Grupo de Direitos e Saúde da ENSP realiza primeira oficina de pesquisa

Publicada em
 
 
 

Vinicius Damazio

A 1ª Oficina de Pesquisa do Grupo Direitos Humanos e Saúde (Dihs) foi realizada nos dias 22 e 23 de fevereiro, no Hotel Novo Mundo, e conto com a presença de diversos pesquisadores, dentre eles mestres e doutores na área do Direito e Saúde, além de colaboradores de outras unidades da Fiocruz e profissionais e estudantes do grupo. A oficina teve início no dia 22/02 e foi inaugurada pelo diretor da ENSP, Antônio Ivo de Carvalho.

A decisão do Dihs de realizar esta Oficina de Pesquisa demonstra criatividade e representa uma iniciativa muito importante dentro da instituição. Antigamente, era suficiente dizer que havia ensino e pesquisa, separados. Hoje, não, pois ambos estão articulados e precisam ser discutidos em parceria para serem concretizados em prol da sociedade. E um tema recorrente como o Direito à Saúde, presente na questão do SUS, é fundamental que possua este debate para a consolidação dos grupos de pesquisa, destacou o diretor da Escola.

Maria Helena Mendonça e Cristina Guillan, vice-diretora de Pós-Graduação da ENSP e coordenadora da Pós-Graduação em Saúde Pública da ENSP, respectivamente, também marcaram presença e elogiaram a ideia do grupo de concretizar a oficina de pesquisa.

Maria Helena Barros de Oliveira, coordenadora do Dihs, comandou a palestra que contou a história do Grupo, desde a sua fundação, em 2003, até a fusão com o Núcleo de Estudos Helena Besserman, em 2006. Destacou os eventos realizados, como os primeiros seminários nacionais e, posteriormente, os internacionais, quando se discutiram temas como Direito Sanitário, a Questão de Gênero e Cidadania, Direitos das Mulheres, a Violência Contra a Criança e o Adolescente, dentre outros exemplos. Maria Helena também focou nos cursos de atualização e especialização que o grupo realiza constantemente, e nos centros de estudos.

Um grupo como o nosso precisa sempre agir de forma que haja intervenção na sociedade, senão o conhecimento e a pesquisa não fazem sentido, frisou.

Maria Helena também agradeceu as parcerias com a Universidade de Georgia, a Universidade de Coimbra e o Unicef, e as avaliou como fundamentais para a realização, em especial, dos seminários internacionais.

A palestrante seguinte foi Maria de Fátima Moreira Martins, chefe da Biblioteca de Saúde Pública do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz). Em sua apresentação sobre Pesquisa Bibliográfica Aplicada à área Direito e Saúde, apresentou dados e informações sobre a comunicação científica, além de metodologias de estudo para pesquisa. Dissertou sobre a abrangência das disciplinas em conjunto e sobre a dificuldade de publicação e divulgação de artigos científicos devido à burocracia durante o processo. Maria de Fátima também apresentou à plateia o LEXML, um google das leis, segundo ela; a ferramenta é um facilitador jurídico, que funciona por meio de um buscador eletrônico, agilizando o processo de procurar sentenças da Justiça brasileira.

O primeiro dia do evento foi finalizado com a apresentação do projeto de Gabriel Schutz, doutor em Saúde Pública da ENSP, em conjunto com os estagiários Ruan Rocha e Rafael Oliveira, estudantes de Direito, e as pesquisadoras Sandra, Patrícia e Jaqueline. A pesquisa conta com três fases. A primeira delas trata da análise de sentenças de primeiro grau, prolatadas pelo poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, que ainda estão em andamento.

Nosso projeto procura identificar qual o tipo de população está acionando a Justiça para ter seus direitos garantidos e como o poder judiciário age na relação de Direito e Saúde, declarou Gabriel Schutz.

Durante a apresentação do projeto, os estagiários mostraram situações pelas quais passaram no decorrer da pesquisa de campo, expondo aspectos positivos e negativos: criticaram o cenário extremamente fechado do Poder Judiciário, presente em várias varas, mas elogiaram o fato de alguns funcionários terem se interessado pela pesquisa.

Na segunda fase da pesquisa, as pesquisadoras Sandra e Patrícia discorreram sobre o estudo dos portadores de HIV; apresentaram um quadro cronológico que mostrou o avanço dos direitos desses cidadãos no Brasil e provaram, baseadas em dados, que as ações judiciais precisam materializar medidas de intervenção do poder público para aprimorar a política contra a Aids. A terceira fase do projeto ainda não foi iniciada.

Nenhum comentário para "Grupo de Direitos e Saúde da ENSP realiza primeira oficina de pesquisa"

Ninguém ainda comentou esta matéria. Seja o primeiro!

comente esta matéria

Utilize o formulário abaixo para se logar.