Projetos e pesquisas destacam envelhecimento saudável

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Nos próximos 30 anos, a população idosa brasileira ultrapassará 50 milhões de pessoas, o que representará cerca de 28% da população, segundo estimativas do IBGE. Isso significa que o país caminha rapidamente para o envelhecimento populacional. Entretanto, esse envelhecimento nem sempre vem acompanhado da melhor qualidade de vida. Para comemorar o Dia Internacional do Idoso, nesta segunda-feira, 1º de outubro, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Informe ENSP apresenta um balanço das pesquisas, cursos, programas, teses e artigos que a Escola  vem desenvolvendo em busca de melhores condições de envelhecimento para as pessoas.

 

Programa de Atenção à Saúde do Idoso (Pasi)

 

Criado em dezembro de 1995, o Programa de Atenção à Saúde do Idoso (Pasi), do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/ENSP), funciona como um catalisador, favorecendo a interação dos participantes e estimulando o desenvolvimento de soluções próprias e específicas para seus problemas. Ao promover o resgate para o idoso de sua autoestima e do controle do seu próprio tempo e vida, o Pasi se firma como um espaço que se traduz em sentimento de pertencimento, referência e apoio emocional, uma vez que permite a troca de experiências de forma aberta e sem restrições.

 

O programa desenvolve atividades físicas e psicológicas para os idosos independentes e autônomos das comunidades no entorno da Fiocruz e promove a integração dessa população com a comunidade. Os encontros do grupo ocorrem três vezes por semana (de segunda a quarta), das 13 às 16 horas, no próprio Centro de Saúde. Entre as atividades desenvolvidas estão aulas de educação em saúde, dança, palestras, atividades de estimulação cognitiva e de psicomotricidade, canto coral, grupo de convivência social e psicológica, além de oficinas de artesanato.

 

Segundo o coordenador do grupo, o médico Carlos Bizarro, “as atividades desenvolvidas com os idosos são promotoras de saúde e buscam dar visibilidade aos dois lados, ou seja, mostrar para a comunidade que estamos no mesmo espaço. Nós somos vizinhos e podemos contar uns com os outros. Isso significa a ampliação do conceito de território”.

 

Responsável pelo Pasi há dois anos, Carlos explicou que, nos dez primeiros anos de existência, o programa era formado apenas por voluntários. Atualmente, sua força de trabalho conta com 80% de funcionários do Centro de Saúde e 20% de bolsistas. Ao longo do ano, o Centro de Saúde também promove ações voltadas para os idosos, como a Semana do Idoso, quando são realizadas atividades como: práticas corporais, palestras, dinâmicas e música.

 

Pesquisas do Claves trabalham contra a violência aos idosos

 

O Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/ENSP) é um centro de pesquisa, ensino e assessoria com o objetivo de investigar o impacto da violência sobre a saúde da população brasileira e latino-americana. Realiza estudos em diversos níveis e tem entre suas linhas de atuação trabalhos voltados à população idosa do país.

 

Financiada pelo programa Inova ENSP, a pesquisa É possível prevenir a antecipação do fim? Suicídio de idosos no Brasil e possibilidades de atuação do setor saúde tem o objetivo de compreender a magnitude e a significância do suicídio na população brasileira acima de 60 anos. O estudo foi realizado no período de 2010 a 2012 e contemplou uma dimensão de magnitude (abordagem epidemiológica) e outra de aprofundamento (abordagem qualitativa psicossocial). Do ponto de vista epidemiológico, abrangeu todos os idosos, com 60 anos ou mais, que faleceram por suicídio no período de 1980 a 2009 no Brasil. Conheça mais sobre o estudo aqui.

 

Outra pesquisa realizada pelo Claves/ENSP/Fiocruz analisa a atenção à saúde mental de idosos vítimas de violência. O trabalho Violência contra a pessoa idosa: análise de aspectos da atenção de saúde mental em cinco capitais brasileiras evidenciou a ausência de informações sobre o atendimento de idosos nesses casos, além da necessidade da adoção de ações de prevenção para essa população. Para investigar como tem sido realizada a atenção à saúde mental de idosos vítimas de violência, Fabiana Castelo Valadares e Edinilsa Ramos de Souza, do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), coletaram dados em Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Manaus. Confira aqui.

