Atendimento do Centro de Saúde da ENSP cobre 90% de Manguinhos

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O Centro de Saúde Escola Germano Sinval Farias (CSEGSF/ENSP/Fiocruz) completa 40 anos em outubro, ampliando cada vez mais sua atuação em Manguinhos. O CSEGSF atende cerca de 50 mil pessoas, conta com oito equipes do Programa Saúde da Família cobrindo 90% da região, além de contribuir para a Agenda Redutora da Violência, que pretende fazer da Rua Leopoldo Bulhões um espaço de lazer para a população nos domingos. Confira entrevista com o chefe do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Farias, Antonio Sergio Almeida Fonseca, em que aborda as perspectivas para 2006, fala a respeito do PSF e apresenta propostas para as comemorações dos 40 anos do Centro.

ENSP Notícias: Qual balanço que você faz do CSEGSF nestes últimos dois anos?

asergio_mini.jpg Antonio Sergio Almeida Fonseca: Foram dois anos muito positivos, tanto para mim como experiência profissional, quanto para o momento que vive o CSEGSF. Podemos dizer que ao longo destes dois anos o CSEGSF concluiu algumas etapas. A implantação, de fato, das oito equipes de Saúde da Família eram duas no fim da gestão do Marcos Besserman e agora passaram a oito, cobrindo quase 90% da população de Manguinhos. O segundo ponto seria a busca da identificação do real papel do CSEGSF. Pensamos o Centro como um instrumento de aprendizado, uma proposta em que o profissional desenvolve práticas, tecnologias, ensina, pesquisa, experimenta e discute questões ligadas ao cuidado, além de ter um papel fundamental na qualificação da atenção básica. Temos nosso próprio laboratório de práticas, que é a comunidade de Manguinhos, mas as ações desenvolvidas são de grande importância para a aplicabilidade no território nacional. Essa identidade faz com que a gente se coloque como referência na atenção básica, ou seja, de sermos a primeira referência para as equipes de Saúde da Família. Este é um outro papel importante, quase de tutoria para as equipes na busca por melhorias. Isso era algo em fase de consolidação, e caminhamos neste sentido. Este é um dos pontos que eu considero central no CSEGSF: a definição de sua identidade como estrutura da ENSP.

ENSP Notícias: E de que forma vocês conseguiram consolidar essa identidade?

Antonio Sergio: Para fazer isso eram necessárias algumas mudanças. Conseguimos realizar grande parte dessas mudanças, principalmente com apoio da Direção. A primeira foi a realização de uma obra emergencial, que atenderá aos dispositivos legais de funcionamento do CSEGSF. Teremos, com isso, melhorias em nosso laboratório e na nossa sala de coleta.

ENSP Notícias: Há previsão de ampliação do CSEGSF para este ano?

Antonio Sergio: Tivemos uma pequena ampliação com a ocupação de algumas salas do antigo Politécnico, onde colocamos a estrutura administrativa do programa Saúde da Família e mais duas salas para atividades de grupo. A obra que faremos dentro do CSEGSF vem junto com outras ações, como a melhoria da aparelhagem de nosso laboratório. Os aparelhos de hematologia e bioquímica tinham mais de 10 anos de uso, estavam problemas de manutenção, além de não serem econômicos. Conseguimos um contrato de comodato e temos dois equipamentos novos, o que dá uma estabilidade ao funcionamento do laboratório e nos permite fazer estamos em fase de negociação exames para o FioPrev. Outro campo de destaque é a consolidação da Coordenação de Desenvolvimento Comunitário, instituída na gestão do Marcos Besserman, e que tem um papel de suma importância no desenvolvimento da região e na participação da população nos mecanismos de gestão do CSEGSF, auxiliando o controle social e o fortalecimento da estrutura. Também temos a questão da manutenção do Conselho Gestor. Uma outra área de grande investimento que estamos começando agora é a informatização de toda a área assistencial. Tivemos uma informatização restrita aos dados de produção de profissionais de nível superior e que agora estamos estendendo, em parceria com o DATASUS. Utilizaremos uma metodologia de trabalho em que estaremos produzindo tecnologias que possam ser usadas pelo SUS. Com isso, esperamos caminhar até a montagem de um prontuário eletrônico de apoio clínico. Conseguimos 50% do equipamento necessário e esperamos que ao longo de 2006 possamos concluir, de fato, toda a informatização. Acreditamos que é uma forma de melhorar a avaliação e a qualidade dessa atenção.

