Pesquisa analisa atendimento a idosos e crianças vítimas de violência

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A notificação e o monitoramento de diferentes formas de violência sofridas por idosos e crianças vem sendo discutidos no âmbito das políticas públicas de saúde. A pesquisadora Edinilsa Ramos, do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/ENSP), realizou análise diagnóstica do atendimento de saúde a idosos vítimas de violências em cinco capitais de diferentes regiões brasileiras. Foram elaborados indicadores avaliativos das principais políticas relativas à prevenção da violência e à saúde física e mental do idoso, envolvendo 47 profissionais de áreas de saúde do idoso, saúde mental e dos três níveis do atendimento (pré-hospitalar fixo e móvel, hospitalar e reabilitação).

Em Recife, durante o IX Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que aconteceu de 31/10 a 4/11, Edinilsa apresentou o trabalho Aplicação de Indicadores Avaliativos da Implantação de Políticas de Atenção à Saúde do Idoso Vítima de Violência, que é parte de análise diagnóstica do atendimento de saúde a idosos vítimas de violências realizada em Manaus, Recife, Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba.

edinilsa_abrasco09_boneco.jpgPara criação dos indicadores, a pesquisa utilizou políticas voltadas para saúde da pessoa idosa, como a Política Nacional do Idoso, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, a Política de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências e Políticas de Saúde Mental. A aplicação dos indicadores avaliativos mostrou melhor desempenho do atendimento hospitalar clínico e pior atuação na reabilitação. Os serviços de saúde mental demonstraram não ter ainda incorporado a temática da violência em sua prática. Com relação à violência, ainda são muito incipientes as ações de prevenção, de diagnóstico, notificação e encaminhamento dos casos.

A pesquisadora revelou também que a implantação e a implementação das políticas de redução da violência contra o idoso apresentam situação desigual nas cidades pesquisadas. Em Recife e Manaus, os serviços clínicos e os de saúde mental cumprem menos as diretrizes recomendadas, em todos os níveis do atendimento, enquanto os serviços do Rio de Janeiro e de Curitiba satisfazem melhor os parâmetros estabelecidos pelas políticas.

Violência contra crianças e idosos também foi tema de outras apresentações no congresso

No mesmo dia, no congresso da Abrasco em Recife, também foram apresentadas pesquisas que enfocaram o mesmo tema. Maria Cristina Mazzaia, da Universidade de São Caetano do Sul, falou sobre a importância de o enfermeiro saber lidar com a violência infantil. Esse tipo de violência, de acordo com a palestrante, provoca uma não aceitação da família por parte do menor, possui vários limites de intervenção e há falta de capacitação profissional.

Segundo a pesquisadora, as crianças se sentem ameaçadas e, com medo de retaliação do agressor, não o denunciam. Para ela, a enfermagem pode contribuir com o acolhimento, com o cuidado imediato e no apoio à vitima. O trabalho teve como objetivo verificar o conhecimento e relacionar ações da equipe de enfermagem de pronto socorro em situações de maus tratos infantis.

Trabalhamos com cinco enfermeiras, quatro técnicos de enfermagem e seis auxiliares de enfermagem. Desses, 60% disseram ter capacidade para identificar o mau trato devido a experiência profissional; 30% nega conhecimento; e somente duas enfermeiras foram treinadas, embora o núcleo refira treinar todos os profissionais. Muitos enfermeiros também relataram que não receberam qualquer tipo de informação sobre esse tipo de violência na graduação e que a ficha de protocolo não tem espaço para as suas percepções, algo que os incomoda muito.

edinilsa_abrasco09_centro.jpgJoão Luís da Silva, da Universidade Federal de Pernambuco, falou sobre a necessidade da notificação de violência pelos profissionais de saúde. Para ele, os casos notificados têm grande importância, pois é por meio deles que a violência alcança visibilidade, possibilitando seu dimensionamento epidemiológico e a criação de políticas públicas voltadas à sua prevenção.

Inúmeros profissionais de saúde não sabem o que devem notificar e como fazer. A notificação é pouco trabalhada com os profissionais de saúde na graduação e merece maior destaque. A não notificação tem a ver com o fato dos profissionais acharem que a violência é uma problemática da segurança pública, disse.

Sandra de Souza, do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM/Fiocruz), falou sobre a entrevista médico-legal para coleta de informações junto a crianças e adolescentes abusados sexualmente. Segundo ela, a entrevista médico-legal é um recurso através do qual a história pessoal e clínica e as alterações comportamentais da vítima são valorizadas na totalidade do exame pericial, auxiliando a elucidação de casos em que não são evidenciados achados físicos.

A análise revelou que 100% dos médicos legistas realizam entrevistas com as vítimas baseados na experiência clínica adquirida durante a vida profissional, sem que seja utilizado um protocolo específico para abordagem médico-legal de crianças e adolescentes, especificamente no que se refere ao diagnóstico da violência sexual, ressaltou.

No final das apresentações, a pesquisadora Jacqueline Furtado (IMS/UERJ) fez uma análise da validade de construto dimensional da versão em português do instrumento Conflict Tactic Scales: Parent-Child (ctspc) usada para identificar violência contra a criança.

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