Energia nuclear e saúde: projeto para curso

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Especialistas do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP) se reuniram, no dia 11 de junho, com representantes do Instituto de Engenharia Nuclear e da Comissão Nacional de Energia Nuclear sobre Aplicações Nucleares e Saúde com o objetivo de coletar contribuições para o projeto de um curso de formação de profissionais de saúde frente à quantidade crescente de aplicações de técnicas nucleares na sociedade. Segundo o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde, Valcler Rangel, a Fiocruz tem necessidade de fortalecer parcerias a fim de atender a um conjunto de iniciativas para solução de problemas complexos. “O diagnóstico colocado para a saúde pública só pode passar pela lógica de parcerias institucionais.”

 

Para Valcler, as tecnologias nucleares e sua utilização na Medicina são desconhecidas pelo senso comum, que alia essa tecnologia ao uso bélico ou a acidente nuclear. Essa questão está no centro das discussões do Programa Nuclear Brasileiro, que se encontra em expansão, mas devemos usar com cuidado e transparência essas informações. “É necessário reunir expertises, elaborar programas de pós-graduação e de desenvolvimento tecnológico. Não é para o futuro, nem é uma dimensão intangível, faz parte do cotidiano nos mais variados aspectos. E essas parcerias ajudam a desvelar e andar com mais segurança na área de saúde do trabalhador, conduzida pelo Cesteh há 25 anos", destacou o vice-presidente.

 

A vice-diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da ENSP, Margareth Portela, reafirmou o compromisso da Escola com a iniciativa e lembrou o edital da Faperj do Programa Apoio à Formação e Consolidação de Grupos de Pesquisa Multi-Institucionais e Interdisciplinares, que acaba de sair, e pode ser uma oportunidade para o grupo.

 

O ex-diretor do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) Júlio Suita abriu o evento ressaltando que esse tipo de iniciativa é crucial para quem atua na área. “Ano passado, conseguimos apoio fundamental do Cesteh/ENSP na busca por parcerias. Esse encontro é o primeiro passo, pois já estamos prevendo um próximo para agosto”. Já o subsecretário de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, Arnaldo Lassance, também pesquisador da ENSP, disse que a relação da saúde com a energia nuclear precisa formar multiplicadores de ambos os campos para não perder os ensinamentos adquiridos com o acidente com o Césio 137, que aconteceu em Goiânia em 1987, e assim formar massa crítica para atender a acidentes que possam vir a ocorrer. Também presente, o diretor do IEN, Paulo Berquó, considerou que os grandes problemas reais não são de nenhum campo disciplinar específico, mas de um campo multidisciplinar. Segundo a vice-coordenadora do Cesteh, Rita Mattos, a colaboração com o IEN já existia informalmente, e experiências exitosas como mestrado profissional, curso de avaliação de risco vêm acontecendo com outras instituições. “Estamos de portas e mentes abertas para novas propostas”, disse.

 

A reunião contou ainda com apresentações de experiências sobre atenção em saúde a radioacidentados; normatização, instrumentação, fiscalização, atendimento emergencial a radioacidentados, prevenção, preparação e resposta a emergências radiológicas e nucleares.

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