Em debate sobre impactos da violência na saúde, Claves recebe homenagens

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Ela merece todas as homenagens. Não somente pela brilhante carreira científica construída, mas principalmente pela coragem e persistência no tema estudado. A deferência à coordenadora científica do Departamento de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/ENSP), Cecília Minayo, aconteceu durante um grande debate sobre os impactos da violência na saúde dos brasileiros - evento que integrou a semana do Semana do Servidor Público, promovida pela Escola. Na abertura do encontro, o diretor da ENSP, Hermano Castro, ressaltou a trajetória emblemática de Cecília e citou a mais recente conquista do Claves, que, neste ano de 2015, deixou de ser centro e se tornou um departamento da Escola. 

“Esta é a primeira homenagem entregue ao Departamento de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/ENSP) – instituído no novo Regimento Interno da Escola, efetivado em 2015. Uma reverência pelo seu legado de 25 anos de trabalho, história e luta baseados no respeito e afeto por melhores condições de vida e saúde da população brasileira”, disse o diretor, afirmando ainda que ultimamente o tema da violência e saúde tem sido tratado de maneira central nos diferentes espaços públicos do país. E ressaltou que o Claves, de forma muito grandiosa, manteve o tema aceso durante décadas e sempre apontou políticas públicas com seus estudos e pesquisas. “O conjunto de materiais produzidos ao longo de seus anos de atuação contribuíram e auxiliaram para a melhoria da saúde da população brasileira. Este é um reconhecimento de todos os professores e alunos da ENSP a vocês”, disse Hermano Castro. 
 
Várias homenagens seguiram sendo feitas para marcar os 25 anos do Claves. Desta vez, Simone Assis entregou uma placa à Ednilsa Ramos, ambas integrante do Claves e lembrou dos muitos momentos que passaram: “Sofremos, estudamos e crescemos juntas”. Em seguida, Ednilsa homenageou Cecília e disse: “São muitos anos trabalhando juntas. Somos verdade incontestável. Nos conhecemos no olhar. Tenho muito orgulho de integrar este grupo”, comentou ela. A quarta e última placa foi entregue pela também pesquisadora do Centro Kathie Njaine para Simone: “Guerreira, competente e solidária, esta é Simone!”, disse Kathie. Cecília Minayo assegurou que toda homenagem feita a ela ou a qualquer outra integrante do Claves é, na verdade, feita a todo o grupo que forma este departamento e trabalha com empenho e dedicação. 
 
Violência: um fenômeno complexo
 
Após a manhã de homenagens e emoções, teve início a palestra de Cecília, intitulada Violência: um fenômeno complexo que tem historicidade, padrões e mutações. Nela, a pesquisadora descreveu as diversas visões da violência na sociedade e apresentou abordagens filosóficas, sociológicas, psicológicas, biológicas, de segurança pública, saúde pública, e explicações para o seu acontecimento e perpetuação na sociedade. De acordo com Cecília, a violência faz parte da vida e da ação humana, pois todos os indivíduos trazem a violência em si. Além disso, ela atinge todos os segmentos sociais.
 
Cecília comentou que durante muito tempo a humanidade viveu o mito do passado pacífico. No entanto, a própria bíblia desmente isso. “Pouco sabemos desse passado. E a julgar pelo exemplo da América Latina, e a colonização espanhola e portuguesa, a história da região está marcada pela violência política, social, de gênero, de classe e etária desde sempre e muito antes do período colonial. No entanto, somente na era da modernidade, ou seja, a partir da Revolução Industrial, a violência passou a ser nomeada como um valor negativo, sobretudo na sociedade ocidental”, disse ela. 
 
A pesquisadora lembrou ainda que na história há sempre algumas expressões hegemônicas de violência, como, por exemplo, constatar que o homicídio é o indicador mais universal de violência no tempo (história) e no espaço (organização social); que o suicídio, historicamente, é repudiado em quase todas as sociedades que tendem a ocultar suas verdadeiras dimensões; que os jovens em todos os períodos históricos são os grupos que mais morrem e que mais matam; entre outros. 
 
“Há fatores econômicos que explicam parte do aumento da violência”, afirma Cecília, porém, continuou ela, “somente a pobreza e a desigualdade não explicam tudo. Por exemplo, no Brasil há favelas ou estados muito pobres onde as taxas de mortalidade violenta são muito baixas. Portanto, em uma análise metodológica, há que se correlacionar fatores, como história cultural, economia, política, vida comunitária e, também a escolha individual”, exemplificou a pesquisadora. 
 
Finalizando a sua apresentação, Cecília admitiu que hoje, a violência social da delinquência tem um caráter econômico, apolítico e internacional, pois ela inclui tráfico de drogas, de armas e do aliciamento da juventude para conquistas fáceis. Segundo a pesquisadora, as soluções de superação devem partir da política. Mas a política está muito aquém do dinamismo da sociedade. Para tanto, a concepção da transformação tem que abranger a sociedade em busca de inclusão e de democracia. As instituições de segurança pública fazem parte da democracia e precisam ser entendidas como tal. Além disso, a diminuição da violência – é impossível erradicá-la -, torna-se um processo complexo que transcorre por vários tipos de soluções: globais, nacionais, locais e subjetivas”, concluiu ela. 

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