Avaliação da Pós-Graduação: É preciso pensar em mudanças a curto, médio e longo prazos, apontam pesquisadores

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A necessidade premente de mudanças no sistema de avaliação que rege os programas de pós-graduação do país foi a questão central abordada pelos palestrantes Maurício Barreto e Guilherme Werneck durante a mesa-redonda O Sistema de Avaliação da Pós-Graduação no Brasil: avanços, limites e possibilidades. Tanto um como o outro defenderam, de forma consensual, a primordialidade de alterações no sistema. O encontro foi proposto pela coordenadora do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da ENSP, Cristiani Vieira Machado, e teve como objetivo refletir a respeito das características e desafios do sistema atual de avaliação do país, que influenciam de forma contundente no trabalho das organizações, com os docentes e alunos da Escola. Os vídeos das palestras estão disponíveis, na íntegra, no Canal da ENSP no Youtube. Confira!
 
Na mesa de abertura, Cristiani Vieira destacou a importância de promover o debate no contexto em que os programas de pós-graduação estão inseridos no país, em particular no que diz respeito ao sistema de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que tem profundas implicações nas organizações de ensino e pesquisa, na produção e disseminação do conhecimento, na dinâmica de trabalho dos docentes e também, de forma direta e indireta, na formação dos alunos. Além de Cristiani, Barreto e Werneck, a vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, e a vice-diretora de Ensino da ENSP, Tatiana Wargas, compuseram a mesa de abertura do encontro. 
 
A vice-presidente da Fiocruz afirmou que este tema é prioritário na agenda institucional da Fundação no campo do ensino e educação, uma vez que a avaliação da pós-graduação não é só pauta permanente do cotidiano, especialmente dos professores e estudantes, mas também "porque os temos a convicção de que é necessário e está mais do que na hora de fazermos uma revisão nos critérios e na forma como essa avaliação vem sendo processada nos últimos anos”, argumentou. Nísia convidou os coordenadores de Programa da ENSP, assim como a Tatiana Wargas, a integrarem a Câmara Técnica de Ensino da Fiocruz e levarem suas contribuições. "Neste momento, dado o grave quadro político de retrocessos nas áreas de educação, saúde e tecnologia pelos quais estamos passando, a preservação do papel da Capes é fundamental para a pós-graduação e educação continuada no Brasil, apesar da urgente necessidade de avaliação”. 
 
Pesquisador do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia) e docente do Instituto de Saúde Coletiva, da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), Maurício Barreto destacou o crescimento da produção acadêmica brasileira. Segundo ele, o Brasil elaborou um projeto científico no qual a pós-graduação foi parte estratégica e serviu para alavancar o desenvolvimento científico do país. "Sem formar recursos humanos, não existiria o desenvolvimento que houve no país", disse. E completou revelando que na década de 1980 o doutorado era incipiente no Brasil. 
 
"Nos últimos anos, notamos que o Brasil cresceu acima da média internacional. Em 1965, quando os primeiros programas de pós-graduação foram reconhecidos, existiam 27 mestrados e apenas 11 cursos de doutorado. Atualmente, de acordo com a última estatística vista em 2016, existem 3.378 cursos de mestrado, 2.157 doutorados e 733 mestrados profissionais, com, respectivamente, 115 mil, 94 mil e 22 mil alunos. Em 2014, foram emitidos quase 17 mil títulos de doutores. Isso mostra efetivamente o nosso avanço. Do ponto de vista da ciência, os critérios de avaliação adotados serviram para estimular essa produção. Agora, passada a primeira fase, podemos afirmar o momento é de avaliar a qualidade e o significado dessa produção, pois a ideia é que ela seja um projeto estratégico e que faça com que essa ciência tenha impacto na sociedade”, defendeu ele. 
 
Confira a apresentação, na íntegra, de Maurício Barreto. 
 

 
Guilherme Werneck trouxe uma abordagem cujo foco foi o trabalho concreto, desenvolvido no interior da Capes, de repensar o atual sistema de avaliação. Ele destacou que a Fiocruz, mas em especial a ENSP, tem exercido papel fundamental no aporte às ideias e críticas ao sistema de avaliação vigente. Durante sua apresentação, abordou a área da saúde coletiva no escopo do sistema nacional de avaliação, os critérios de classificação da produção científica, as perspectivas de mudança, o credenciamento docente, entre outros. Ele ressaltou - como uma grande crítica ao sistema - a dificuldade de pesquisadores jovens se credenciarem como docentes. "As alterações no sistema de avaliação adotado devem ser pensadas de forma bem mais abrangente do que tem sido nos últimos tempos, pois mudar realmente é preciso. Se faz necessário que tenhamos horizontes de mudança em curto, médio e longo prazos”, apontou.  
 
Confira a apresentação, na íntegra, de Guilherme Werneck.
 
 
A vice-diretora de Ensino da ENSP, Tatiana Wargas, destacou diversas questões antes do debate, dentre elas o reconhecimento consensual da necessidade de mudanças no sistema de avaliação, que, para ela, apresenta limites claros e concretos. Também observou a necessidade de um olhar mais qualitativo para o conjunto de produções dentro dos programas de pós-graduação e ainda a primordial necessidade de: "sabermos para onde queremos ir, de qual ciência estamos falando, quais são e o quê os indicadores estão sendo capazes de refletir". 
 
Confira a fala de Tatiana Wargas e também o debate realizado no encontro. 
 

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