Curso de Pneumologia Sanitária do Hélio Fraga debate definição, história e aplicação da epidemiologia

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*Por Irlan Peçanha

Epidemiologia foi tema da aula aberta do curso de Especialização em Pneumologia Sanitária, realizada no Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF/ENSP), no dia 8 de agosto, e ministrada pelo pesquisador do Centro, Paulo Victor de Souza Viana. Segundo ele, a epidemiologia é o estudo da distribuição e dos determinantes de estados ou eventos relacionados à saúde em populações específicas, e sua aplicação na prevenção e controle dos problemas de saúde. “Em termos gerais, a saúde pública se refere a ações coletivas visando melhorar a saúde das populações, já a epidemiologia, é uma das ferramentas para melhorar a saúde pública. Nesse sentido, a epidemiologia é uma ciência médica básica que tem por objetivo melhorar a saúde das populações, especialmente dos menos favorecidos”, explicou Paulo Victor.

O pesquisador fez um resumo histórico das raízes da epidemiologia a partir de Hipócrates, que buscou apresentar explicações a respeito da ocorrência de doenças na população, até os anos 70, nos quais a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em seu Plano Decenal de Saúde das Américas, recomendou a seus membros a manutenção de sistemas de vigilância epidemiológica adequados à estrutura sanitária de cada país. “O Brasil é talvez o único país do mundo que se refere a estratégias de uso da epidemiologia na sua Constituição, como cita o artigo 200”, apontou ele. O Artigo 200 diz que: ‘Ao Sistema Único de Saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador’.
Paulo Victor lembrou que em 1904, o governo federal do Brasil assumiu responsabilidades de coordenar ações de prevenção e controlar doenças transmissíveis. “Oswaldo Cruz teve como tarefa sanear o Rio de Janeiro contra as principais epidemias da época - febre amarela, peste bubônica e varíola. Em 1905, Carlos Chagas conseguiu controlar um surto de malária em Itatinga, São Paulo. Sua experiência virou referência para o mundo inteiro e em 1909, descobriu o protozoário Trypanossoma cruzi, causador da doença de Chagas”.

O pesquisador descreveu que em 1954 houve o marco legal da criação da ENSP, a União deveria manter uma Escola Nacional de Saúde Pública para formação de pessoal técnico especializado; já em 1970 foi instituída a Fundação Instituto Oswaldo Cruz; além das campanhas de erradicação da varíola na década de 1960, e da poliomielite na década 1970, que contribuíram para consolidar o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica no Brasil.

Causalidades das doenças

Embora algumas doenças sejam causadas unicamente por fatores genéticos, de acordo com Paulo Victor, a maioria delas resulta da interação de fatores genéticos com fatores ambientais. Como exemplo, o pesquisador citou o diabetes. “O comportamento e o estilo de vida são de grande importância nessa conexão, e a epidemiologia é cada vez mais usada para estudar a influência e a possibilidade de intervenção preventiva através da promoção da saúde”, destacou ele. A epidemiologia está, também, preocupada com a evolução e o desfecho - história natural - das doenças nos indivíduos e nos grupos populacionais.

O pesquisador falou ainda sobre as fases dessa história natural e o período pré-patogênese e patógeno da tuberculose. Detalhou também todos os níveis de medidas preventivas, as estratégias de prevenção e os dados epidemiológicos, que tem por finalidade descrever, acompanhar e comparar características de populações, grupos de indivíduos e coletividades humanas, no que afeta a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida, bem como a ocorrência de doenças.

Segundo Paulo Victor, as definições dos estados de saúde utilizadas pelos epidemiologistas tendem a ser extremamente simples, como, por exemplo, ‘doença presente’ ou ‘doença ausente’. “O desenvolvimento de critérios para determinar a presença de uma doença requer a definição de ‘normalidade’ e ‘anormalidade’ e os critérios diagnósticos são frequentemente baseados nos sintomas, sinais, história clínica e resultados de testes”, apresentou ele.

Quanto aos indicadores de saúde, o pesquisador explicou que é uma variável, característica ou atributo, capaz de sintetizar, representar ou dar maior significado ao que se quer avaliar. Segundo ele, é um instrumento de mensuração para o gerenciamento, avaliação e planejamento das ações em saúde que possibilita mudanças efetivas nos processos e nos resultados, por meio do estabelecimento de metas e ações prioritárias que garantam a melhoria contínua e gradativa de uma situação ou agravo.

Ainda de acordo com Paulo Victor, os indicadores de saúde podem ser expressos em frequência absoluta ou frequência relativa. “Números absolutos não são utilizados para avaliar o nível de saúde, pois não levam em conta o tamanho da população. Por exemplo, o número de casos de Tuberculose da cidade de São Paulo (SP) x o número de casos de Santo Antônio dos Milagres (PI). Os indicadores de saúde são construídos por meio de razões - frequências relativas - em forma de proporções ou coeficientes. Esses indicadores são construídos a partir dos dados relativos a eventos vitais – nascimentos e óbitos; estrutura da população; morbidade; e serviços e atividades sanitárias”.

Finalizando, o pesquisador abordou os cálculos das medidas de ocorrência de doenças, as pessoas susceptíveis a determinadas patologias, a incidência, e a prevalência, além taxas de mortalidades e letalidade.

*Irlan Peçanha é jornalista do Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF/ENSP).
 

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