ENSP Notícias: Quais são os números de atendimento do CSEGSF? Cresceu em 2005 em relação a 2004?

Antonio Sergio: Houve um acrescimo de 20% nos dados de produção de 2005 em relação a 2004. Mas o mais importante disso não foi apenas o crescimento na produção de serviço, mas no aumento da cobertura em Manguinhos. Passamos a ter atendimento domiciliar, passamos a ter algumas unidades descentralizadas dentro da comunidade, estreitando nosso contato com a população. Creio que foi um grande avanço.

ENSP Notícias: A cobertura agora chega a 100% da população?

Antonio Sergio: Aproximadamente 90%. Na área coberta, apenas duas comunidades não recebem nossa atenção: a Vila União e o Conjunto de Ex-Combatentes. Elas têm características diferentes porque, de acordo com o desenho do município, ficam fora do nosso distrito sanitário, mas que, por critérios de utilização de quase 20 anos, acabou se tornando responsabilidade nossa. Então temos essas duas áreas, além de uma pequena área urbana que não é coberta. Nesta, sim, vemos a possibilidade de imediatamente aumentar a cobertura. Com os recursos atuais, podemos estender a atuação da equipe que atua no Amorim, de forma que dê conta dessa área urbana.

ENSP Notícias: Qual o número de habitantes em Manguinhos atualmente?

Antonio Sergio: Hoje temos cerca de 53.500 prontuários abertos no CSEGSF. Claro que desse total temos alguns pacientes que não residem na área, mas que não deixamos de atender. Estimamos a população efetiva de Manguinhos em torno de 50 mil habitantes. A área coberta pelas equipes de Saúde da Família está em torno de 40 mil habitantes.

ENSP Notícias: A ENSP abriu inscrições para a segunda turma do curso de residência em Saúde da Família. A primeira completa um ano agora. Como está a atuação deles junto ao CSEGSF e a comunidade?

Antonio Sergio: A residência da Saúde da Família é uma parceria do Ministério da Saúde - Núcleo do Estado do RJ, da Secretaria Municipal de Saúde e da ENSP/Fiocruz. Alguns destes alunos fazem sua parte prática aqui em Manguinhos. Acredito que para aqueles que atuam aqui tenha sido uma experiência muito boa, tanto profissional, quanto para a população que ganha com uma oferta maior de profissionais.

ENSP Notícias: E como são divididas as equipes de Saúde da Família que atendem a comunidade de Manguinhos?

Antonio Sergio: Temos oito equipes em ação, mas que contam com um desenho diferenciado. Cada grupo é composto por uma equipe mínima, com um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e seis agentes comunitários, ou seja, nove profissionais. Incluímos mais um profissional, que é um agente de dependência química. Isso foi fruto da experiência que temos de 20 anos com dependentes químicos em processo de recuperação aqui no CSEGSF. Temos dez profissionais por equipe, com oito equipes, totalizando 80 pessoas. Além disso, temos uma supervisora para essas oito equipes e mais dois agentes redutores de violência. Nós "dividimos" a área de Manguinhos: do lado da linha do trem pra lá, que é o alto Manguinhos, e do lado de cá, que é baixo Manguinhos. Temos um agente redutor de violência para cada área. Esses agentes são pessoas que trabalhavam numa ONG e cuidavam da questão da violência, principalmente contra a mulher. Hoje eles trabalham com a lógica de um agente pacificador e mobilizador para as questões ligadas a violência.

