Projeto de mestrado avalia inserção do fisioterapeuta na saúde da família

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Avaliar a inserção do fisioterapeuta na saúde da família. É este um dos projetos da ENSP que receberá financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na área de Pesquisas Avaliativas em Atenção Básica à Saúde. Coordenada pelo pesquisador do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (DAPS/ENSP/Fiocruz), Antenor Amâncio Filho, a pesquisa foi baseada na tese de mestrado em Planejamento e Gestão da aluna do Curso de Saúde Pública da ENSP, Mônica de Rezende, que desenvolve o projeto junto com Antenor e Fátima Lobato. Confira a entrevista a seguir com a aluna Mônica de Rezende.

ENSP Notícias: Seu projeto trata de um estudo de caso da Avaliação da Inserção do Fisioterapeuta na Saúde da Família. Explique, por favor, este tema.
monica_rezende.gif Mônica de Rezende: De acordo com o Ministério da Saúde, a equipe mínima do PSF (Programa de Saúde da Família) é composta por médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, agente comunitário, enfim, uma configuração mínima que não inclui o fisioterapeuta. A inclusão de outras categorias profissionais no PSF dependem do desejo e da implementação de cada prefeito. Dos estados de maior porte no Rio de Janeiro, com mais de 100 mil habitantes, somente Macaé e Campos contam com um fisioterapeuta em suas equipes, sendo que Macaé está com a proposta de contar com esse profissional em todas as equipes. E como eu defendo a presença do fisioterapeuta na atenção básica, não necessariamente no PSF, a proposta do estudo é avaliar a inserção do fisioterapeuta em Macaé. Exatamente porque para a implementação de uma política você precisa de uma avaliação para entender o papel do fisioterapeuta nessas equipes (o que ele está desenvolvendo), para só assim defender ou ir contra. As opiniões sobre a inserção ou não se baseiam no aspecto teórico. Então, a idéia é avaliar a prática para instrumentalizar um debate em cima de dados concretos.

ENSP Notícias: Então o projeto está baseado na Avaliação em Macaé?
Mônica de Rezende: O projeto é avaliar a inserção do fisioterapeuta no município de Macaé, pois ele compõe o PROESF (Projeto de Expansão e Consolidação do Saúde da Família). Nos grandes centros urbanos, os prefeitos encontravam alguma dificuldade, então foi criado o PROESF para facilitar esse processo. Macaé faz parte desse programa, tem cerca de 142 mil habitantes e tem a proposta de incluir um fisioterapeuta em cada equipe.

ENSP Notícias: Como surgiu o interesse de estudar a inserção do fisioterapeuta?
Mônica de Rezende: Sou fisioterapeuta e vejo que a fisioterapia está muito voltada para clínicas de reabilitação e para centros de terapia intensiva, como as UTIs de hospitais. Acredito que o fisioterapeuta tem um papel importante na promoção e prevenção da saúde. Então estou tentando mostrar isso de alguma forma. Defendo uma idéia que tem base. Tanto é que o município de Macaé, assim como Campos, está incluindo um fisioterapeuta em cada equipe. Presume-se, assim, que estes locais acreditam que o fisioterapeuta tem de estar atuando na prevenção e na atenção à saúde. Quero entender porque eles acreditam nisso para eu poder avaliar a situação e, quem sabe, mudar minha opinião, mas preciso primeiro dessa avaliação.

ENSP Notícias: Quando vocês pretendem apresentar os primeiros resultados do projeto?
Mônica de Rezende: Estamos começando agora em dezembro. O Projeto foi qualificado no dia 1º de dezembro e o resultado do ministério saiu no dia 30 de novembro. Então, começamos a trabalhar na primeira etapa. O projeto tem um desenho de estudos em três etapas, e eu acredito que a 1º etapa deva durar em torno de 3 meses. Essa etapa é mais teórica. A parte prática, de pesquisa de campo, começa em meados de junho.

ENSP Notícias: Com o relatório final pronto, quais serão os principais efeitos desse projeto?
Mônica de Rezende: Pretendemos primeiro retornar ao município com os resultados. O processo de desenvolvimento vai ser um bom trabalho com as equipes de lá. Estaremos juntos com os profissionais trabalhando essa inserção e pensando nas questões que a envolvem. Mostraremos como o fisioterapeuta atua na promoção, na prevenção, na atenção. Temos uma proposta junto ao Ministério da Saúde de voltar com um seminário em Macaé, ou em outros municípios, discutindo esse processo. Ou seja, a partir dos números, conversaremos com as equipes, apresentaremos os resultados e mostraremos o porquê do fisioterapeuta na atenção básica, o porquê na promoção da saúde. O Ministério da Saúde não só determinou quais são as categorias profissionais mínimas, como tem determinado a atuação desses profissionais. E o fisioterapeuta, por não estar incluído nessa equipe mínima, não tem funções especificadas sobre o que fazer dele. Então, a idéia não é só mostrar que ele está inserido, mas mostrar também o que ele está desenvolvendo e qual é a competência profissional do fisioterapeuta pra contribuir pra melhoria da atenção básica.

ENSP Notícias: Esse é o primeiro projeto que trata dessa questão?
Mônica de Rezende: Acredito que sim. Fiz minha especialização em Saúde Pública na Escola e fiz uma monografia sobre o mesmo assunto, e foi muito difícil encontrar alguma coisa relacionada. Só achei no estado do Ceará. Lá estão começando a desenvolver algo, mas ainda assim, material científico, academicamente produzido, não tem. O pessoal de Macaé está começando a desenvolver algum artigo, mas ainda é bastante incipiente, até porque a implementação do PSS é muito recente.

ENSP Notícias: Essa é a defesa da sua tese de mestrado?
Mônica de Rezende: É minha dissertação de mestrado. Na verdade, peguei o projeto de mestrado e fiz algumas adaptações para submetê-lo ao edital do departamento de atenção básica.

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