 

Uma iniciativa da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, em parceria com o Claves/ENSP, criou um dispositivo de observação, acompanhamento e análises das políticas e estratégias de ação de enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. O Observatório Nacional da Pessoa Idosa funcionará como um espaço permanente para o intercâmbio de informações entre as equipes dos 18 Centros Integrados de Atenção e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa espalhados pelo país. O Observatório também monitora os Centros Integrados, cujo objetivo é cumprir o Plano de Ação para Enfrentamento da Violência contra a Pessoa Idosa, documento criado por uma equipe técnica do Claves. Fazem parte da equipe as pesquisadoras Maria Cecília de Souza Minayo, Edinilsa Ramos de Souza, Ana Elisa Bastos Figueiredo e Kathie Njaine, com apoio de diferentes Ministérios e da Secretaria. Entenda mais aqui.

Acesso Aberto: curso de EAD em Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa

 

No ano de 2006, o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde assumiram, por meio do Pacto Pela Vida, a prioridade da saúde da população idosa. A implantação de Programa de Educação Continuada na área do Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa para todos os profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) está entre as ações elencadas e pactuadas pelas três esferas de gestão.

 

A partir de então, o Ministério da Saúde, por intermédio da Secretaria de Atenção à Saúde (Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas em Saúde/Área Técnica Saúde do Idoso) e da Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (Departamento de Gestão da Educação na Saúde) estabeleceu um convênio com a ENSP com o objetivo de desenvolver estratégia de capacitação de profissionais na área. É nesse contexto de ampliação e de reconhecimento que a formação de recursos humanos para a área da saúde requer a existência de processos educativos, pautados na realidade social, étnica e cultural e na busca permanente de melhoria da qualidade do cuidado, no âmbito do SUS, que surge o desafio de implantar o Curso de Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa e na modalidade a distância, em nível de aperfeiçoamento.

 

Todo o material didático do Curso de Aperfeiçoamento em Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa está disponível desde março de 2012 para acesso livre, conforme Política de Acesso Aberto ao Conhecimento adotada em 2011 pela Escola. A ideia é que, aos poucos, os materiais de todos os cursos da EAD/ENSP sejam disponibilizados para acesso livre. O curso – uma ferramenta para a implementação da Política Nacional de Saúde do Idoso, de forma a difundi-la por todo o território nacional – foi desenvolvido em 15 módulos, divididos em 4 unidades intituladas Envelhecimento, velhice, sociedade e políticas; Demografia e epidemiologia do envelhecimento; Atenção à saúde da pessoa idosa; e Participação social e envelhecimento.

 

Para acessar o material do curso, clique aqui.

 

Tese sobre uso de medicamentos e idosos é premiada

 

A tese de doutorado Estudo epidemiológico de base populacional da subutilização de medicamentos por motivos financeiros entre idosos brasileiros, defendida em 2010 no Programa de Saúde Pública da ENSP, foi contemplada com o primeiro lugar do Prêmio Nacional de Incentivo à Promoção do Uso Racional de Medicamentos 2011. Elaborada pela farmacêutica Tatiana Luz, sob orientação da pesquisadora da ENSP Cristina Guilam, a pesquisa teve por finalidade conhecer a prevalência e buscar o entendimento dos fatores individuais e contextuais associados à subutilização por motivos financeiros entre idosos residentes em duas comunidades localizadas no Estado de Minas Gerais - Brasil. Saiba mais aqui.

