Palestra aborda noção exagerada de risco e o excesso de informação

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Renata Moehlecke*

Chuva forte causando estragos na Região Serrana do Rio de Janeiro, asteroides vindo em direção à Terra, bueiros que explodem nas ruas, tsunamis, problemas com energia nuclear, vírus ou bactérias na comida que desencadeiam epidemias: diariamente, é possível conferir, em diversos meios de comunicação, notícias que abordam inúmeros desastres. Mas o que fazer com essas informações? Esta indagação foi o convite à reflexão que o epidemiologista e pesquisador da ENSP Luis David Castiel fez aos participantes de sessão científica realizada na Escola. Intitulada Riscos catastróficos, epidemiologia dos desastres e hiperprevenção: uma pedagogia de risco?, a palestra chamou a atenção para a noção exacerbada de risco promovida no cotidiano pela mídia e para as consequências disso.

castiel_centro_riscofobia_2011.jpgO excesso de exposição a desastres naturais e causados pelo ser humano, esse abuso de notícias alarmistas, cria um ambiente paranoide em que temos de lidar com diferentes ameaças, fazendo com que nos sintamos vítimas em potencial a todo instante, destacou Castiel. Gera-se um ambiente catastrófico, sejam as noções de desastres de origem concreta ou imaginária, um ambiente de constante medo, receio e ansiedade incontrolável, um ambiente de risco.

O epidemiologista explicou que, apesar de a ideia de desastres remeter muitas vezes à necessidade de investimentos apropriados para evitá-los, o excesso de informações na temática torna a situação não administrável no que se refere à sensação de risco criada. Há, no contexto, uma necessidade de hiperprevenção: prevenção somada à precaução mais proteção, disse o pesquisador. É natural pensar que há como se lidar com a mídia de forma a transformá-la também em instrumento dessa intervenção preventiva em potencial para minimizar danos, mas isso é uma tarefa praticamente impossível com a quantidade de riscos que encontramos no cardápio oferecido cotidianamente.

Castiel ainda aponta que o alarmismo pode intensificar problemas não só de forma coletiva, mas também de dimensão psicológica, ou seja, no âmbito individual. A subjetividade fica impregnada de sensações de riscos e incertezas, e as pessoas podem passar a se definir por essa exposição aos riscos, comentou o epidemiologista.

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