Paciente informado: problemas e possibilidades da Internet

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SC_internet_comunc_capa_2009.jpgCom o objetivo de mostrar como a Internet pode e deve ajudar pacientes e profissionais a se informar sobre saúde e doença, André Pereira, professor do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da ENSP, proferiu a sessão científica "Direito à Informação em Saúde: problemas e possibilidades da Internet". O evento foi promovido pelo Grupo Direitos Humanos e Saúde Helena Besserman (GDIHS/ENSP/Fiocruz), que realiza, sempre na última quinta-feira do mês, o Centro de Estudos Giulliano de Oliveira Suassuna. O impacto da Internet na relação médico-paciente foi o tema abordado pelo professor.

André dividiu sua apresentação em três pontos: a comunicação na era digital; o paciente informado e os problemas; e as possibilidades de avanço. Começou abordando a história e o desenvolvimento da comunicação, e de que maneira a comunicação foi se expandindo com as invenções do rádio, da televisão e da Internet. A rede mundial de computadores inovou e revolucionou as comunicações. Com ela, todos se comunicam com todos, todos produzem informação para todos e todos recebem e produzem informação, destacou.

André lembrou que a televisão também trouxe diversas mudanças na comunicação, mas é uma mídia cara, proporciona baixa interatividade e traz possibilidades finitas de informação e lazer em tempo real. Com a Internet, o usuário tem informação e lazer infinitos em tempo real, possibilidade de produção de informação, interatividade, relações pessoais e comerciais nas redes sociais, além de ser uma mídia barata, explicou.

Internet pode ser aliada no tratamento de doenças

Para o professor, a Internet pode ser uma grande aliada no tratamento de doenças. O paciente informado - como foi denominado pelo estudo Impactos da Internet entre médicos e pacientes - é cada vez mais comum. O paciente informado já chega ao consultório munido das informações sobre sua doença. Isso ocorre porque buscou informações na Internet e encontrou diversas páginas eletrônicas que oferecem informações claras e objetivas, explicou.

André também levantou uma questão: até onde uma busca na Internet pode ajudar as pessoas a se informar? Se um usuário fizer uma busca na Internet sobre rinite alérgica, segundo ele, vai encontrar cerca de 77 mil resultados; mas nem todos os links apresentam informações corretas. Se o usuário fizer uma busca, provavelmente vai acessar a primeira página eletrônica listada pelo buscador. Mas será que apenas pelo fato de ser a primeira da lista é nela que devemos confiar, questionou.

Segundo o pesquisador, um artigo sobre o tema "Avaliação das informações sobre rinite alérgica em sites brasileiros na rede mundial de computadores (Internet)" analisou 173 sites brasileiros e constatou que 84% foram reprovados em termos de qualidade e 24,3% continham informações inexatas. O artigo mostrou que tanto a qualidade, em geral, de grande parte dos sites brasileiros que abordam o tema rinite alérgica, como a qualidade das informações por eles divulgadas são insuficientes para satisfazer médicos e pacientes.

SC_internet_comunc_centro_2009.jpgO professor destacou que existem alguns problemas gerados pelas informações veiculadas na Internet, como: baixa confiabilidade; interferência na relação do paciente com sua doença e com seu corpo, criando diferentes valores e comportamentos; informações que interferem na relação do paciente com o tratamento e o medicamento que está recebendo, estimulando o o autocuidado e a automedicação sem orientação; e, principalmente, informações que interferem na relação do paciente com o médico e com profissionais de saúde.

Laboratório ajudará a filtrar páginas eletrônicas na Internet

Dentre as possibilidades de avanço defendidas pelo professor está a criação do Laboratório Internet, Saúde e Sociedade (LISS), com o objetivo de indicar páginas eletrônicas que possam servir de referência na área da saúde, ajudando os paciente a se informar corretamente sobre as doenças. O LISS será integrado ao Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/ENSP), complementando programas e projetos. O laboratório contará com a parceria do Comitê de Democratização da Informática (CDI) para formação de Escolas de Informação e Cidadania (EICs) e terá o papel de formar e supervisionar instrutores e dar orientação pedagógica.

O LISS contará com uma sala com dez computadores, dois instrutores selecionados na comunidade, formados e supervisionados pelo CDI, e será coordenado pelo professor André Pereira em parceria com a professora Cristina Guilam. Estamos montando a estrutura com o objetivo de recomendar páginas eletrônicas de saúde para leigos que tenham como características principais atualização, qualidade e referência, destacou André.

As dinâmicas do laboratório são: criar indicadores de avaliação de páginas de saúde, convidar especialistas nas respectivas áreas para avaliar as páginas e convidar os usuários do Centro de Saúde da ENSP para avaliar a elegibilidade dessas páginas. De acordo com o pesquisador, as páginas eletrônicas recomendadas serão disponibilizadas em um sítio exclusivo. O LISS atuará como um centro de credenciamento de sites de saúde. Não vamos produzir conteúdo, mas apresentar uma referência qualificada e identificada de páginas eletrônicas de saúde. Vamos prestar um serviço inédito no campo da saúde, finalizou André.

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