Rede Manguinhos: união entre público, privado e local

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Sandra Martins*

rede_sustetavel_acs_capa.jpgViabilizar soluções sustentáveis para o Complexo de Manguinhos, um dos bairros com menor Índice de Desenvolvimento Humano do município do Rio de Janeiro, é o foco do esforço coletivo envolvendo diferentes segmentos da sociedade - público, privado e local -, que resultou na Rede Manguinhos Sustentável, lançada em novembro no Centro Cultural Unisuam (CCULT). A iniciativa envolve atores sociais que têm um histórico de ações em prol do desenvolvimento local. Integram a corrente de parcerias: Unisuam, Lamsa, CVT-Correios (Faetec), Banco do Brasil, Instituto Ary Carvalho, PAC-Município, Supervia, Fiocruz, Correios, Casa Civil, governo do Estado, Usina da Cidadania, Finep e integrantes do Conselho Comunitário de Manguinhos.

O slogan Seu futuro é você quem faz! sinaliza que o comprometimento é dever de todos. E, nesta perspectiva, o reitor do Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam), Augusto Motta, ressaltou a importância dessa ação coletiva no presente ao dizer que "nós começamos grande, por envolver empresas de muita credibilidade. O futuro é muito próximo para nossa rede". Para ele, o país como um todo perdeu muito tempo fazendo coisas individualizadas, "não dá mais tempo para isso. As empresas, as comunidades, as pessoas com boas ideias têm de se unir, e quanto maior a rede e a articulação, melhor para todos. O mais importante é a união".

A representante da Linha Amarela S/A-LAMSA, Verônica Lameira, após apresentar ações desenvolvidas no Complexo do Alemão e em Manguinhos, fez referências à expertise da empresa ao longo de mais de uma década, com projetos socioambientais que, por meio de articulação de redes de parcerias e de tecnologias sociais, visam contribuir para o desenvolvimento local. Ela afirmou que para 2012 a empresa investirá em programas de iniciativas locais, a fim de fortalecer os projetos nas comunidades, desde o apoio financeiro até o apoio de monitoramento.

Representando a Cooperação Social da ENSP/Fiocruz, Mayalu Matos se inspirou no vídeo com cenas da mobilização O caminho da paz com garantia de direitos, que fechou a Avenida Leopoldo Bulhões em 2007. Esta mobilização, que recebeu apoio da Fiocruz, surgiu dentro das comunidades e mostra que elas podem se unir em prol de uma agenda comum construída por elas e atendendo às suas demandas. "A comunidade, apoiada por instituições locais, tinha o objetivo de transformar a visão da Leopoldo Bulhões, conhecida como Faixa de Gaza, para O caminho da paz".

A luta certamente continua e começa a sinalizar bons frutos, que é a Rede Manguinhos Sustentável, muito importante para a Fiocruz e a ENSP, em especial para a Cooperação Social, que tem como uma de suas tarefas estimular a participação social no território de Manguinhos. E um dos pontos deste trabalho tem sido o apoio à criação dos conselhos, como ocorreu com o Conselho Gestor Intersetorial do Teias, cuja posse dos conselheiros será no dia 8 de dezembro. Este conselho tem como característica a intersetorialidade: saúde, assistência social e educação. Outro conselho que busca mobilizar as comunidades de Manguinhos é seu Conselho Comunitário, que tem recebido apoio da rede para transformar em realidade os anseios desta população. Para nós, é muito importante esta articulação de todas as instituições em torno do desenvolvimento do território de um bairro que tem um dos IDH mais baixos do município do Rio de Janeiro.

Aline Batista de Paula, coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Municipal de Manguinhos, parabenizou a articulação pela criação da rede, por ser uma forma criativa de potencializar o trabalho junto e com a comunidade, disse conclamando que outras instituições venham a compor a rede.

Como representante da comunidade, Graciara da Silva, ou Gagi, como é conhecida a ex-jogadora profissional de futebol e coordenadora do Grupo de Trabalho de Saúde, Esportes e Lazer do Conselho Comunitário de Manguinhos, afirmou existir muitos profissionais no bairro que precisam de estímulo e oportunidade. Assim como um dia fechamos a Leopoldo Bulhões pedindo paz, cidadania, vamos fechá-la de novo. Mas, será um novo momento na nossa história: uma olimpíada, a Olimpíada de Manguinhos."

A Olimpíada de Manguinhos é um projeto em debate no Conselho Comunitário de Manguinhos. Gagi falou de momentos de desânimo ante as dificuldades em mobilizar as pessoas da própria comunidade. Mas, após receber muito apoio, viu que não poderia desistir. E, ao contar algumas passagens de sua vida trabalhando com projetos sociais de esportes, revelou, com orgulho, que seu filho trilhava seus passos com a bola e, um dia, realizaria o sonho de poder contribuir com sua comunidade desenvolvendo projetos como professora de educação física. Eu vou conseguir chegar lá e, quando o fizer, vou ajudar mais ainda a minha comunidade. Sei que posso, pois já ajudo dentro das minhas possibilidades.

Para surpresa de todos, o reitor Arapuan Netto pediu a palavra e, após tecer alguns comentários ao empenho desta moradora de Manguinhos, concedeu-lhe uma bolsa integral para sua formação em ensino superior. Gagi, você está pronta para ajudar a mudar a realidade da sua comunidade por conta própria, o que podemos fazer é ajudar apoiando e acompanhando na sua formação superior, disse ao oferecer-lhe uma bolsa integral de ensino superior. Para Arapuan Netto, esse gesto simboliza o esforço que a Rede Sustentável de Manguinhos pode fornecer para o crescimento dos moradores do bairro.

Para Alex Vargas, a rede é uma iniciativa que tem como fundamento o movimento que já acontecia no interior do Complexo de Manguinhos a partir de suas lideranças, de seus moradores, em torno do debate do desenvolvimento sustentável local, e precisava de atores externos para contribuir, uma vez que já têm prática neste sentido, ou por já terem ações de responsabilidade social. A rede foi o resgate do que já aconteceu em Manguinhos com o Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável (DLIS) na década de 1990, em que a Fundação Oswaldo Cruz teve uma grande participação. Apesar das dificuldades que acontecem em Manguinhos hoje, existe muita gente aqui disposta a trabalhar, a arregaçar as mangas para reverter o quadro de desigualdades, de exclusão social. E a rede vem para concretizar esses objetivos, concluiu.

*repórter da Cooperação Social da ENSP/Fiocruz

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