Epi2011 discute importância da carga global de doenças

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Isabela Schincariol

J_Valente_capa_esq_abrasco_2011.jpgNa palestra Estudos de carga global de doenças no Brasil: desafios e perspectivas, apresentada durante o VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, em São Paulo, o pesquisador Joaquim Valente (Demqs/ENSP/Fiocruz) explicou que a carga global de doença (CGD) é um método proposto para quantificar a carga de mortes prematuras e de eventos não fatais. Segundo ele, "esse indicador-síntese de morbidade e mortalidade permite ordenar as doenças, verificar a prevalência delas, a frequência com que podem ocorrer, entre outras coisas". Valente falou ainda sobre a necessidade de uma melhor organização dos dados existentes no País e uma maior articulação dos sistemas usados para que possam conversar entre si.

De acordo com o pesquisador, na apresentação realizada no dia 14 de novembro, a carga global de doença permite combinar os índices de morbidade e mortalidade. Para isso, é preciso trabalhar com a questão do tempo, ou seja, o tempo de vida perdido por morte prematura somado ao tempo que um indivíduo perde devido a uma incapacidade. Para avaliar essa incapacidade, atribui-se peso a ela, como o sofrimento das pessoas. "A cegueira, por exemplo, tem um peso, a surdez tem outro peso. Cada problema é avaliado de uma forma. A questão é: como se pode atribuir tempo perdido por incapacidade? É aí que entra o peso. É pelo peso que você dá a determinada incapacidade que você pode fazer o cálculo", ressaltou.

Um software é usado para auxiliar nessa mensuração. O programa avalia a consistência entre incidência e prevalência da incapacidade. Valente explicou que se um indivíduo é portador de uma doença que ocorreu inúmeras vezes na infância, cuja incidência durou mais de dez anos, e, além de tudo, essa doença não tem cura, o que pode acontecer com ele? O software é usado justamente para calcular e avaliar se esses resultados são consistentes, fazendo com que possamos calcular a carga de incapacidade medida pela multiplicação da incidência da incapacidade, pela duração da doença e pelo peso da condição de saúde, comentou Joaquim. O software utilizado não é uma tecnologia nova, já existe há mais de dez anos e é disponibilizado gratuitamente pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Embora os métodos preconizados para os estudos de CGD possam trazer novos olhares epidemiológicos sobre a saúde das populações, são inúmeros os problemas que lhes são relacionados. Precisamos de dados mais bem organizados e precisos para termos uma visão da ocorrência das doenças em determinado lugar, destacou o pesquisador.

(Fotos: Isabela Schincariol - CCI/ENSP)

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