Centro de Saúde debate tuberculose em Manguinhos

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A taxa de tuberculose no Rio de Janeiro vem decaindo ao longo dos anos, mas ainda é bastante preocupante, pois atinge cerca de 40 pessoas a cada 100 mil habitantes. Na comunidade de Manguinhos a realidade é diferente, pois os números crescem, principalmente entre idosos e jovens com histórico de uso de drogas, particularmente crack. Para reverter esses números, o Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria da ENSP (CSEGSF/ENSP) deu início a uma série de encontros que visam promover o debate e esclarecer moradores, profissionais e alunos das comunidades do entorno, buscando caminhos para o enfrentamento da tuberculose. O próximo encontro acontecerá nesta quarta-feira (28/3), na comunidade Mandela 2, no Espaço do Forró.

 

Na quinta-feira (29/3), será realizado um debate, na sala de espera do Centro de Saúde Escola, promovido pelo grupo de trabalho de Educação em Saúde e voltado para os pacientes. As atividades que acontecem nas comunidades que formam o Complexo de Manguinhos são abertas ao público e contam com profissionais do Centro de Saúde Escola da ENSP, do Centro Municipal de Saúde Manguinhos (CMS Manguinhos), da Clínica da Família Victor Valla e do grupo de Terapia Comunitária – técnica de trabalho com grupos para prevenção e promoção da saúde – do Departamento de Endemias Samuel Pessoa (Densp/ENSP). As atividades estão sob a responsabilidade do Conselho Gestor do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria e se estenderão até o dia 17 de abril.

 

De acordo com a médica do Centro de Saúde Celina Boga, a tuberculose é um problema antigo e reconhecidamente importante e grave, em especial para o estado do Rio de Janeiro, que detém as mais altas taxas de incidência da doença entre os estados do Brasil. “A situação em Manguinhos não é diferente, pois persistem as condições de vida que determinam o problema, como habitações insalubres, que abrigam famílias numerosas, baixa renda, baixa escolaridade, desestruturação familiar, alcoolismo, segregação domiciliar e comunitária”, explicou ela.

 

Neste dia 27 de março, o encontro acontece na comunidade Mandela 1, no Espaço do Forró. Dia 28/3, a reunião está marcada para a comunidade Samora Machel, na quadra de futebol. Já no dia 29/3, a atividade acontece em Mandela 3, na Igreja São Miguel. A agenda de encontros estabelecida pelo Conselho Gestor vai até o dia 17 de abril.

 

 

A tuberculose tem cura

 

Sensibilizar e habilitar profissionais de saúde é fundamental, pois melhorando a qualidade da assistência prestada é possível garantir a adesão e a cura da doença. A tuberculose tem cura, e o Tratamento Diretamente Observado e Supervisionado (Dots) é uma estratégia recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como proposta de intervenção para aumentar a probabilidade de cura em função da garantia do tratamento assistido, contribuindo para a interrupção da cadeia de transmissão da doença.

 

O Dia Mundial do Combate à Tuberculose, comemorado em 24 de março, foi lançado em 1982 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela União Internacional Contra TB e Doenças Pulmonares (International Union Agaist TB and Lung Disease [IUATLD]).

A data foi uma homenagem aos 100 anos do anúncio da descoberta do bacilo causador da tuberculose, ocorrida em 24 de março de 1882 por Dr. Robert Koch. Esse foi um grande passo na luta pelo controle e eliminação da doença que, na época, vitimou grande parcela da população mundial; hoje persiste com um terço da população mundial infectada: 8 milhões de doentes e 3 milhões de mortes anuais.

O Dia Mundial de Combate à Tuberculose não é uma data para comemoração. É, sim, uma ocasião de mobilização mundial, nacional, estadual e local, que busca envolver todas as esferas de governo e setores da sociedade na luta contra essa enfermidade. No Brasil, a Portaria GM/MS nº 2181, de 21 de novembro de 2001, transformou essa data no início da Semana Nacional de Mobilização e Combate à Tuberculose, que vai até o dia 28 de Março. O dia 17 de novembro também é referenciado para TB como data de mobilização nacional, estadual e local.

2 comentários para "Centro de Saúde debate tuberculose em Manguinhos"

 

  1. CELINA SANTOS BOGA MARQUES PORTO

    Temos que considerar também os diversos problemas no sistema de saúde que dificultam enormemente o trabalho dos profissionais e a vida dos pacientes. Há um nó muito apertado nas internações, muitas vezes necessária. A Central de Regulação não regula. Os 02 hospitais de referência (estaduais) não estão equipados e não absorvem qualquer caso cuja gravidade vá além dos cuidados de enfermaria. Os Hospitais Universitários só se interessam pelos casos que possuam o perfil das pesquisas em andamento. Se necessitarmos de retaguarda diagnóstica - drenagem e biópsia pleural ou ganglionar - vamos penar na espera de uma resposta positiva do sistema para realizar esse ou aquele procedimento. Impensável?

  2. ZELIA PIMENTEL ANDRADE

    Parabenizo as iniciativas do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF) pelas atividades programadas no sentido de prevenção e adesão ao tratamento da tuberculose. Ontem, as atividades tiveram início na comunidade Mandela I e a presença dos agentes comunitátios de saúde (ACS) e enfermagem das equipes da saúde ESF consolidam a parceria e importância de conselheiros do Conselho Gestor do CSEGSF, legítimos representandes dos moradores de Manguinhos, terem demandado "uma força tarefa" para trabalhar esta questão tão antiga e atual.

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