ENSP implementa curso a distância em Moçambique

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Tatiane Vargas

A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca realizou mais uma parceira de âmbito internacional. Desta vez, auxiliará o Ministério da Saúde de Moçambique a implantar um curso a distância em Vigilância Alimentar e Nutricional. Após um grande levantamento sobre as necessidades específicas da população na área de nutrição, foi elaborado um projeto político pedagógico - que envolve a ENSP, o Ministério da Saúde de Moçambique e o Instituto Médico Politécnico de Saúde - com a perspectiva de implementar um curso na modalidade a distância para cerca de 100 profissionais de nível médio e superior, com foco no diagnóstico nutricional e coletivo, visando ao fortalecimento do Sistema de Vigilância Alimentar do país.

A coordenadora do curso de Vigilância Alimentar e Nutricional da ENSP e do Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição da Região Sudeste (Cecan/ENSP/Fiocruz), Denise Cavalcante de Barros, explicou que a escolha do curso na área de nutrição foi pensada devido à grande necessidade do país - quase 40% das crianças sofrem com a desnutrição - em capacitar profissionais que atuem nesta área. Segundo Denise, o foco maior é fortalecer a estrutura de Educação a Distância e, ao mesmo tempo, formar os profissionais na área de nutrição, uma prioridade no âmbito da situação de saúde do país. O curso é voltado para cerca de 100 profissionais, terá duração de quatro a seis meses e será dividido em unidades temáticas que foram escolhidas com foco no diagnóstico nutricional e coletivo. Abordará as políticas públicas, o perfil epidemiológico da população e o diagnóstico individual e coletivo. O nosso objetivo maior é contribuir para o fortalecimento do Sistema de Vigilância Alimentar do país, explicou Denise.

curso_ead_nutricao_mocambique_missao_ensRepresentantes do governo de Moçambique estiveram na ENSP em novembro para conhecer a estrutura da Educação a Distância com a qual a Escola trabalha. Foram apresentados a algumas das ofertas que a ENSP possui na área e ficaram interessados no curso de Vigilância Alimentar e Nutricional. De acordo com a coordenadora do Cecan, a chefe do Departamento de Nutrição do Ministério da Saúde de Moçambique, Edna Pessolo, que se formou em Nutrição no Brasil e conhecia um pouco da organização do Sisvan, e a técnica em nutrição Paula Vilaça se interessaram pela estratégia de formação, que foi levada para elas a partir de uma missão anterior do Ministro da Saúde de Moçambique ao Brasil. Nesta missão, os moçambicanos passaram a conhecer a área, e assim surgiu o interesse para a elaboração de um curso de EAD em nutrição focado nas necessidades específicas do país, para o qual a ENSP ficaria responsável por todo o suporte para a construção do curso.

Segundo Denise, durante a missão, quando as técnicas vieram ao Brasil para participar da construção do Projeto Político Pedagógico do Curso, foi apresentada toda a estrutura da EAD/Fiocruz, e elas apresentaram o cenário das necessidades de Moçambique para essa formação. A partir de então, começamos a definir o objetivo do curso, quem seria a clientela dele, quantos alunos participariam e outros pontos. Praticamente, o curso foi todo redefinido para as necessidades apresentadas por eles. O quadro nutricional deles é muito diferente, o índice de desnutrição é enorme e extremamente relacionado à pobreza. Existe também a questão da falta do alimento, problemas com a água e outras variáveis. Tivemos de pensar em um curso voltado para as necessidades muito específicas. Eles têm um quadro bastante interessante, o país inteiro é formado por 11 províncias - neste momento seria dada prioridade a três delas (a capital, Maputo, e mais duas províncias no norte, nas quais a situação é bem crítica) -, e possuem cerca de 15 profissionais de nível superior e 90 profissionais de nível médio atuando na área de alimentação. Nossa ideia é capacitar esses profissionais que atuam diretamente com a alimentação, afirmou.

curso_ead_nutricao_mocambique_boneco_denAinda de acordo com Denise, em Moçambique já existe uma experiência com a Educação a Distância em um curso de violência elaborado pelo Claves/ENSP, mas, no Instituto Médico Politécnico de Saúde de Moçambique seria a primeira vez. O instituto é voltado para a formação em Saúde Pública e pretende ter autonomia para trabalhar como a ENSP, por exemplo. Segundo Denise, toda a proposta do curso já foi elaborada e terá início em breve. Foi uma experiência muito positiva para nós trabalhar com esse país. Vemos o quanto temos de conhecimento nesta área, e poder compartilhar isso com Moçambique é muito gratificante. Ver o compromisso e a empolgação por parte do grupo das técnicas de Moçambique também foi algo fantástico, conclui Denise.

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