Centro de Estudos da ENSP torna-se espaço estratégico para formação ampliada

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A ENSP deu início à nova etapa na trajetória de seu Centro de Estudos (Ceensp) na última semana de março, com a apresentação da primeira sessão do ano. A nova etapa será marcada pela busca e pelo fortalecimento de uma nova identidade, fazendo do Ceensp um instrumento estratégico para a formação continuada e ampliada dos alunos da Escola. A informação é do diretor da ENSP, Antônio Ivo de Carvalho, que falou ao ENSP Notícias sobre a importância do Ceensp na grade curricular do mestrado e do doutorado, seu perfil estratégico voltado para a formação crítica e humanista de seus alunos e sua renovação enquanto espaço de debates. Segundo Antônio Ivo, a inclusão dos alunos num projeto de cidadania institucional ganha grande importância na sua gestão. Leia, a seguir, a entrevista do diretor da ENSP.

ENSP Notícias: Qual é a nova orientação do Centro de Estudos da ENSP (Ceensp)?

aivo_mini2006.jpg Antônio Ivo de Carvalho: O Centro de Estudos da ENSP foi criado em 1978 pelo professor Luís Fernando, então diretor da Escola. O objetivo inicial era fazer das sessões uma extensão das disciplinas, um espaço para debate entre alunos e pesquisadores. À medida que as oportunidades de debate se multiplicaram dentro da ENSP, com a criação de sessões científicas e de centros de estudos pelos departamentos como o Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde (DEMQS), o Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (DAPS), o Departamento de Ciências Biológicas (DCB) e o Departamento de Endemias Samuel Pessoa (DENSP) o Ceensp teve sua identidade e sua importância diluídas. A idéia é retomar o Ceensp e atualizar seu papel. A partir de agora, o Ceensp não será simplesmente um espaço de debates, mas um instrumento estratégico para a formação continuada e ampliada, trazendo temas que não fazem parte exclusivamente da vida da Escola.Vamos explorar temas de fronteira, da política geral do país, de dentro e de fora da saúde pública, ou seja, temas que interessam ao processo de formação ampliada. Tudo isso voltado para docentes, pesquisadores, mas sobretudo para alunos.

ENSP Notícias: O Ceensp será uma nova disciplina obrigatória?

Antônio Ivo de Carvalho: Sim, o formato é esse. Tanto para mestrado quanto para doutorado. Cada oito sessões será equivalente a dois créditos. Estão previstas 16 sessões este ano. O aluno terá que participar obrigatoriamente de oito sessões, mas poderá assistir às outras oito se quiser. Caso isso ocorra, ganha mais dois créditos. Esta estratégia garante a flexibilidade do novo formato do centro de estudos, mas também expressa a importância estratégica do espaço. A nova identidade do centro de estudos da ENSP é focada no aluno, expressando uma mudança de política da Escola em relação ao seu corpo discente.

ENSP Notícias: O que a ENSP pretende nesta nova fase?

Antônio Ivo de Carvalho: Nesta nova fase, a Escola busca uma formação mais ampla de seus alunos, mais humanista. Além da excelência técnica e acadêmica, a Escola também está se preparando para um agir político, humanístico e mais crítico. São novas orientações voltadas para uma formação mais ampliada e completa. Hoje, trabalhamos com a idéia de incluir os alunos na cidadania institucional. E estas estratégias são um convite da ENSP para que os alunos vivam esta cidadania.

ENSP Notícias: Quais são as estratégias da ENSP que seguem este rumo em relação aos alunos?

Antônio Ivo de Carvalho: Ainda neste primeiro semestre de 2006 chamaremos todos os alunos, novos e antigos (que somam cerca de 450 no mestrado e no doutorado) para uma assembléia, com o objetivo de discutir a restauração de uma representação junto ao Conselho Deliberativo da ENSP e a outros órgãos da Escola, como o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Estamos reabrindo canais de participação. Não queremos oferecer espaços passivos, mas estabelecer uma relação com os alunos voltada para a ação institucional. Nesta linha, estamos elaborando alguns novos programas de modo a fomentar a integração dos alunos à Escola, como a criação da bolsa de trabalho, que alunos receberão para fazer o mestrado ou o doutorado, mas com o compromisso de se articular a algum projeto de pesquisa. Esta integração vai possibilitar que o aluno contribua profissionalmente com a instituição e, ao mesmo tempo, consiga subsídios para a elaboração de sua dissertação de mestrado ou de sua tese de doutorado. O objetivo é aproximar este esforço de construção do conhecimento individual da construção do conhecimento coletivo da Escola em projetos de pesquisa. Também queremos reforçar alguns ritos, alguns momentos de vivência coletiva da experiência de mestrado e de doutorado, como a cerimônia de formatura ao final do curso. É apenas uma proposta, que deverá ser discutida em assembléia com os alunos, mas que acreditamos ser importante para a afirmação da identidade e de compromissos coletivos com a instituição. A solenidade seria realizada já neste ano, na festa do aniversário de 52 anos da Escola, em setembro, para a turma de 2002 do doutorado e para a turma de 2004 do mestrado. Outra iniciativa nesta linha de atuação, que visa enriquecer o período que o aluno passa durante o seu curso, seja de dois ou de quatro anos, é a idéia de, a partir de setembro, instituir prêmios de desempenho e de produção de alunos, como prêmio de qualidade de tese, de melhor professor, e por aí vai. Isso ainda está em discussão no Conselho Deliberativo da ENSP.

ENSP Notícias: Quais são os outros temas previstos para as sessões deste ano do Centro de Estudos da ENSP?

Antônio Ivo de Carvalho: Estão prevista sessões sobre o novo pacto pela saúde aprovado na Tripartite, as atividades do Banco Mundial no Brasil, o novo modelo de governança pública, gripe aviária, saúde mental, entre outros.

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