Rio de Janeiro clama por cidadania e democracia

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O Rio vem sendo objeto de uma liquidação de políticas públicas, direitos sociais, afronta aos direitos básicos, seja da cidadania, seja de servidores públicos, com salários em atraso, configurando a vitrine de um projeto ultra neoliberal do golpe de 2016 contra a democracia, a soberania e os direitos sociais.
 
 
Essa crescente tensão entre o capitalismo financeirizado e a democracia tem como objetivo criar um verdadeiro estado de choque, desorganizar o campo popular democrático, criminalizar movimentos sociais e a política. Trata-se de uma empreitada de rapina de curto prazo das riquezas, dos bens públicos, da entrega a multinacionais de instrumentos estratégicos ao nosso desenvolvimento, como a Petrobras, o BNDES, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a indústria naval.
 
Cúmplices do governo federal e do oligopólio midiático, tanto o governo do Estado como a prefeitura municipal do Rio se desoneraram de suas responsabilidades públicas apostando na criação artificial de um caos programado para criar o clima de instabilidade tão propício à entrada em cena de propostas, como a “intervenção militar”, na tentativa de jogar uma cortina de fumaça sobre os verdadeiros problemas do Rio de Janeiro.
 
O projeto de exclusão da esmagadora maioria da população em favor de menos de 1% de super-ricos é insustentável, e a maior festa popular do Brasil, o carnaval de 2018, mostrou que a população já entendeu os objetivos devastadores do golpe de 2016.
 
O desfile histórico do Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso do Tuiuti registrou com arte e contundência a manutenção da estrutura social colonialista e escravocrata brasileira, culminando, neste período, no cativeiro social de direitos trabalhistas rasgados, como ilustram a ala das carteiras trabalhistas rasgadas; a manipulação dos "manifestoches" e o carro do presidente vampiro a sugar a vida e o sangue da nação.
 
Dados do Instituto de Segurança do Rio (ISP) mostram que não houve uma onda de violência atípica no último carnaval, como repetido à exaustão pelo monopólio midiático, e que há Estados e capitais mais violentas que o Rio. A problemática da violência não será resolvida com discursos, mas com uma agenda de políticas públicas que enfrente temas fundamentais como o enfrentamento das desigualdades ancestrais do país, uma reforma tributária progressiva, a busca pelo pleno emprego, igualdade nas oportunidades sociais, outra política de drogas que não seja uma guerra contra os pobres, uma reforma do modelo policial e refundação das polícias. Os riscos da intervenção militar para os moradores das comunidades são conhecidos como mostrou a desastrosa ocupação do exercito na Maré, com custo de 600 milhões de reais.
 
A intervenção militar no Rio, fato que não ocorre desde a Constituição de 1988, é mais uma passo grave que aprofunda o estado de exceção e afronta o que resta de democracia. É um sinal de alerta para que não sigamos o rumo da narco ditadura mexicana, em que o envolvimento das Forças Armadas contribuiu para a desagregação institucional.
 
É um momento grave que só será enfrentado à altura com investimentos sociais maciços nas favelas, em que os níveis de desigualdades agravam-se dia a dia, com amplo debate democrático e nossa soberania de decisão.
 
Não à intervenção militar. 
 
Mais democracia e direitos de cidadania!

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