 

Pesquisadores da ENSP escrevem sobre envelhecimento populacional

 

O diretor do Escritório Regional da Fiocruz na África e pesquisador da ENSP, José Luiz Telles, em parceria com a coordenadora do curso Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa (EAD/ENSP), Ana Paula Borges, discorreram sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o fenômeno do processo de envelhecimento populacional em artigo para o Blog do Cebes. Os autores apontam que, no Brasil, a proporção de pessoas idosas ultrapassa 10% da população. Isso representa, em números absolutos, mais de 20 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, de acordo com dados de 2012 do Ministério da Saúde. Veja aqui.

 

Estudo avalia mortalidade de idosos devido à queda

 

No Brasil, como em muitos países, a população está envelhecendo rapidamente. Essa situação leva ao aumento na incidência de mortalidade de idosos devido a fraturas decorrentes de quedas. Segundo dados apontados pelo estudo Mortalidade em um ano de idosos após hospitalização por fratura decorrente de queda: comparação com idosos pareados da população, a mortalidade acumulada em um ano foi de 25,2% e 4% para idosos com e sem fratura grave, respectivamente. A pesquisa, publicada no volume 28, número 4 da revista Cadernos de Saúde Pública, destaca que as fraturas decorrentes de queda entre idosos são um grave problema de Saúde Pública e têm sido associadas ao maior risco de morte. O estudo é assinado pelo pesquisador da ENSP Evandro Silva Freire Coutinho em parceira com as pesquisadoras do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro Katia Vergetti Bloch e Claudia Medina Coeli. Confira a íntegra do estudo aqui (em inglês).

 

Dia Mundial da Saúde destaca envelhecimento saudável

 

Uma boa saúde para um envelhecimento mais saudável foi o slogan do tema Envelhecimento e saúde, proposto para o Dia Mundial da Saúde de 2012. Com esse alerta, a Organização Mundial da Saúde refletiu sobre como bons hábitos ao longo da vida podem permitir que as pessoas idosas continuem a viver uma vida plenamente produtiva. O 7 de abril é comemorado anualmente para assinalar o aniversário da fundação da OMS, além de oportunidade para desencadear ações coletivas de proteção da saúde e do bem-estar das populações.

 

O envelhecimento da população é uma das transformações mais importantes da sociedade, segundo a organização. Portanto, seu alerta se baseia em dados que afirmam que, entre os anos 2000 e 2050, a proporção de pessoas com mais de 60 anos na população mundial irá duplicar, passando de 11% para 22%. Além disso, nos próximos cinco anos, e pela primeira vez na história da humanidade, o número de adultos com 65 anos ou mais será maior que o número de crianças menores de 5 anos.

 

O informe completo da OMS sobre o Dia Mundial da Saúde 2012 pode ser lido aqui.

 

Censo 2010 do IBGE

 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é um país que caminha de forma rápida para o envelhecimento populacional. Em 2010, a população com 65 anos ou mais representava 7,4% do total de brasileiros, que ultrapassa os 190 milhões de habitantes. Em 1991, essa taxa era 4,8%; passando a 5,9% em 2000. Outra pesquisa publicada pelo Instituto em setembro de 2010 – Síntese de Indicadores Sociais (SIS), que analisou as condições de vida no país com base em diversos estudos – mostrou que a expectativa de vida no país aumentou cerca de três anos entre 1999 e 2009. Assim, segundo o Instituto, o brasileiro vive, em média, 73,1 anos. No período avaliado, a expectativa de vida feminina passou de 73,9 anos para 77 anos. Entre os homens, a elevação foi de 66,3 anos para 69,4 anos.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que, lá pelo ano 2025, pela primeira vez na história, teremos mais idosos que crianças no planeta. O principal motivo dessa elevação da expectativa média de vida é o avanço da medicina e a melhora na qualidade de vida. De qualquer forma, as desigualdades econômicas e sociais entre os países industrializados e em desenvolvimento, bem como o desnível social de cada nação, influem diretamente nas condições de saúde da população.

 

A principal causa de mortalidade em países pobres ou em desenvolvimento são as doenças infecciosas. Já nos países ricos, predominam os males degenerativos, como doenças circulatórias e câncer.

 

(Fonte:IBGE)

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