ENSP Notícias: Quais os projetos do CSEGSF para 2006? Continuar com o trabalho da Agenda Redutora e transformar a Leopoldo Bulhões num espaço para a população aos domingos? O que mais?

Antonio Sergio:O ideal é que a Leopoldo Bulhões passe a ser uma área de lazer em definitivo para a população de Manguinhos aos domingos, mas para 2006 temos algumas expectativas importantes. A primeira diz respeito a esse processo que estamos começando a implantar, que é o da educação permanente dos profissionais das equipes de Saúde da Família. Pensamos que este seja um ponto fundamental para esse ano. Estamos trabalhando com equipe própria do CSEGSF, incluindo a do Saúde da Família, investindo numa capacitação em metodologia da pesquisa. Ou seja, usar o potencial dos profissionais dedicados exclusivamente à área social para que eles se tornem, efetivamente, pesquisadores. Pensamos em manter a idéia de fazer o primeiro Curso de Especialização em Saúde da Família voltado para o município do Rio de Janeiro. Isso porque trabalhamos em parceria com outros Estados. Então, pensamos em trabalhar com nossos profissionais num primeiro curso porque os profissionais que estão em serviço ainda não têm essa habilitação. Têm apenas o que chamamos de treinamento introdutório. Isso seria ótimo para os oito grupos e pensamos até em ampliar um pouco mais.

ENSP Notícias: Em outubro, o Centro está programando uma semana inteira de atividades para comemorar seu aniversário de 40 anos. Durante esta entrevista você ressaltou a reafirmação do CSEGSF nesses últimos dois anos. O que isso representa para a comemoração?

Antonio Sergio: Oficialmente, consideramos a data de inauguração do CSEGSF, a que está na placa, 14/10/1966, porque não temos documentação formal datando sua inauguração. Para as comemorações, pensamos em elaborar um vídeo mostrando o CSEGSF como um todo e fazer uma publicação que conte a história do CSEGSF. Estamos tentando ainda um resgate histórico de quem foi Germano Sinval Faria, que deu nome ao nosso centro de saúde.

ENSP Notícias: E quem foi Germano Sinval Faria?

Antonio Sergio:Ah, isso é surpresa. Essa é uma das atividades que estamos trabalhando e vocês terão que aguardar até lá. Existe a possibilidade de desenvolvermos uma peça de teatro retratando a história do personagem e para isso estamos contatando os familiares. Pensamos em fazer algumas homenagens aos pacientes mais antigos. Temos registros de pessoas de 1968 ainda vivas. Vamos tentar fazer uma homenagem a essas pessoas. Também tentaremos buscar todos os gestores, desde o Hugo Coelho Barbosa Tomassini, que foi o primeiro, até os dias de hoje, para fazer uma homenagem especial. Buscaremos também os profissionais mais antigos, aqueles que já se aposentaram ou que ainda estão trabalhando.

ENSP Notícias: Tudo isso ocorrerá na semana de 16 a 20 de outubro?

Antonio Sergio: Exatamente, nós pretendemos concentrar todas as atividades nesta semana.

ENSP Notícias: Para encerrar, seu mandato a frente do CSEGSF acaba em maio 2006. Você concorrerá à reeleição?

Antonio Sergio: O processo sucessório ainda não está aberto no Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria. Em princípio, não devo concorrer. Já estive duas vezes a frente do CSEGSF, e não penso num terceiro mandato. Passei os últimos oito anos como coordenador de assistência e mais seis como chefe. Acredito que seja o momento de um rodízio, importante para o Centro. Mas sei que é um processo que ainda não está instalado e que, dependendo das circunstâncias, a gente não sabe o que pode acontecer. A minha idéia é não concorrer.

(Foto: Gutemberg Brito SDE/ENSP)

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