Internacionalização na formação e determinantes sociais da saúde pautam últimos painéis de Colóquio Latino-Americano

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*Por Talita Rodrigues

No último dia do I Colóquio Latino-Americano de formação em Saúde Pública e III Colóquio Brasil-Cuba de formação em Saúde Pública, 10 de maio, o primeiro painel teve como tema Internacionalização e Formação em Saúde Pública: a experiência cubana, com Ahindris Calzadilla, do Inhem; e Xiomara Martín, da Ensap. O painel foi coordenado pela assessora da Coordenação de Cooperação Internacional da EPSJV, Ingrid Freire. Ahindris falou sobre os benefícios da internacionalização universitária, que fortalece as universidades, incrementa o conhecimento, além de melhorar e enriquecer a formação profissional. Xiomara falou a respeito da Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), que existe desde 1999. Até 2016, já foram formados cinco mil estudantes, de 123 países. O programa é estendido a todos as faculdades de Medicina do país e os egressos atuam em vários países do mundo.

No encerramento do painel, foi apresentado um trecho do documentário Salud!, que mostra como funciona o sistema de saúde cubano e a formação em saúde no país.

Confira no vídeo a seguir as apresentações do painel 5.



Determinantes Sociais da Saúde e formação em saúde pública

O último painel do I Colóquio Latino-Americano de formação em Saúde Pública e III Colóquio Brasil-Cuba de formação em Saúde Pública teve como tema Determinantes Sociais da Saúde e a Formação em Saúde Pública. Guilherme Albuquerque, do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (Nesc), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), destacou que estar saudável é ter condições de desenvolver toda a potencialidade do gênero humano. “Que a gente mantenha a utopia e permanentemente denuncie essa ordem social que, em última instância, determina nossa doença e nossa falta de saúde. Embora reconheçamos as contribuições que ela trouxe, essa sociedade não tolera qualquer planejamento no sentido de atender à necessidade humana; é mão do mercado que tem que organizar tudo”, disse Guilherme. Para o professor, é importante que se avance sobre o conceito de Determinantes Sociais da Saúde (DSS). “Não são só os DSS, é também a Determinação Social, fundamental para que nós façamos gente que trabalha na saúde pública com capacidade de transformar essa realidade e promover a saúde de forma mais eficiente”, completou.

Adolfo Alvarez Pérez, do Inhem, em Cuba, lembrou que os DSS são as condições sociais em que as pessoas nascem, vivem, trabalham e envelhecem. “São as causas das causas”, observou ele. Essas condições determinam, entre outras coisas, a desigualdade na organização dos serviços, as diferenças de desenvolvimento entre os territórios, a esperança de vida, mortalidade infantil e outros indicadores, de acordo com as condições de vida e acesso aos serviços de saúde de cada população.

Paulo Buss, diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris) da Fiocruz, fez uma relação entre os DSS e a saúde pública. “Os riscos que afetam a saúde e a doença são socialmente produzidos, e os conceitos e práticas em saúde pública são indissociáveis da organização social e do conhecimento de diversos campos”, ressaltou ele. Para Paulo Buss, as práticas de saúde pública dependem do processo saúde-doença e seus DSS. “A saúde pública deve identificar os DSS para organizar as formas de atuar sobre eles”, completou ele.

Confira, no vídeo a seguir, as apresentações do painel 6.


*Talita Rodrigues é jornalista da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz).

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