Febre amarela: riscos e desinformação em pauta na 'Radis'

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A seção 'Súmula' da revista Radis nº 185 orienta sobre os riscos e desinformação da febre amarela.
 
"Uma velha conhecida da saúde coletiva brasileira, a febre amarela voltou a ser motivo de preocupação no verão de 2018: um novo surto da doença já confirmou 130 casos, com 53 mortes, até 23 de janeiro. O retorno da doença no início de 2018 ocorre um ano depois do surto registrado no primeiro semestre de 2017, entre dezembro de 2016 e junho de 2017, em que foram confirmados 777 casos e 261 mortes — desde setembro, o Ministério da Saúde havia declarado o fim do surto, pois já não eram registrados novos casos desde junho. Mas as novas ocorrências da febre amarela em sua forma silvestre preocupam as autoridades pela proximidade com os grandes centros urbanos, o que representa o risco da doença voltar a ser transmitida pelo Aedes Aegypti, o que não ocorre no Brasil desde 1942. “Depois de muito tempo temos o surgimento de casos na vizinhança de regiões densamente povoadas e com cobertura vacinal inadequada. Antes os casos eram quase que restritos a viajantes que entravam em áreas de risco sem estar adequadamente vacinados”, explicou à Radis o médico infectologista Estevão Portela, vice-diretor do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).
 
Os casos se concentram nos estados de Minas Gerais (com 24 mortes), São Paulo (23), Rio de Janeiro (7) e no Distrito Federal (1), segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde de 23 de janeiro. O retorno da febre amarela aos noticiários e o repasse de informações desencontradas pelas redes sociais levou a população aos postos de saúde para se vacinar, mesmo em regiões em que ainda não há recomendação para a vacina. O governo brasileiro decidiu adotar a estratégia de fracionamento da dose, para imunizar mais pessoas na campanha iniciada em 25 de janeiro — a dose fracionada também é considerada eficaz, porém imuniza por menos tempo (8 anos). A vacina é a principal forma de prevenção, mas é preciso estar atento às recomendações sobre pessoas que não devem se vacinar e aos locais onde não há indicação para vacina.
 
Dose fracionada
 
Diante da necessidade de imunizar mais pessoas, principalmente em áreas muito povoadas, o Ministério da Saúde decidiu fracionar a dose aplicada na campanha de vacinação, a partir de 25 de janeiro, nos estados de SP, RJ e Bahia: ao invés de receber a dose inteira (0.5 ml), as pessoas nesses locais serão vacinadas com um quinto do padrão (0.1 ml). De acordo com a Agência Fiocruz de Notícias (11/1), esta é uma medida de emergência que pode ser utilizada na vacinação em massa para ajudar a controlar surtos em que é necessário fornecer uma grande quantidade de vacinas em curto espaço de tempo. Segundo estudos divulgados pela Fiocruz, uma dose cinco vezes menor que o padrão mantém a mesma eficácia de imunização. “O fracionamento já foi utilizado com sucesso em outras áreas devido a urgência em vacinar um grande número de pessoas. Mas a proteção não é para sempre e haverá necessidade de nova vacinação destas pessoas no futuro”, afirma Estevão Portela.
 
A vacina contra febre amarela existe desde 1937 e é produzida no Brasil pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). É uma vacina feita com vírus vivos atenuados, a partir de ovos de galinha. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, enquanto a dose padrão protege por toda a vida, a fracionada tem duração de pelo menos 8 anos. Todas as pessoas a partir de 2 anos de idade devem tomar a dose fracionada. Crianças de 9 meses a menores de 2 anos e grávidas, dentre outros poucos casos, devem tomar a dose completa. Segundo o Ministério, viajantes internacionais também recebem a dose padrão, pois o Regulamento Sanitário Internacional (RSI) ainda não autorizou a utilização da dose fracionada para a emissão do Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP) — o viajante precisa comprovar que vai viajar.
 
Quem não deve se vacinar
 
Crianças menores de 9 meses de idade
Mulheres amamentando
Pacientes com imunossupressores (que diminuem a defesa do corpo)
Pessoas com alergia a ovo
Pessoas em tratamento de quimio/radioterapia
 
Quem deve ser vacinado
 
Pessoas entre 9 meses e 59 anos de idade
Idosos com mais de 60 e grávidas devem passar por avaliação médica
 
Informe-se!"
 
Para acessar a matéria no site da Radis, clique aqui

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