a atuação da Fiocruz auxiliará o fortalecimento da vigilância na região. “A parceria foi bastante profícua para nossa região, principalmente pela experiência e conhecimento dos técnicos da Fiocruz. Todo o planejamento, desde a avaliação, o plano de ação e a capacitação dos profissionais, possibilitará o fortalecimento das ações de vigilância em saúde e a formação de multiplicadores em saúde. Apesar do momento de dificuldade financeira, todos os técnicos se empenharam demais em todas as ações. Identificamos nossas fragilidades, potencialidades e temos certeza da melhoria das ações de notificação, investigação, atenção e vigilância”, destacou.

 

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