Abrascão 2015: estudos apontam importância da promoção da saúde como estratégia para ação

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Na perspectiva do tema Avaliações Abrangentes as alunas dos programas de Saúde Pública e Epidemiologia em Saúde Pública da ENSP, Santuzza Vitorino e Paula Corrêa apresentaram estudos de análise durante o 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva. Paula elaborou uma avaliação da mortalidade por causas externas em Caraguatatuba – São Paulo e destacou que existem muitos desafios para as ações de prevenção, promoção da saúde e assistência médica em nosso país. Já Santuzza observou a vigilância alimentar e nutricional na Atenção Primária à Saúde. Segundo ela, infelizmente, a Vigilância Alimentar e Nutricional se limita a uma pequena parcela da população, o que aponta a necessidade de avançar no monitoramento do consumo alimentar e do estado nutricional da população.
 
O objetivo do estudo de Paula Corrêa foi analisar as variações temporais de mortalidade por causas externas em Caraguatatuba – São Paulo, entre 2006 e 2012. Segundo ela, entre as causas externas, os homicídios, suicídios e acidentes de trânsito lideram os índices de mortalidade no Brasil, e a dimensão desses problemas de saúde em cidades pequenas e com grande movimentação de turistas é pouco conhecida. O estudo foi realizado com base nos óbitos registrados no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e no Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil.
 
De acordo com a autora, a análise se baseou na construção de indicadores que levaram em consideração dimensões ecológicas, econômica e de saúde na ocorrência de óbitos por causas externas. Os resultados da pesquisam mostraram que, de 2006 a 2012, os óbitos por causas externas em Caraguatatuba se assemelharam e predominaram na faixa etária dos 20 aos 29 anos. As taxas de óbito se mantiveram maiores no município de Caraguatatuba (2012 – 82,6/100.000 habitantes) quando comparado a São Paulo (2012 – 59/100.00 habitantes) e Brasil (2012 - 78,4/100.000 habitantes).
 
“Podemos concluir que a mortalidade por causas externas em uma cidade litorânea, de porte médio, e com grande movimentação de turistas, é maior que as taxas globais do estado e do país, principalmente no período das férias. São necessários investimentos nas áreas de prevenção, promoção da saúde e assistência médica”, destacou Paula. 
 
Analisar a evolução dos objetivos da Vigilância Alimentar e Nutricional (VAN) no país desde sua proposta inicial no Brasil, na década de 70, foi o principal objetivo do estudo Análise Lógica da Vigilância Alimentar e Nutricional na Atenção Primária em Saúde, apresentado por Santuzza Vitorino. Segundo ela, a Análise Lógica (AL) pretende determinar o grau de adequação entre os objetivos da intervenção e os meios usados para alcançá-los. Desta forma, a VAN pode ser considerada um instrumento de planejamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas para estados e municípios ao se propor monitorar o estado alimentar e nutricional da população de determinado território, de acordo com os processos e protocolos do Ministério da Saúde.
 
Esse monitoramento deve fornecer informações oportunas, de qualidade e representativas da população para a tomada de decisão pelos gestores e formuladores de políticas públicas. Neste sentido o trabalho buscou analisar também as estratégias escolhidas para sua implementação e sua coerência com situação epidemiológica e nutricional atual.  “Os resultados mostraram que de 1970 a 1990 os objetivos e meios definidos para a consolidação da Vigilância Alimentar e Nutricional consideravam a diferença de enfoque entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. De 1990 a 2000, a VAN foi inserida no SUS e vinculada a programas de Alimentação e Nutrição, além da publicação da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), em 1999. De 2000 a 2010, obtivemos muitos avanços relacionados à intersetorialidade, além do aprimoramento dos Sistemas de Informação. De 2010 a 2015, conseguimos a 
revisão e atualização da PNAN”, comemorou Santuzza. 
 
Por fim, Santuzza lamentou que as normalizações definidas para a implantação da Vigilância Alimentar e Nutricional ainda não foram suficientes para garantir sua operacionalização, dirigida a toda população, fornecendo informações de qualidade para a tomada de decisão. Há baixa cobertura populacional e baixa confiabilidade nos dados na VAN devido à inadequação. “É necessário avançar no monitoramento do consumo alimentar e ampliar o monitoramento do estado nutricional para demais segmentos populacionais, como instrumento valioso de orientação para políticas publicas intersetorias de promoção da saúde”, finalizou a aluna.

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