Desafios da nanotecnologia apresentados em congresso

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Em uma iniciativa inédita, a ENSP/Fiocruz levou virtualmente um de seus pesquisadores para participar da 2ª Jornada Internacional de Saúde Ocupacional e Ambiental, congresso realizado de 18 a 20 de setembro, no Peru. O pesquisador da Escola, William Waissmann, e a médica Fátima Viegas, da Fundacentro, gravaram, em uma sala de aula do Cesteh/ENSP, os vídeos de suas exposições exibidas durante o evento. Fátima explicou o que é a nanotecnologia, e Waissmann concentrou sua fala na relação entre nanomateriais, toxicidade e trabalho. Ambas as apresentações podem ser conferidas no canal da ENSP, no Youtube.

Segundo Fátima Viegas, a nanotecnologia está sendo anunciada como uma nova revolução tecnológica que, de tão profunda, irá atingir todos os aspectos da sociedade humana. Ela envolve o estudo e a manipulação da matéria em uma escala muito pequena, geralmente na faixa de 1 a 100 nanômetros (1 metro = 1 bilhão de nanômetros). Conforme apresentado pelas Nações Unidas, a importância da nanotecnologia para o mundo em desenvolvimento envolve pouco trabalho, terra ou manutenção; é algo muito produtivo e barato, requer modestas porções de matéria e energia, reduzirá os custos de produção agrícola e, com isso, diminuirá a mortalidade infantil e doenças da subnutrição, além de fazer com que a saúde das culturas agrícolas sejam protegidas por nanosensores.

Atualmente, explicou a médica, existem vários tipos de nanopartículas usadas pela sociedade, podendo ser fulerenos, nanotubos, dendrímeros, pontos quânticos, biopolímeros, nanoemulsões, nanocamadas, entre outros. Esses novos compostos já estão sendo utilizados em diversos produtos e serviços, tais como tecidos mais resistentes a manchas e que não amassam, filtros de proteção solar, nanocolas capazes de unir qualquer material a outro, pó antibactéria, aplicações medicinais como cateteres, válvulas cardíacas, marca-passo e implantes ortopédicos, cosméticos, sistemas de filtração do ar e da água, entre outros.

Entretanto, ainda é cedo para avaliar os benefícios dessas novas tecnologias. Fátima lembra que existem possíveis problemas relacionados a produtos nano, tais como as características dos produtos feitos ou os processos de fabricação envolvidos, além dos tipos de materiais usados e se há algum resíduo tóxico na fabricação de produtos nano. “Ainda há muito pouco estudo sobre os impactos dos materiais nanoestruturados na saúde e no meio ambiente e, em consequência, na Segurança e Saúde no Trabalho (SST)”, concluiu.

Ao falar da relação entre nanomateriais, toxicidade e trabalho, o professor da ENSP William Waissmann destacou que, entre 2000 e 2009, foram publicados mais de 30 mil artigos sobre a temática ‘nanotecnologia e saúde’, em 116 países, mostrando o crescente interesse de pesquisadores sobre a área, além do aumento de patentes de novos produtos destinados ao mercado comum.

Em seguida, Waissmann apresentou alguns resultados de investigações científicas sobre problemas de saúde causados por nanopartículas, tais como nanotubos de carbono e seus efeitos ao DNA humano, na possível formação de granulomas e mesotelioma, no aumento da capacidade de inflamação dos tecidos, além de possíveis efeitos pulmonares e extrapulmonares. “Existem mais de 120 mil substâncias registradas nos EUA para uso comercial à base de nanotecnologia, e menos de 8 mil completaram testes toxicológicos de longa duração. Como saberemos o que é ou não realmente seguro para nós?”

Para o pesquisador, os países devem ampliar as pesquisas envolvendo a nanotecnologia e a saúde humana, principalmente nos processos de trabalho, uma vez que se tem verificado o aumento de doenças correlacionadas a essas novas tecnologias. “É inegável o potencial que a nanotecnologia traz em termos tecnológicos, nos avanços da saúde, principalmente na evolução de tratamentos terapêuticos para a população em geral. Mas temos que pensar a longo prazo nos riscos que corremos desnecessariamente por conta do desconhecimento que essas nanopartículas podem trazer”, encerrou.

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