Conferência aborda impactos da globalização na saúde da população

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O curso mais tradicional da ENSP completa mais um ciclo esse ano. A especialização em Saúde Pública, que faz parte da grade curricular da Escola há 60 anos, realizará. na terça-feira, 15 de dezembro, o encerramento da edição de 2015 com a palestra Globalização, impactos na saúde da população e o papel do Estado. A atividade, marcada para às 13h30, no salão internacional da ENSP, contará com a exposição do coordenador do Centro de Relações Internacionais da Fiocruz, Paulo Buss. O curso de especialização em Saúde Pública visa introduzir o aluno no campo da saúde coletiva, além de capacitá-lo a gerar competências para sua atuação como sanitarista. A palestra é aberta a todos os interessados e não necessita de inscrição prévia.

Coordenado pelas pesquisadoras Gíssia Gomes Galvão, Isabel Cristina Silva Arruda Lamarca e Cláudia de Brito, o curso pretende ainda capacitar o aluno para identificar problemas prioritários na área da saúde, buscando soluções criativas para os mesmos, além da aplicação de técnicas e instrumentos adequados às características da situação de saúde e do sistema de saúde brasileiro. Sua estrutura curricular é constituída por cinco blocos temáticos, totalizando uma carga horário de 690 horas, distribuídas da seguinte forma: 552 horas de aulas presenciais e 138 horas para elaboração do TCC.

Para encerrar a edição de 2015 do curso, o coordenador do Cris/Fiocruz, Paulo Buss, abordará os impactos da globalização na saúde da população. Buss, que é especialista na temática de saúde global, afirma que sem reduções significativas nas desigualdades e iniquidades sociais e econômicas, é impossível diminuir iniquidades sanitárias e melhorar a saúde global. Ele defende também que o mundo deveria articular questões, como saúde, agricultura, educação e água limpa, por exemplo, nos objetivos da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015.

Para Paulo Buss, o Brasil deve ter a posição de defesa dos princípios norteadores da construção do seu sistema de saúde. Segundo ele, a OMS e alguns outros agentes defendem que o objetivo que norteia o desenvolvimento sustentável deve ser a cobertura universal em saúde, e não a cobertura equitativa, integral e outras que fazem parte do nosso conceito de sistema de saúde.

Durante a abertura do ano letivo da ENSP em 2013, Paulo afirmou que “temos um mandato constitucional do que deve ser a ação brasileira. Apenas o conceito de cobertura universal não serve. Só quem quer fazer da saúde um negócio vai defendê-lo. Precisamos manter a postura crítica. O SUS é um sistema de apenas 25 anos, subfinanciado e, quanto mais estiver assim, melhor será para os que querem fazer negócio com a saúde, inclusive no campo internacional, e que tentam buscar sustentação nesse conceito de cobertura universal. Peço que vocês comprem essa briga e participem dela conosco.”

Sobre o palestrante

Paulo Marchiori Buss foi presidente da Fiocruz por dois mandatos (2001-2008), diretor da ENSP por duas vezes (1989-1992 e 1998-2000), vice-diretor da ENSP (1985-1989) e vice-presidente da Fiocruz (1992-1996). Médico pela Universidade Federal de Santa Maria (RS) (1972) e mestre em Medicina Social (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1980). Paulo Buss tem residência médica em Pediatria (1974) e é especialista em Pediatria (Sociedade Brasileira de Pediatria, 1975) e em Saúde Pública (Escola Nacional de Saúde Pública, 1975). É membro titular da Academia Nacional de Medicina do Brasil (2005) e membro honorário da Academia Portuguesa de Medicina (2008) e da Academia Nacional de Medicina da Argentina (2011). Doutor honoris causa pela Universidade ISALUD, da Argentina (2010), e pela Universidade Nova de Lisboa, de Portugal (2011). Foi vice-presidente do Comitê Executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS) (2010-2011), no qual, por indicação do Presidente da República, representou o Brasil (2008-2011).

Representou o Brasil nas sete últimas assembleias mundiais de Saúde (2005 a 2011). Representa o Brasil no Conselho de Saúde da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Recebeu da Presidência da República a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Médico (2010) e a Ordem de Rio Branco (2007), está por relevantes serviços prestados à política externa.

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