Informação é estratégia para redução de número de suicídios, recomenda a OMS

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Cerca de 11 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no país. De acordo com o primeiro Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil, divulgado em 2017 pelo Ministério da Saúde (MS), entre 2011 e 2016, 62.804 pessoas tiraram suas próprias vidas no país, 79% delas são homens e 21% mulheres. Um dos alertas é a alta taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foram registradas uma média de 8,9 mortes por 100 mil nos últimos seis anos. As taxas mundiais também são preocupantes. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio representa 1,4% de todas as mortes em todo o mundo, tornando-se, em 2012, a 15ª causa de mortalidade na população geral; entre os jovens de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte. A Índia e a China são os países com as maiores taxas. Para a OMS, este é um grave problema de saúde pública  com sérias consequências emocionais, sociais e econômicas, mas pode ser prevenido. Vários estudos vêm abordando o problema e a informação é estratégica, tanto para quem precisa de ajuda, quanto para acionamento das redes de atenção, recomenda a OMS. 
 
A revista Ciência e Saúde Coletiva (vol.23 n.4), de abril de 2018, publicou alguns artigos sobre o tema na sua última edição de abril. Um deles, Tentativas de suicídio: tendências epidemiológicas quanto ao geoprocessamento, em Campina Grande/Brasil, mapeou as áreas de incidência por meio de um estudo do tipo ecológico e exploratório, usando técnicas de geoprocessamento, com base em casos confirmados. Foram incluídos os casos de autoevenenamento, ocorridos na zona urbana do município de Campina Grande, para o período 2010-2013. Um total de 446 tentativas de suicídio foi georreferenciado, apontando uma incidência de 120 casos a cada 100.000 habitantes. A amostra foi majoritariamente feminina (66,4%), com 62,3% possuindo até 30 anos de idade. 
 
O estudo ainda observa que, em todas as faixas etárias, o número de indivíduos do gênero feminino foi superior ao gênero masculino, com exceção daqueles com idade mais de 60 anos. Os pesquisadores Thassiany Sarmento Oliveira de Almeida,, Sayonara Maria Lia Fook. Saulo Rios Mariz, Edwirde Luiz Silva Camêlo,  da Universidade Estadual da Paraíba; e Lidiane Cristina Félix Gomes, da Universidade Federal do Ceará verificaram a associação que remédios, em uso isolado, representam 62,1% de todas as tentativas de suicídio, e sempre associados a outros agentes químicos - como pesticidas e bebidas somam 78,1 %. 
 
De acordo com a pesquisa, intoxicação por ingestão de bebidas alcoólicas foi 3,3 vezes mais comum entre os homens em comparação com as mulheres. Os benzodiazepínicos, diazepam e clonazepam utilizados em 109 (24,2%) casos corresponderam aos medicamentos mais utilizados. Tentativas de suicídio por aplicação de remédios foram mais proeminentes entre os homens, em contraste com mulheres que aplicaram com mais frequência pesticidas de uso doméstico.
 
Outra constatação do estudo foi o uso de agrotóxicos e produtos de limpeza domiciliar como agentes tóxicos que contaram 64 (14,3%) e 22 (4,9%) das ocorrências, respectivamente. O inibidor da colinesterase, pesticida, comercializado ilegalmente como raticida (“chumbinho”) foi mais frequentemente utilizado (13,5%) como substância tóxica única. 
 
A pesquisa mostra que as áreas de maior risco concentraram-se no nordeste do mapa, atingindo os extremos e a região central do município. Em torno dos pontos quentes, as regiões de menor densidade eram visíveis. Populações dentro dos pontos quentes apresentaram um risco maior de 38% de se suicidar quando comparadas com populações que residem fora desses pontos quentes. Em conjunto, estimou-se que a área espacial de alto risco concentrava em média 165 tentativas de suicídio por 100.000 habitantes.
 
A conclusão da pesquisa é de que, considerando a gravidade da tentativa de suicídio como doença produzida socialmente, o número de agentes tóxicos utilizados para tal fim e a facilidade de obtê-los, bem como as áreas de alto risco identificadas, enfatizam que este método de análise espacial também pode ter uma ampla gama de aplicações para pesquisa e prática de programas de atenção em saúde mental. 
 
Em outro artigo, Preditores de ideação suicida e sintomas depressivos em adolescentes em Chiapas/México, é avaliada a presença de ideação suicida e sintomas depressivos em adolescentes. O estudo contou com uma amostra de 4.759 estudantes de ambos os sexos com idade média de cerca de 18 anos. A prevalência de ideação suicida foi de 7,8%, inferior ao relatado em estudos nacionais e internacionais. Os resultados também mostraram uma forte associação entre ideação suicida e sintomas depressivos, mostrando que este último é um preditor de ideação suicida entre adolescentes.
 
A grande maioria dos participantes (93,3%) estudou em instituições de ensino estaduais, enquanto o restante estudou em instituições privadas. A média de notas no último ano foi de 8,26. Os resultados da pesquisa mostram que pouco mais da metade dos participantes (51,2%) tiveram pelo menos um dos problemas investigados: 369 casos (7,3%) mostraram evidência de ideação suicida; 633 (13,3%) um alto nível de sintomas depressivos; 2.020 (42,4%) baixa autoestima; e 262 (5,5%) altos níveis de impulsividade. O problema com a maior taxa de prevalência foi a baixa autoestima.
 
Os pesquisadores e autores do artigo Jesús Ocaña Zúñiga, Oscar Cruz Pérez, Soledad Hernández Solís, Carlos Eduardo Pérez Jiménez, e Martín Cabrera Méndez, da Universidade de Ciências e Artes de Chiapas/México, concluem que adolescentes com ideação suicida requerem monitoramento constante e as intervenções devem ter particular atenção aos sentimentos de desespero. Dada a falta de serviços de aconselhamento prestados na comunidade daquele país, tais atividades poderiam ser desenvolvidas no departamento de tutoria da universidade por meio da provisão de orientação em grupos de reflexão ou através de atendimento psicológico individualizado.
 
As pesquisas sobre o tema são muito necessárias para produzir informações consistentes que possam subsidiar tomadas de decisão e garantir a democratização das informações, e para o acionamento imediato da rede de atenção, o acompanhamento dos casos, a intervenção precoce e adequada e o monitoramento dos casos. Segundo o Boletim Epidemiológico do MS, essas ações podem prevenir a ocorrência e a concretização de novas tentativas de suicídio.”Reconhecer o suicídio como um problema de saúde pública e destinar recursos para sua prevenção é um caminho estratégico para preservar e melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas”, aponta.
 
Mais informações sobre o perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil, acesse aqui.
 
Onde procurar ajuda
 
 
Serviços de saúde
 
CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde).
 
Emergência
 
Emergência SAMU 192, UPA, Pronto Socorro e Hospitais.
 
Centro de Valorização da Vida – CVV
 
141 (ligação paga) ou www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita.
 
Ligação 188 gratuita já funciona em alguns estados brasileiros, em parceria com o SUS e a CVV. A previsão é de até 2020 abranger todo território nacional.
 

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