Pesquisa aponta taxas de violência e acidentes no país

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Isabela Schincariol

Estudo da pesquisadora do Centro Latino-Americano de Estudos em Violência e Saúde Jorge Carelli (Claves/ENSP) Edinilsa Ramos de Souza traça um panorama sobre a situação das violências ocorridas no Brasil. Entre os resultados, Edinilsa destaca que "de 2000 a 2008 os estados que apresentaram as mais altas taxas de homicídios por região do país foram Roraima, Pernambuco, Espírito Santo, Paraná e Mato Grasso". A pesquisadora afirma ainda que são necessárias análises mais profundas utilizando ferramentas estatísticas e com a inclusão de outras variáveis, como, por exemplo, sexo, raça/cor, entre outros. O trabalho ressalta também a necessidade do desenvolvimento de novos estudos qualitativos que sejam capazes de avaliar a qualidade das informações divulgadas sobre os índices de violência no país.

abrasco_mesa_edinilsa_claves_dentro.jpgA exposição da pesquisa Tendência dos homicídios no Brasil: declínio ou artifício? foi realizada durante o VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, em novembro, em São Paulo. Edinilsa informou que, na região Norte, os maiores índices de violência, conforme pesquisas anteriores, ocorriam em Roraima. Porém, nos últimos dois anos do trabalho (2007 e 2008) o Pará assumiu a primeira posição. No Nordeste, Pernambuco foi o primeiro estado, perdendo o status para Alagoas em 2006, 2007 e 2008. No Sudeste, o principal índice ficou com o Rio de Janeiro até 2003 e depois passou para o Espírito Santo. Tanto no Sul quanto no Centro-Oeste, Paraná e Mato Grosso mantiveram os piores índices durante todos os anos estudados.

Também foi analisada a proporção de homicídios e de lesões das quais se ignoram as causas externas. Queríamos compreender o que acontece nesses casos. Será que realmente as taxas de homicídio diminuem porque estão crescendo o número de lesões das quais se ignora a intencionalidade? Essa foi minha grande questão ao iniciar a análise, mas isso não fica tão claro, exceto nos primeiros anos da década de 1990, em que se vê a queda da proporção de homicídios graças ao crescimento desse outro grupo. Infelizmente, não conseguimos identificar se é acidental ou intencional. Portanto, não se pode afirmar o que acontece, disse.

Quando analisada a proporção de óbitos por homicídios e lesões, cuja intencionalidade se ignora, a pesquisa mostra que a maior incidência está na faixa etária entre 20 e 29 anos. Ao longo dos anos analisados, há uma queda da proporção dos óbitos entre os 30 e os 39 anos, e um contrário crescimento na proporção dos óbitos nos grupos de mais idade, sobretudo nos de 60 anos ou mais, ressaltou. Segundo Edinilsa, no grupo com mais de 60 anos é onde as informações sobre as causas dos óbitos são mais falhas e necessitam de melhor qualificação dos dados.

Sobre as informações nas capitais e demais cidades brasileiras, a pesquisadora destacou que o Pará assumiu as principais posições na região Norte. E com o passar dos anos, a proporção de homicídio passou de 46% para 66%, mas diminuiu a proporção de lesões ignoradas na capital. As mesmas taxas se repetiram nas cidades do interior. Já em relação ao Maranhão, a proporção de homicídios passou de 27% para 49%, enquanto no grupo de lesões por causa ignorada, houve uma queda de 16% para 3%. No interior do Maranhão, as taxas alteraram, respectivamente, de 19% para 33% e de 17% para 3% das lesões por causa ignorada. Em Alagoas, temos menos de 1% de lesões, cuja causa se ignora tanto na capital quanto no resto do estado, mas temos o crescimento das proporções de homicídio, indicando que lá o problema parece realmente ter crescido, disse Edinilsa.

Outro fator relevante e que temos de levar em consideração é a qualidade das informações, alertou ela, dizendo ainda que, no Rio de Janeiro, atualmente, existe um grande debate por conta de dados que mostraram uma queda dos homicídios. A questão é que não há uma garantia das informações que afirmam que as taxas caíram de 52% para 31%. A pesquisadora acredita sim numa piora da qualidade da informação. Portanto, faço a pergunta inicial da apresentação: existe declínio ou artifício? Olhando as taxas não corrigidas, que são aquelas trabalhadas nas capitais, vemos uma queda de 15,7% dos homicídios no país, mostrando um decréscimo entre 2003 e 2008. Mas, se considerarmos um período maior, de 1996 a 2008, temos queda de 14,5%. Já dentro das taxas corrigidas, hpá uma queda, entre 2001 e 2007, de 18,6%. Então qual a informação correta?

"A conclusão é que as situações são muito heterogêneas, e esse jogo de queda e aumento é determinado ora pelo crescimento na capital ora pelo crescimento do interior, ora pela queda na capital, ora pela queda no interior. Além disso, essas tendências são muito determinadas pela qualidade da informação. Na pesquisa, eu aponto que se faz necessário o aprofundamento dessas análises usando-se as ferramentas da estatística e incluindo outras variáveis com as quais poderemos trabalhar melhor e desmembrar a análise dos dados. Devemos considerar também o desenvolvimento de estudos qualitativos, para assim buscar os porquês dessa má classificação. É importante desvendarmos isso, em especial nas instituições envolvidas nesses registros, como o Instituto Médico Legal (IML), por exemplo, finalizou Ednilsa.

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