Mestrado profissional qualifica profissionais do SUS para o controle da tuberculose

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A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) e o Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM/Fiocruz) realizam, durante o mês de dezembro de 2015, os exames de qualificação do mestrado profissional em Epidemiologia e Controle da Tuberculose. O curso, desenvolvido na Escola pelo Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF), pelo Departamento de Endemias Samuel Pessoa (Densp) e pelo Departamento de Saúde Coletiva do CPqAM, é o primeiro de âmbito nacional voltado especificamente para um agravo especial: a tuberculose. O mestrado profissional foi criado a partir de um consórcio firmado entre ENSP/Fiocruz e o CPqAM/Fiocruz, com apoio da Vice-Presidência de Ensino, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz), e está vinculado aos programas de Pós-Graduação de Epidemiologia em Saúde Pública (ENSP) e de Saúde Pública (CPqAM/Fiocruz).
 
A turma é constituída por 23 profissionais que atuam na vigilância e controle da tuberculose em diferentes níveis no Rio de Janeiro (15 alunos) e em Pernambuco (8 alunos). A maioria dos projetos qualificados, de acordo com os coordenadores Paulo Basta e Jesus Ramos, está direcionada aos três pilares clássicos para o controle da doença: diagnóstico precoce, tratamento oportuno e vigilância de contatos. “Boa parte dos trabalhos está focada nesses pilares, mas temos pesquisas que abordam a mortalidade, que ainda é alta no Rio de Janeiro e no Recife, a tuberculose multirresistente, que é um grande desafio para vigilância, a associação com HIV/Aids, a utilização de sistemas de informação em saúde como ferramenta para o controle da doença e aquelas pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade, como a população carcerária e as populações em situação de rua”, afirmou Paulo Basta.
 
A decisão estratégica de formar profissionais de instituições públicas do Sistema Único de Saúde para atuar em duas capitais com elevadas incidências de casos (Rio de Janeiro e Recife) foi uma iniciativa elogiada também pelos alunos. As aulas são ministradas durante uma semana por mês, no Centro de Referência Professor Hélio Fraga, com os profissionais das duas regiões – o que possibilita a troca de experiências. “O fato de Rio de Janeiro e Recife estarem sempre na ponta das maiores incidências de tuberculose possibilita uma troca entre os profissionais, já que há diferenças no funcionamento do sistema de saude, na assistência, na vigilância e nos investimentos em cada região. É uma troca bem positiva”, destacou Suzane Leite, mestranda que atua como enfermeira há seis anos no CRPHF/ENSP e que pesquisará a subnotificação de casos de tuberculose multirresistente e a influência do tempo entre a liberação dos resultados dos exames laboratoriais e o início do tratamento.
 
O mestrado profissional reúne um grupo de docentes altamente reconhecido no campo da tuberculose em nosso país – elemento que contribui para sua distinção. “Temos uma característica, e isso nos diferencia de outros mestrados profissionais, de sermos o primeiro curso de abrangência nacional orientado especificamente para o controle de um agravo específico. Geralmente, os cursos são temáticos e abordam aspectos da vigilância em saúde de uma forma mais ampla, se dedicam a estudar doenças relacionadas à pobreza, desenvolvem modelos para avaliação e monitoramento em saúde, entre outros temas relevantes para saúde pública nacional, mas nenhum outro curso é diretamente voltado para o controle de uma só enfermidade. Essa é uma particular e grande relevância”, comentou o pesquisador do departamento de Endemias da ENSP.
 
Maíra Guazzi, assistente social e que trabalha na gestão do programa de controle da tuberculose no estado e no município do Rio de Janeiro, salienta que o mestrado reforça a capacitação de profissionais que atuam há anos no campo e almejam uma formação acadêmica. “Atuo há dez anos no campo da tuberculose e o mestrado possibilita um aprofundamento do tema. O curso traz disciplinas que discutem a TB no mundo, na atualidade e aponta caminhos para estudarmos a doença de acordo com o cenário da nossa atividade”, disse a mestranda cujo projeto busca traçar o perfil sociodemográfico e epidemiológico da população em situação de rua com tuberculose. 
 
Profissionais da saúde destacam necessidade de expandir a formação
 
Em relatório divulgado no final de outubro de 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a tuberculose superou a aids como doença infecciosa mais mortal do mundo em 2014. Ainda que a taxa de mortalidade represente quase a metade daquela verificada em 1990, as estimativas apontam que a doença matou 1,5 milhão de pessoas no ano passado, contra 1,2 milhão de vítimas do HIV. O cenário da doença no Brasil e no mundo, na opinião de pesquisadores, alunos e profissionais de saúde, requer investimentos na capacitação e ampliação do diagnóstico, principalmente frente ao fenômeno da tuberculose multirresistente aos antibióticos.
 
“O curso é bastante estimulador para os profissionais de todos os campos da tuberculose. Nós, que atuamos na gestão, no serviço e trilhamos um caminho desde o curso de especialização, observamos o desejo de capacitação dos próprios profissionais. É importante investir em novas turmas”, almeja Maíra. 


“Embora haja todo um esforço do Ministério da Saúde e do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT),  a doença se mantém em altos níveis endêmicos no país. Convivemos com níveis alarmantes de incidência e altas taxas de mortalidade em algumas regiões, particularmente no Rio de Janeiro, em Pernambuco e no Amazonas, além de um número crescente de casos resistentes às drogas nas capitais. Diante desse cenário, acreditamos que exista demanda suficiente de profissionais e situações de saúde para a criação de novas turmas, inclusive para acolher e ampliar a formação em serviço dos alunos egressos do curso de Especialização em Pneumologia Sanitária, desenvolvido pelo Centro de Referência Professor Hélio Fraga de forma ininterrupta há 30 anos. Por essa razão, pensamos que é fundamental viabilizarmos uma nova turma para dar seguimento ao curso”, constatam os coordenadores.
 
No primeiro ano de realização, os alunos do mestrado profissional em Epidemiologia e Controle da Tuberculose cursaram 10 disciplinas até a realização dos exames de qualificação - que seguem dentro do cronograma e do planejamento previsto. O curso é coordenado no CPqAM/Fiocruz pelas pesquisadoras Maria de Fátima Pessoa Militão Albuquerque e Haiana Charifker Schindler e tem apoio da coordenadora de Pós-graduação da Fiocruz, Cristina Guilam, e da vice-presidente de Ensino da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.

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