‘Radis’ de setembro traz cobertura do 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva

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A Radis n°192, de setembro de 2018, dedicou-se à cobertura do 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva. Entre muitos convidados internacionais, a chefe de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, ex-presidente chilena Michelle Bachelet, pontuou que as desigualdades em saúde na região das Américas pode ser medida pela falta de assistência às mulheres antes, durante e depois do parto e pela dificuldade de acesso e falta de qualidade nos serviços de saúde para idosos, crianças, mulheres, afrodescendentes, pessoas vivendo com HIV/aids e as populações rurais e indígenas.
 
A reportagem Desigualdade adoece e mata, de Bruno Dominguez, traz a fala do inglês Michael Marmot, pesquisador do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da University College London, que liderou a Comissão para os Determinantes Sociais da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), durante palestra no Abrascão. “Não temos que aceitar as desigualdades”, repetiu Marmot. Para o pesquisador, o Brasil é um exemplo de que é possível reduzir as diferenças. Ele citou especificamente o Bolsa-Família e seu impacto na redução da mortalidade infantil por diarreia e desnutrição. O país atingiu a meta de reduzir em dois terços os indicadores de mortalidade de crianças com até cinco anos. O índice, que era de 53,7 mortes por mil nascidos vivos em 1990, passou para 13,82 em 2015. “A resposta do país de vocês é de que é possível ter uma sociedade mais justa e com mais equidade”.
 
Na reportagem Equidade e Autonomia, a repórter Elisa Batalha  entrevistou a ativista e pesquisadora Sonia Correa, que lembrou que é importante entender e ter como objeto de estudos os fenômenos de conservadorismo moral e ataques aos direitos das mulheres e da população LGBT que procuram cercear até mesmo estudos e exposições artísticas sobre o tema. “São ataques ao pensamento crítico sobre gênero”, avaliou a socióloga, que tem no currículo o cargo de vice-presidenta do comitê especial da Organização Mundial da Saúde na área de reprodução humana. “Os partidos políticos nunca foram os motores do movimento”, lembrou. 
 
O estigma do inimigo público é a matéria de Adriano de Lavor, que retrata um dos aspectos que torna visível a exclusão e desigualdade da luta travada por grupos para se manterem em seus próprios territórios. A marisqueira Eliete Paraguassu, integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais da Bahia, esteve no Congresso, onde denunciou a dificuldade de manter sua atividade profissional e sobreviver em um cenário disputado por grandes empreendimentos e ameaçado pela poluição química: “Nosso povo está sendo mutilado pela ganância”, alertou a ativista, que considera não ser possível discutir o direito ao território sem falar em racismo ambiental. “Tudo isso acontece porque é terra de pretos e pretas”, disse ela. Lágrimas nos olhos, Eliete relatou como crianças e jovens estão adoecendo por conta da contaminação das águas por cádmio, chumbo e mercúrio, metais pesados que também têm causado elevada mortandade de peixes e mariscos, essenciais para a alimentação das 500 famílias que lá vivem. “Se não nos matarem por tiro, vão nos matar de veneno”, advertiu. 
 
A matéria Único, mas ainda desigual, de Luiz Felipe Stevanim, diz que os participantes do 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva apontam que o sistema criado com a Constituição trouxe a melhoria nos indicadores de saúde e na qualidade de vida da população, mas também destacam que é necessário enfrentar as desigualdades que ainda persistem. Também enfatizam a urgência de retomar a relação inseparável entre saúde e democracia, presente na origem do SUS — como lembrou Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e atual chefe de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), na conferência de abertura do congresso: “Não é possível falar da saúde das pessoas sem a saúde da democracia”. Enfrentar as desigualdades é ainda o principal desafio compartilhado pelo conjunto de países da América Latina, na visão de Bachelet. “Somos países que partilham mais do que fronteiras. Somos uma comunidade que comunga lutas, causas e esperanças, abraçando nossa diversidade para encontrar alternativas para o futuro”.
 
Ainda compõem a edição da Radis duas entrevistas. Com Michelle Bachelet, “Nosso grande desafio ainda é a desigualdade” fala da falta de assistência às mães antes, durante e depois do parto, principalmente as mais pobres e as indígenas. O tema é uma das principais bandeiras da ex-presidente do Chile. Ela coordena uma comissão de alto nível da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) encarregada de ampliar a cobertura e o acesso à saúde no continente até 2030. A entrevista foi feita pelo repórter Luiz Felipe Stevanim.
 
A outra entrevista, “É preciso racializar a história”, com o psicólogo Emiliano de Camargo David, estudioso da discussão sobre racismo e iniquidades em saúde, em especial dos reflexos dessa relação para o campo da saúde mental, foi produzida pela repórter Ana Cláudia Peres.
 
 
 

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