Reestruturação e novos programas para modernizar Pós-Graduação em Saúde Pública

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A Pós-Graduação da ENSP está em processo de reestruturação desde 2004. Desde então, já foram realizados estudos de cenários e dois colégios de doutores para discutir os novos rumos do ensino na ENSP/Fiocruz. Um dos marcos foi a oficina realizada em 2005, num hotel em Copacabana, onde surgiu a proposta de criação da Comissão do Plano Diretor da Pós-Graduação da ENSP. Elizabeth Artmann, coordenadora do Programa de Pós-Graduação Stricto sensu de Saúde Pública da ENSP, que coordena o subgrupo da comissão que discute critérios para criação de novos programas, defende a visão integrada da Saúde Pública para atender às necessidades atuais da área. A comissão é na realidade um grupo de trabalho, que se dividiu em dois subgrupos, com o objetivo de aprofundar a proposta de reestruturação da Pós-Graduação e a possibilidade de criação de novos programas que atendam a realidade da Saúde Pública, explica. Leia, a seguir, a entrevista de Elizabeth Artmann ao ENSP Notícias.

ENSP Notícias: O que a Comissão do Plano Diretor da Pós-Graduação está discutindo?
bethartman_mini.jpg Elizabeth Artmann: A Comissão, formada por 15 pessoas, se reuniu algumas vezes e propôs a divisão do grupo em dois subgrupos: um para discutir o desenho organizacional da Pós-Graduação da ENSP e outro para discutir critérios para criação de novos programas. Além das dificuldades gerenciais, o modelo atual do Programa de Saúde Pública precisa ser reestruturado. Na última oficina foi apontada a necessidade de que a reestruturação fosse feita tanto na parte gerencial quanto na pedagógica.

ENSP Notícias: Como ficou a divisão das tarefas e como estão os trabalhos?
Elizabeth Artmann: O Carlos Machado, coordenador da Pós-Graduação, coordena o subgrupo que discute o desenho organizacional e eu coordeno o subgrupo que discute os critérios para criação de novos programas. Hoje temos dois programas: o de Saúde Pública e o de Saúde Pública e Maio Ambiente. A última oficina do Plano Diretor da Pós-Graduação da ENSP, realizada no Hotel Atlântico, em Copacabana, em 2005, apontou várias preocupações em relação aos novos programas. Nesta semana que antecedeu o carnaval, a discussão foi mais livre, para saber o que as pessoas estão pensando em termos de propostas. Agora, nosso objetivo é fazer um documento e distribuir para a Comissão.

ENSP Notícias: Quem participou desta reunião do dia 22/02 e quais foram os pontos mais importantes que você destacaria?
Elizabeth Artmann: Desta reunião participaram o Carlos Machado, o Nilson Costa, a Marilene, do Planejamento, o Sergio Rego, eu , Virginia, Sergio Koifman e Rita. Esta discussão apontou algumas questões importantes. Uma delas é a possibilidade de criação de programas com notas diferenciadas na Capes. Vamos elaborar protocolos para programas nota 4, 5 e 6 e distribuir para os docentes. Para isso, temos critérios acadêmicos, como produção acadêmica, adequação do objeto, a missão da ENSP, a justificativa correta, a infra-estrutura, biblioteca, etc. Nossa vantagem é que já temos infra-estrutura e professores qualificados, com alta produção acadêmica. Também está em pauta a reestruturação das disciplinas obrigatórias do doutorado.
Outra questão abordada nesta última reunião foi a criação de novos cursos articulados com a discussão da Saúde Pública. Precisamos pensar o campo no contexto atual. Já realizamos vários debates em torno deste objetivo, com participação de especialistas de fora da instituição. A ENSP está se preparando para uma oficina de ensino e está convidando pessoas de fora para discutir reforma sanitária, novo projeto para a área de planejamento dentro da saúde pública, entre outros. São apenas alguns exemplos.

ENSP Notícias: Você poderia adiantar algum esboço de desenho de novos cursos?
Elizabeth Artmann: Primeiro, gostaria de deixar claro que o apoio da Direção da ENSP tem sido fundamental para a discussão de criação de novos cursos. É uma discussão democrática. Se chegarmos a conclusão que devemos continuar com o programa de Saúde Pública apenas, desde que seja reestruturado, isso será feito.
Os novos cursos deverão ser criados a partir de objetos específicos, como, por exemplo, epidemiologia e planejamento em saúde. Nosso papel é repensar esses objetos e reformatar o que seria hoje a Pós-Graduação em Saúde Pública. Atualmente, temos uma diversidade muito grande, uma fragmentação, que é boa e é rica, desde que haja uma articulação desses objetos. Temos que discutir qual é o perfil do nosso engresso, que aluno devemos formar e para quê. Por outro lado, a reestruturação dos programas poderá nos dar maior poder de voz na Capes. Hoje, somos o maior Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública e temos apenas um único representante na Capes. Com maior número de programas, teremos mais representantes para discutir critérios de avaliação dentro da Capes, por exemplo.

ENSP Notícias: Qual é o perfil desejado do egresso do Programa de Pós-Graduação da ENSP?
Elizabeth Artmann:Nosso objetivo é fazer com que o aluno saia daqui preparado para responder às demandas atuais, seja em saúde pública ou em objetos mais recortados. Para isso, estamos discutindo a qualidade dos nossos doutorandos e egressos.

ENSP Notícias: Qual é o prazo para a finalização dos trabalhos desta comissão?
Elizabeth Artmann:A proposta de reestruturação não é nova, mas só agora estamos fazendo algo concreto. Nosso objetivo é discutir a reestruturação neste ano de 2006 e fazer a implementação das conclusões em 2007. Precisamos estabelecer os prazos para chegarmos onde queremos. Outra questão que está em pauta é a mudança do regimento da Pós-Graduação da ENSP.

ENSP Notícias: Como os subgrupos da comissão estão se organizando para atender os prazos?
Elizabeth Artmann:Uma comissão com 15 pessoas raramente consegue se reunir. Por isso, a idéia de dividir o grupo de dois. Cada subgrupo se reúne, discute suas pautas e redige sistematiza documentos. As discussões têm continuidade na Comunidade Virtual da Comissão do Plano Diretor da Pós-Graduação. Pretendemos realizar uma reunião com todos os membros da comissão no fim de março ou inicio de a bril.

ENSP Notícias: E em relação aos mestrados profissionalizantes?
Elizabeth Artmann:Também estamos discutindo os mestrados profissionalizantes. Hoje, temos duas áreas aprovadas na Capes: a área de gestão e a área de vigilância. As demandas são muitas. Precisamos pensar nas nossas prioridades, levando em consideração o plano nacional de pós-graduação da Capes, que prioriza determinadas regiões. Para isso, tem a proposta de mestrado interinstitucional. A diversificação e a especialização da nossa área é natural, e é assim que se desenvolve o conhecimento. Os programas de pós-graduação precisam ser integrados porque nenhuma área consegue responder sozinha às necessidades atuais.

Foto: Gutemberg Brito CCI/ENSP

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