Desenvolvimento sustentável e saúde: qual é a relação?

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O 10º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva debateu um dos temas mais relevantes para a sociedade atual, tanto no contexto brasileiro como no mundial: os indicadores de desenvolvimento sustentável e saúde. O pesquisador da ENSP Edmundo Gallo participou da atividade, na qual ressaltou a importância de um novo modelo de crescimento capaz de promover o desenvolvimento social, com a minimização dos riscos para o meio ambiente. “As iniquidades ainda são gigantescas no Brasil, embora tenhamos atingido boa parte das metas do milênio. Entretanto, essas metas são muito diferentes entre as regiões e as populações”, afirmou Edmundo.

 

Segundo Gallo, a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecida pela ONU, é incompleta e necessita de uma ampla atualização para ser articulada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODG), inserindo-se, assim, no ciclo da sustentabilidade. “A transição para uma economia sustentável depende de decisões políticas e vai além do desenvolvimento de tecnologias. Ela deve implantar um novo modo de produção, consumo e organização social que promova a justiça socioambiental, incentivando, assim, a participação social e as formas democráticas de governança para definir uma agenda concreta de implementação de objetivos para o desenvolvimento sustentável e de mecanismos capazes de implementá-los em todos os níveis”, ressaltou.
 
Sobre o campo da saúde, Gallo destacou que existem apenas dois modelos vigentes no mundo: o de cobertura universal e o pago. “Conseguir um marcador para definir que a saúde seja um bem universal já é um grande avanço no debate político global de hoje. Mas o que é essa cobertura universal?”, argumentou. No caso brasileiro, o expositor lembra que o SUS não pode ser compreendido apenas como fornecedor de atenção básica, pois outros campos também precisam ser fortalecidos, como as vigilâncias, os programas de imunização, a gestão do trabalho e a educação em saúde. “O ideal é que o debate não se restrinja ao Brasil, mas que o mundo defina e aprove a cobertura universal como o modelo de saúde para todos e, depois, se aprofunde o debate sobre o que essa cobertura deva oferecer”, disse.
 
Gallo retornou ao tema da agenda do desenvolvimento sustentável e disse ser fundamental intervir nas distintas dimensões da determinação social da saúde, por meio da articulação de diferentes escalas. Além disso, acrescentou ele, essa agenda deve se integrar às agendas de economia solidária, gestão e uso do território, agroecologia, segurança alimentar, resgate e atualização cultural, entre outras, para que se torne promotora de equidade e sustentabilidade.

 

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