Ex-diretores e alunos: experiências que renovam a ENSP

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Uma escola vive da sua relação entre alunos e professores. E na ENSP não é diferente. É nessa troca diária de experiências que são construídas as políticas, projetos e pesquisas em prol de um sistema de saúde igualitário, universal e equânime. Com o intuito de trazer o conhecimento dos ex-diretores da Escola para os dias atuais, o Fórum de Estudantes promoveu, no terceiro e último dia (5/9) das comemorações dos 60 anos da instituição, uma roda de conversa entre eles. No encontro, foram tratados temas contemporâneos e passados da saúde coletiva brasileira.

O debate teve início após a exibição do documentário ENSP: uma história de cidadania, que narra momentos históricos dos 60 anos da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, uma das instituições técnico-científicas da Fundação Oswaldo Cruz que teve, neste período, 20 diretores empossados.

Foram seis os ex-diretores que participaram da conversa: Jorge Bermudez, Antônio Ivo de Carvalho, Maria do Carmo Leal, Arlindo Fábio Gómez de Sousa, Luiz Fernando Ferreira e Fernando Leitão. Os presentes levantaram questões sobre a relação da Escola com o entorno de Manguinhos, a importância do campo do saneamento para o desenvolvimento do país, da luta pela consolidação do SUS entre outras questões.

Entre 'causos' e casos, os ex-diretores buscaram traçar um panorama da atual situação de saúde brasileira com o caminho trilhado pela Escola ao longo dos anos. Jorge Bermudez, diretor entre 2001 e 2004, lembrou da retomada do curso de doutorado na ENSP, nos anos 80, cuja primeira turma foi composta por ele e nomes como Maria do Carmo Leal, Paulo Sabroza, Paulo Gadelha, Paulo Amarante, entre tantos outros, que trouxeram experiências diversas e distintas e ajudaram na disseminação do conhecimento em saúde que a Escola sempre promoveu.

Já Antônio Ivo de Carvalho, diretor entre 2004 e 2013, em uma de suas intervenções, destacou que a relação entre professor e aluno sempre tem que ser diferente, porque se existe consenso entre eles, algo está errado. E é essa dicotomia que abastece a ENSP diariamente, porque são através de experiências pessoais que nascem as inovações por uma saúde melhor para todos.

A única diretora mulher da Escola em seus 60 anos, Maria do Carmo Leal ocupou o cargo entre 1993 e 1994, ressaltou a responsabilidade dos alunos frente à instituição. Para ela, é fundamental que a pessoa faça uma boa ciência, e não apenas ciência, porque o aprendizado na vida é contínuo e isso é uma marca da Escola, ao primar pela qualidade no ensino. Para ela, é gratificante para o pesquisador quando os resultados de suas pesquisas se refletem em melhorias para a população brasileira e que os estudantes devem ter isso sempre em mente.

Fernando Leitão, diretor em 1969, disse que enquanto esteve no cargo buscou duas inovações para a época: de que o aluno que quisesse fazer mestrado na instituição tivesse antes experiência profissional, pois, para ele, é inaceitável alguém cursar uma pós-graduação sem conhecer a realidade vivida pela população. A segunda foi promover uma pesquisa com os egressos, para saber onde estavam trabalhando após a conclusão do curso.

O sempre divertido Luiz Fernando Ferreira, diretor entre 1978 e 1979, contou algumas histórias dos bastidores da Escola e lembrou que quando veio para a Fiocruz, os valores e conceitos eram diferentes dos dias de hoje. Citou também o pioneirismo de Edmar Terra Blois, que trouxe para a ENSP o campo das ciências sociais e unificou os cursos na instituição.

Arlindo Fábio Gómez de Sousa, diretor entre 1983 e 1985, e um dos mais atuantes nos debates, destacou nomes daqules que ajudaram a consolidar o ensino na Escola, como o grupo formado por Ciro de Quadros, Eduardo Costa, Cláudio Amaral e Nilton Arnt, no final dos anos 60. Outro ponto levantado por Arlindo foi a implantação do programa Radis (Reunião, Análise e Difusão de Informação em Saúde), nos anos 80, como uma das publicações fundamentais para disseminar o conhecimento em saúde pelo país.

Por fim, Arlindo se disse preocupado com o atual debate político no Brasil, uma vez que, a seu ver, não há uma identidade da saúde coletiva brasileira apresentada nos programas políticos dos candidatos à Presidência da República. Para ele, se não houver uma mobilização dos atores da saúde, o resultado das próximas eleições pode ser desfavorável para o Sistema Único de Saúde que vem sendo construído, com muita luta e esforço, nos últimos 25 anos.

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