Colonialismo: a face sombria da modernidade que perpetua um padrão mundial de poder

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"O projeto colonial moderno eurocêntrico surge como um novo modelo de poder global, lançando seus domínios a diversos campos da vida em comum", disse a pesquisadora da ENSP, Roberta Gondim, na mesa-redonda Diálogos entre o pensamento decolonial e a saúde coletiva – desafios para a construção de uma nova agenda para o enfrentamento de iniquidade em saúde durante o 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão 2018).
 
O professor e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Deivison Faustino e o professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) também participaram da mesa, cuja coordenação ficou sob a responsabilidade de Gil Sevalho, pesquisador do Departamento de Endemias Samuel Pessoa da ENSP.
 
Roberta discutiu a relação entre políticas, dinâmicas de vidas, sofrimento humano e a produção de conhecimento e práticas de saúde; problematizou pontes de diálogos (im)possíveis na produção do conhecimento em saúde, em diferentes quadros de referência – do paradigma biomédico; da determinação social da saúde; da subjetividade dos sujeitos, do cuidado e da vulnerabilidade social; e falou ainda sobre a hierarquização e subalternização de corpos e territórios, enquanto projeto de poder de modernidade, do capitalismo e da contemporaneidade. 
 
Ela citou o intelectual martinicano Frantz Fanon falando sobre o entendimento dos espaços das ‘conquistas’ coloniais como espaços do “não ser”. “São os espaços dos não sujeitos, da não propriedade, implica na destituição da humanidade do outro. Todos pressupostos eurocêntricos. A retórica de vários governos de operar a partir da noção de guerra às drogas e operando estados de exceção no Rio de Janeiro é absolutamente exemplar do ponto de vista da utilização de dispositivos necropolíticos. Eu tenho certeza que nenhum de vocês viu um caveirão passeando pela orla de Copacabana ou um helicóptero atirando na Praça Antero de Quental. No entanto, todos nós já vimos, na televisão ou a partir da própria vivência, caveirões entrarem em ruas, becos e vielas atirando tanto pelo ar como por terra. Está dada a legitimidade da morte destes corpos, pois são corpos matáveis, são corpos cuja a legitimidade do estar vivo não responde pela mesma legitimidade do estar vivo de corpos brancos ou corpos tão incluídos num sistema ordenado sob o ponto de vista do capitalismo que tornam-se até um pouco mais claros”, declarou Roberta. 
 
Assista parte de sua apresentação:

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