Ceensp discutiu Integridade em Pesquisa

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Em mundo que vê crescer a cada dia sua produção científica, com a profusão de artigos e a difusão de informações em escala global, quais os desafios que se apresentam para pesquisadores, instituições e publicações no tocante às questões éticas, técnicas, de propriedade intelectual, entre outras? Integridade em Pesquisa, problemas e desafios na condução e relato de estudos científicos foi o tema do Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos da ENSP (Ceensp) do dia 29 de novembro, realizado no contexto do Seminário de Ensino ENSP 2017. Coordenado pela professora Cláudia Medina Coeli, do Instituto de Saúde Coletiva da UFRJ e editora do Cadernos de Saúde Pública da ENSP, a atividade contou com a palestra de Rosemary Shinkai, da Faculdade de Odontologia da Puc-RS e primeira integrante brasileira do COPE (Comitê de ética em Publicações, na sigla em inglês).
 

Rosemary Shinkai começou sua fala apresentando algumas das condutas indicadas pelo comitê para se lidar com temas como plágio, manipulação de imagens e má conduta em pesquisa. A pesquisadora falou da importância de se seguir todos os passos quando se publica um artigo na base indexadora. Para ela, é o que permite, por exemplo, que um artigo reprovado não seja reproduzido em outros trabalhos e que seja colocada uma nota de retratação nele.

- Um leitor informa um editor sobre uma publicação redundante. Auto-plágio. Então, há um passo a passo para ajudar o corpo editorial nesses casos. Nós temos que estar atentos também para o fato de que muito embora uma pesquisa que tenha sido má conduzida vá resultar em um artigo também com problemas, existem algumas características são próprias da fase de publicação: plágio, abuso de autoria (algo muito comum no passado, quando o chefe de departamento, por exemplo, entrava como autor em todos os artigo do departamento), relato com viés seletivo (caso em que evita-se citar artigos de pesquisadores que o autor considera concorrentes del) etc.

Para falar sobre a importância da transparência quando o assunto é integridade em pesquisa, Rosemary citou também o exemplo de um estudo realizado pelo renomado Instituto Karolinska, da Suécia. Por conta de má conduta dos pesquisadores, o estudo gerou inclusive mortes de pacientes e indignação na sociedade sueca. A solução encontrada pela instituição foi tornar público em sua página na internet todos os relatórios e histórico do trabalho.

- Muitas vezes, se faz exatamente o contrário, mantendo os casos em sigilo para que sejam investigados. Mas o que o Karolinska fez foi dar uma resposta à sociedade. É uma instituição secular, responsável pelo prêmio Nobel de medicina e que vai sobreviver a essa grave escândalo. Eu não sei se aconteceria o mesmo com uma de nossas instituições.

Encerrando a palestra, Rosemary falou ainda sobre os cuidados que se deve ter no que diz respeito às co-autorias e a participação de alunos em pesquisa.
 

- Existem relatos em que depois de constatado um erro ou um plágio, o pesquisador culpou seu grupo de trabalho, mas é de fato um desafio sabermos se um aluno nosso entendeu a diferença entre uma paráfrase e um plágio. Se voce tem 20 projetos para avaliar, trabalha de uma forma hieraquizada, organizada, com alunos de graduação, mestrado e doutorado, fica difícil estabelecer esse controle. Eu mesma tive o caso de um aluno de doutorado que estava copiando o trecho de um artigo. A gente acaba percebendo pela construção do texto. Isso é algo que nenhum software saberia fazer por nós.

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