Programa de Saúde Pública e Meio Ambiente da ENSP se pronuncia sobre saída dos EUA do Acordo do Clima

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Poucos dias antes da data estabelecida pela Assembleia Geral das Nações Unidas como o Dia Mundial do Meio Ambiente - lembrado em 5 de junho -, o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, anunciou a saída do país do Acordo do Clima. A notícia caiu como uma bomba em todo o mundo, visto que o acordo tem o propósito de controlar e gerir melhor os efeitos globais, regionais e locais da mudança do clima. Celebrado em Paris em dezembro de 2015, o acordo representa um grande avanço global, pois, praticamente, todos os países do mundo assumiram o compromisso de reduzir emissões de gases contribuintes para o efeito estufa (GEE), com o objetivo de manter o aquecimento global médio abaixo de 2 ºC neste século. O Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), na pessoa da professora Martha Barata, elaborou uma carta na qual reflete sobre o impacto do anúncio realizado pelo presidente da Nação que muito contribui para a mudança do clima. Confira, a seguir, a carta da professora Martha Barata, pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que trabalha com o tema desde 1994.
 

Saída dos Estados Unidos do Acordo do Clima - Reflexos para o Sistema de Saúde 

Elaborado por Martha Barata

"No contexto da Semana do Meio Ambiente, venho refletir sobre o impacto do anúncio realizado pelo presidente da Nação que muito contribui para a mudança do clima.
 
Em abril de 2016, chefes de Estado se reuniram na Sede das Nações Unidas, na cidade de Nova York, a fim de ratificar e abrir o período para assinatura oficial do acordo com o propósito de controlar e melhor gerir os efeitos globais, regionais e locais da mudança do clima. O acordo fora celebrado em Paris, em dezembro de 2015, e representa um avanço, pois, praticamente, todos os países do mundo assumiram o compromisso de reduzir emissões de gases contribuintes para o efeito estufa (GEE), com o objetivo de manter o aquecimento global médio abaixo de 2ºC, neste século. Essa meta parece ambiciosa quando se observa as emissões atuais, mas é factível de ser alcançada em face ao conhecimento, inovação e tecnologia atualmente existentes. Assim, o acordo contempla a proposta de ações objetivas de mitigação de GEE por parte dos países que mais a emitem, isto é, a União Europeia, os EUA e a China.

Em 30 de maio, o presidente dos Estados Unidos comunicou a saída oficial de seu país do acordo, indicando que investirá e reforçará as atividades produtivas, que, segundo ele, propiciem o rápido crescimento econômico e o aumento na geração de emprego solicitado por seus eleitores. Esse anúncio provocou reação imediata de:

- chefes de Estado de países da União Europeia e da China, que se recusam a mudar o acordo;
- setores empresariais, cientistas e chefes de Estados e cidades americanas, que reconhecem a relevância do acordo e manterão seus compromissos para que as metas ali propostas sejam alcançadas;
- representantes da sociedade civil e de organizações globais, regionais e de diferentes setores produtivos, que também emitiram reação contrária a essa proposta.

Os mais otimistas esperam que, em face à repercussão negativa que o anúncio do presidente Trump despertou na sociedade global, o atual governo americano reveja sua proposta e pondere sobre ela. A mudança do clima efetivamente amplia o número de óbitos e doentes. Vez que, os indivíduos podem ser submetidos a alterações fisiológicas decorrentes de variações térmicas ou lesões traumáticas causadas por desastres naturais. Adicionalmente, a saúde dos indivíduos pode ser afetada por transformações nas características ambientais provenientes da mudança do clima, tais como: a qualidade do ar, da água, o volume de produção alimentar, a expansão e distribuição de vetores, dentre outros. Portanto, o setor de Saúde precisa se preparar a fim de prevenir e evitar aumento de doenças, bem como atender à população impactada pela mudança do clima.

Pesquisa recente realizada pela Rede Internacional de Mudança do Clima (UCCRN), a ser publicada pela Editora de Cambridge, em agosto deste ano, apresentará resultados de pesquisas científicas que mostram como a mudança do clima poderá agravar os danos econômicos, ambientais, sociais e a saúde da população nas cidades e apontam algumas propostas objetivas e estruturadas de ações para evita-los e/ou reduzi-los. O sumário executivo do relatório elaborado por cientistas e gestores das cidades está disponível na página www.uccrn.org.
A intensificação de eventos climáticos, com consequentes impactos sociais e econômicos, ocorridos ao longo desta década, evidencia a necessidade de todos os países agirem pela prevenção, de modo a evitar os riscos associados à mudança do clima. Espera-se, assim, mais maturidade na posição de saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris."

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