Vida, saúde e ambiente em debate no VI CBCSHS

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* Flaviano Quaresma

O grande debate Vida, Saúde e Ambiente, realizado no dia 16 de novembro durante o VI Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (VI CBCSHS), promovido pela Abrasco, reuniu os pesquisadores Raul Borges Guimarães (Unesp-SP), Dina Czeresnia (ENSP/Fiocruz) e Raquel Rigotto (UFC), sob a coordenação do também pesquisador Ary Miranda (ENSP/Fiocruz). Os expositores buscaram apresentar como os três elementos em debate se articulam dentro do capitalismo contemporâneo, que os apregoa como objetos para serem consumidos, mercantilizados e monetarizados.

Para começar, Dina Czeresnia apontou as questões contemporâneas para o estudo da vida, reflexões e as formas de compreender o corpo nesse processo. Falou sobre dualidades no campo da saúde coletiva, que relaciona, nesse sentido, o biológico/social e o individual/coletivo. “A vida é uma experiência; uma multiplicidade de sentidos, com diferentes campos do saber”, ressaltou.

Dina constata que, apesar do desenvolvimento das ciências, a resposta para “o que é vida” ainda não existe de forma completa, e isso traz uma série de indefinições. O ponto alto foi a explanação da epigenética, uma nova interpretação acerca da Teoria da Evolução, o que chamou a atenção do público para um debate mais amplo sobre o tema.

O geógrafo Raul Borges Guimarães disse ter se sentido “um estranho no ninho”; entretanto, apresentou um panorama, para muitos, desconhecido de geógrafos preocupados com o desenvolvimento das políticas públicas de saúde no Brasil. “Sempre tive interesse pela área da saúde, mas, nesse contexto do VI CBCSHS, sinto-me impelido a me associar à Abrasco por perceber a grande importância da saúde coletiva”, revelou.

Ao citar Milton Santos em boa parte do contexto de sua apresentação, e partindo da dimensão geográfica para entender a dimensão da “vida, da saúde e do ambiente”, Guimarães afirmou que o “tempo” está relacionado à vida em várias âmbitos geográficos. “No estudo das sociedades, não basta considerar o tempo natural, não basta trabalhar sociedade/natureza, e o ser social é um grande desafio para reflexão e análise”, pontuou.

Raquel Rigotto, relacionando os temas trabalhados por Dina Czeresnia e Raul Guimarães aos trabalhos desenvolvidos pelo Tramas, no Ceará, explanou as dimensões epistemológicas, sociopolíticas e da injustiça ambiental. “É preciso destacar que estamos num processo histórico de acesso desigual aos recursos naturais. Entre outros problemas, ressalto a desvalorização da ecologia de saberes, que é tão importante para compreender processos sociais no ambiente da relação entre a vida, a saúde e o ambiente, como também na tomada de decisões, no quando e onde intervir com políticas públicas em localidades, consideradas pelos órgãos oficiais governamentais como espaços mortos”, disse.

Raquel apresentou relatos de agricultores familiares envolvidos nos projetos do Tramas, que consideram a perspectiva social e seus desdobramentos uma questão de saúde. “A sucessão rural, no âmbito da agricultura familiar, é algo importante para se refletir. Há uma grande cota de jovens deixando o campo seja para buscar oportunidades de trabalho ou mesmo para estudar; e eles não querem regressar para sucederem aos pais na agricultura familiar. Persiste o atraso do pensamento sobre a desqualificação do rural, da vida rural. As políticas não fortalecem a vida no campo. A questão-chave da mobilidade campo/cidade também deve ser estudada e considerada nesse processo”, pontuou.

(* Texto e fotos Flaviano Quaresma – jornalista da Abrasco)

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