Fiocruz oferece curso de produção de vídeos ambientais para juventude de periferias

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*Por Luiza Gomes

O documentário É Rio ou Valão?, criado como ferramenta educacional para discutir meio ambiente e uso da água em territórios periféricos, voltou às salas de aula em uma nova etapa do processo: a formação de multiplicadores. O filme foi produzido a partir da articulação de unidades da Fiocruz e organizações não-governamentais e financiado com recursos do edital Capes-ANA, mas o roteiro foi todo construído junto aos alunos da rede pública de ensino do Rio de Janeiro. A primeira reaplicação da metodologia usada pela equipe na produção do filme deu origem ao curso piloto “Produção de vídeos ambientais no contexto da relação saúde-ambiente-sustentabilidades para sub bacias urbanas”, na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, no campus Manguinhos da Fiocruz, no Rio de Janeiro.

A formação reúne jovens estudantes do Ensino Médio das escolas públicas do Rio de Janeiro de territórios como Complexo do Alemão, Maré, Manguinhos, Jacarezinho, e bairros inseridos na sub bacia hidrográfica do Canal do Cunha para discutir temas como saneamento básico, os impactos socioambientais das grandes indústrias nessas localidades, o racismo ambiental, o direito à água e seus usos e apropriações possíveis por parte da população, entre outros. O documentário, que aborda essas e outras questões sensíveis, foi exibido na aula inaugural e deu ensejo ao primeiro debate com a turma.

Margeando a formação crítica, o cinegrafista da VídeoSaúde Distribuidora (ICICT/Fiocruz), Paulo Lara, e Bárbara Massot, bacharel em cinema e produtora do É Rio ou Valão? irá orientá-los para criação de um produto de comunicação (documentário, filme, vídeo, curta, storyboard ou outro) que amplifique os debates sobre temas cobertos pelo curso. Para isso, a turma de estudantes se engajará em oito encontros, um total de 24 horas de teoria mesclada com prática.

“É fundamental que haja protagonismo da juventude periférica nessa discussão, porque é quem pode fazer a diferença nos lugares onde vivem. Nos espaços de participação previstos pela legislação da água no Brasil se identifica um vácuo da juventude: a maioria são homens, mais velhos e brancos”, explicou Rejany Ferreira, da Cooperação Social da Fiocruz e membro do Observatório do Sub-Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha, entidade responsável pela iniciativa do documentário. Ela, que é moradora do Morro do Tuiuti – localizado em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio –, é formada em geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) com mestrado em geologia marinha pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

A iniciativa do curso é da Cooperação Social da Fiocruz em parceria com Observatório da Sub-Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha, com apoio da VídeoSaúde Distribuidora (Icict/Fiocruz), do departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (DSSA/Ensp/Fiocruz), do Laboratório de Educação Profissional em Vigilância em Saúde da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (Lavsa/EPSJV/Fiocruz), e da ONG Verdejar Socioambiental.

O que despertou a atenção dos presentes foi a possibilidade de se falar sobre meio ambiente nos seus locais de moradia, em sua maioria, territórios de favelas, representados por alguns meios de comunicação como espaços caracterizados pela violência armada. Para Matheus Batista, aluno do Colégio Estadual Compositor Luis Carlos da Villa e morador do Jacarezinho, é interessante estudar sobre o meio ambiente nessas localidades porque, segundo ele, não é a abordagem mais comum do assunto. “Quando a televisão trata sobre meio ambiente é sempre sobre desmatamento, reflorestamento, mata, não fala sobre favela, cidade, saneamento,... É interessante estudar o tema dessa forma”, afirmou.

Clique aqui e leia a matéria na íntegra. 

*Luiza Gomes é jornalista da Cooperação Social da Fiocruz.

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