Na inauguração do laboratório, especialista explica importância do sono nos 63 anos da ENSP

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No segundo dia de celebração do aniversário de 63 anos (5/9), a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) inaugurou o primeiro laboratório do país destinado a estudar como a privação do sono impacta a saúde do trabalhador. Vinculado ao Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador, o Laboratório do Sono é coordenado pela pesquisadora Liliane Reis. Após a inauguração, o professor Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Laboratório do Sono do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), da USP, falou sobre o sono na sociedade brasileira. Ele explicou o que leva o indivíduo a dormir, criticou a privação de sono da sociedade atual e detalhou como se caracteriza a apneia do sono. "Para falarmos em saúde do trabalhador, bem-estar e ausência de medo, temos que falar do sono", admitiu o convidado.
 
Laboratório do sono
 
“É mais um instrumento da nossa Vice-Direção de Ambulatórios e Laboratórios da ENSP e fruto de muito empenho do Cesteh. Esse laboratório será muito positivo para avaliação do sono nos profissionais que trabalham em turnos, à noite e em atividades com exposição a riscos químicos e físicos. A iniciativa fortalece o SUS e deve preencher rapidamente todos os moldes previstos na regulação para atender a todos os profissionais da rede”, discursou o diretor da ENSP, Hermano Castro, ao inaugurar o espaço.
 
A coordenadora fez questão de afirmar que o laboratório da Fiocruz, diferente dos laboratórios da Uerj e UFRJ, será centrado na saúde do trabalhador. O local possui isolamento acústico, dois quartos, um banheiro, uma antessala (recepção e sala de espera), uma copa e uma sala de monitoramento. O espaço opera com a realização de uma média de 40 polissonografias por mês – exame indicado para detectar distúrbios do sono. Essa possibilidade, na opinião da chefe do Cesteh, Kátia Reis, toca num tema importante para a saúde do trabalhador: a temporalidade do trabalho. “Essa é uma temática central na área. A jornada de trabalho e a intensificação devem ser analisadas na perspectiva da saúde. As ferramentas eletrônicas, como e-mail e whatsapp, trouxeram novo arranjo no tempo de trabalho, e esse é um tema que deve entrar na agenda”, admitiu.
 
 
O sono na sociedade brasileira
 
Após parabenizar a ENSP pela inauguração do Laboratório, o professor Geraldo Lorenzi Filho afirmou que a revista Science classificou o sono como um dos grandes mistérios do mundo. Segundo ele, dormir é um produto das oscilações do organismo e, quando se está pegando no sono, o indivíduo perde a consciência da vigília. “Podemos dizer que pegar no sono é mágico. O medo surge porque pegar no sono traz a perda de consciência do próprio eu; você cai no vazio, cai no buraco. Todos nos relacionamos, temos total conceito do eu, mas, na hora que se pega no sono, o indivíduo perde essa noção.”
 
Ele explicou que os seres humanos dormem porque o sistema nervoso central oscila, e não há como sustentar a consciência da vigília. “Dormir é sincronizar as ondas cerebrais. Elas vão ficando lentas, você perde a consciência da vigília e cai no sono”, descreveu.
 
O professor criticou a privação do sono da atual sociedade lembrando que a luz, a televisão e o celular fazem o indivíduo dormir cada vez mais tarde. “Não seguimos mais os conselhos dos nossos avós de dormir cedo, pegar sol pela manhã, fazer exercícios. Algumas pesquisas mostram que os paulistanos dormem 6 horas por dia. Não existe perda fisiológica tão rápida em pouco espaço de tempo como essa”, lamentou.
 
 
Apesar de lembrar que o ronco é muito comum, pois a garganta é estreita, e há um relaxamento da musculatura que provoca dificuldade na passagem do ar, Lorenzi alertou que a apneia obstrutiva do sono é uma doença. “A apneia impede a passagem do ar, e o indivíduo só sai dessa “parada respiratória” quando acorda. A síndrome é caracterizada pelo fato de a pessoa precisar fazer esforço para respirar durante o sono e acomete um em cada três adultos nos grandes centros urbanos”, segundo ele.
 
O sono na saúde
 
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisologia, um sono de má qualidade tem várias implicações para a saúde: aumenta sonolência diurna; reduz memória, atenção e raciocínio, aumenta risco de acidentes automobilísticos; reduz crescimento das cartilagens dos ossos e produção de massa muscular; aumenta chance de ganho de peso e depressão, reduzindo, portanto, a qualidade de vida. 
 
Ainda de acordo com o órgão, a insônia e a apneia obstrutiva do sono são duas das principais doenças responsáveis por um sono de má qualidade. 
 

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