Estudantes da Fiocruz fazem paralisação contra corte de verba para bolsas

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Pós-graduandos da Fiocruz, bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) realizaram nesta terça-feira (22/8) uma paralisação em protesto à política de contingenciamento de gastos, que os afeta diretamente. Com faixas e cartazes, os estudantes caminharam pelo campus de Manguinhos da instituição e fizeram um ato em frente ao Castelo Mourisco.

O corte de 30% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), somados aos 40% contingenciados pelo governo (dos R$ 730 milhões destinados ao CNPq, R$ 672 milhões foram gastos até o final de julho) afetará, entre outras, pesquisas na área de arboviroses, como as voltadas para febre amarela, zika, chikungunya e dengue, causando um grande impacto na saúde pública. O corte afetará, em todas as unidades da Fundação, 245 alunos de iniciação científica, 75 de mestrado, 85 de doutorado, 28 de pós-doutorado e 245 pesquisadores com bolsa de produtividade. A instituição conta com 992 bolsas do CNPq e 213 projetos.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, que esteve presente à manifestação, afirmou que a maior preocupação no momento é com a perspectiva anunciada de que haverá potencialmente o não pagamento das bolsas de pós-graduação. Em sua visão, os cortes na ciência e na tecnologia tem efeitos dramáticos. “Porque isso não se recupera. Por exemplo, passada a crise econômica você pode ter a recuperação em algumas áreas em cinco anos, mas o que se perde na ciência e tecnologia muitas vezes não se encontra mais. Nem a possibilidade de desenvolver uma nova vacina, um novo medicamento, de mudar a gestão na atenção básica, de trabalhar novos modelos de atenção e novos modelos de saúde pública. Então tudo isso está em questão. É importante ressaltar que a ciência e a tecnologia, a saúde e o gasto social eles não deveriam ser vistos como gastos, mas como investimento no futuro do nosso país. Um futuro que depende da ciência, da tecnologia e da inovação”, afirmou Nísia.

Para o vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Manoel Barral-Netto, a dificuldade é “basicamente financeira”. Segundo ele, uma descontinuidade nas bolsas de pesquisa será um impacto enorme em várias atividades. É importante manter a atenção e esse cuidado com esse tema, até porque os outros financiamentos também estão abalados, bastante reduzidos. Isso faz com que toda a atividade de produção no conhecimento esteja em dificuldade. Além disso, uma interrupção de poucos meses, por exemplo, pode significar anos para recompor equipes, porque as pessoas capacitadas se afastam e vão procurar outras atividades. Então será um impacto enorme em várias atividades. Eventualmente, alguns poderão se manter, mas não é o esperado. Estamos esperançosos que realmente esse quadro tenha sido superado, mas é importante manter a atenção e esse cuidado com o tema”, disse Barral.

De acordo com a coordenadora-geral de Pós-Graduação da Fiocruz, Cristina Guilam, a melhor saída é pensar que o investimento na pesquisa é importantíssimo para o país e para a sociedade. “É preciso que as autoridades compreendam que não é possível desinvestir no CNPq e na ciência como um todo”.

Aluna de pós-graduação em Biologia Parasitária, Kate Batista diz que o corte das bolsas de produtividade científica afeta o aluno direta e indiretamente. “Quando começa a faltar luvas, reagentes, o aluno começa a sentir. Parando pesquisas, acaba a esperança”, disse. Marcelo Ferreira da Costa, que também estava na manifestação e é bolsista de pós-doutorado em Comunicação Científica na Fiocruz, diz que grande parte dos trabalhos em que está envolvido, todos envolvem, de uma forma ou de outra, alunos bolsistas. “Seja de doutorado, seja de iniciação científica, produtividade em pesquisa ou artigos. E isso é um exemplo claro de que, sem as bolsas de pesquisa, a ciência literalmente para no Brasil. Todos os tipos de cortes, seja para insumos, material, tudo isso gera um impacto grande nas pesquisas”.

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