Amianto: um problema de saúde pública que ainda assola o Brasil

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O banimento do amianto no Brasil foi tema de uma das mesas do 10° Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva. O pesquisador da ENSP Hermano de Castro participou da atividade como palestrante. Segundo ele, mais do que um problema de saúde ocupacional, o amianto é um grande problema de saúde pública. “Lutamos contra um forte setor econômico que defende o uso controlado do produto e afirma que os poucos casos notificados de mesotelioma são decorrentes do processo de trabalho. Na verdade, há uma subnotificação da doença no Brasil”, afirmou o pesquisador.

Para Hermano Castro, o Brasil é um país que está atrasado no debate sobre o banimento da fibra. Recentemente, o pesquisador esteve em Paris, na França, como integrante da delegação brasileira que participou de uma jornada internacional pelo banimento do amianto. O evento levou mais de 5 mil pessoas às ruas. “Na Europa, já existe o banimento do amianto. É uma política tão forte que nenhum produto que contenha amianto em seu processo de fabricação pode entrar nos países”, disse.
 
Sobre o mesotelioma, tipo de câncer ocasionado pela exposição ao asbesto (amianto), Hermano destacou que a doença não aparece apenas nas pessoas expostas no ambiente de trabalho. Muitas vezes, a exposição pode começar ainda quando criança, uma vez que o produto faz parte do cotidiano da vida das pessoas e está presente em telhas ou caixas d’água. “O mesotelioma é de difícil tratamento. Cerca de 80% a 85% dos óbitos ocorrem em 12 meses, e o restante, em até quatro anos”, afirmou.
 
STF decidirá destino do amianto no Brasil
 
O pesquisador destacou em sua exposição que o banimento do amianto do país está nas mãos de dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Dos onze ministros com direito a voto, um se absteve por afirmar a existência de conflito de interesse. Outros dois já deram seus pareceres, e a votação está empatada em um a um. “Faltam oito votos. Se terminar empatado, o voto de minerva será do ministro Joaquim Barbosa”, disse. “Enquanto não houver o banimento do amianto no Brasil, não poderemos trabalhar ambientalmente em prol da população. Seria caótico para o meio ambiente se o Brasil substituísse da noite para o dia todas as telhas e caixas d’água de amianto. Não estamos preparados para isso e não é o que queremos. Precisamos trabalhar de forma consciente e reduzir gradativamente a exposição das pessoas a esses produtos”, encerrou.

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