Bolsista da ENSP recebe menção honrosa na XVI Raic da Fiocruz

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Projeção da mortalidade por mesotelioma no Brasil de 1980 a 2003 - Estimativas para as próximas décadas foi o tema do trabalho apresentado pela aluna do Provoc Patrícia de Oliveira da Silva, que recebeu menção honrosa na XVI Reunião Anual de Iniciação Científica (Raic) da Fiocruz. O objetivo do trabalho foi descrever e analisar os dados de mortalidade por mesotelioma tipo raro de câncer de pleura, pericárdio ou peritôniono, causado, predominantemente, pelo amianto (asbestos) nas regiões, estados e capitais brasileiras, segundo os sexos.

Patricia_Provoc.jpgA aluna, de 17 anos, é bolsista do nível avançado do Programa de Vocação Científica (Provoc), cujo objetivo é receber estudantes do Ensino Médio nos Laboratórios de Pesquisa da Fiocruz, visando incentivá-los a seguirem carreiras científicas. Sob orientação do pesquisador Francisco Pedra, do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP), Patrícia, que cursa a 3ª série no Colégio Pedro II, vem trabalhando, desde o início de sua participação no programa em 2006, com a questão da mortalidade futura por mesotelioma.

O pôster, apresentado em outubro na XVI Raic da Fiocruz, recebeu Menção Honrosa como um dos melhores trabalhos da mostra. Recebi a notícia no mesmo dia que apresentei meu trabalho no evento. Tinha conhecimento que haveria premiações, mas não imaginava que ganharia. A premiação aconteceu no auditório e contou, inclusive, com a participação de pessoas de outros estados. Recebemos o prêmio, eu e mais quatro meninas, conta Patrícia.

O mesotelioma é um câncer raro, cuja principal causa é a inalação de fibras de amianto. Ele atinge, principalmente, trabalhadores de empresas que utilizam esse material ou de minas das quais ele é extraído e seus familiares, que inalam as fibras trazidas pelo trabalhador no regresso à casa, moradores de áreas vizinhas às empresas e às minas ou, ainda, por pessoas que utilizam produtos derivados do amianto em suas residências, como telhas e caixas-d´água. O período de latência da doença é de cerca de 30 anos, mas pode chegar a 60 anos.

Atualmente, a única mina de amianto em atividade no país está localizada no município de Minaçu, em Goiás. Até os anos 70, também havia atividade mineradora na Bahia.

Resultados justificam urgência em banir o amianto do país

Poster_patricia_oliveira.jpgCom base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), Patrícia identificou 2.414 mortes por mesotelioma, ocorridas no período de 1980 a 2003, sendo 1.297 (53,73%) de homens, 1.114 (46,15%) de mulheres e três de sexo ignorado. No Brasil, a única região em que houve uma maior taxa de mortalidade no sexo feminino foi o nordeste. As maiores disparidades de óbitos entre os sexos estão nas regiões sudeste e sul. É importante destacar que tanto para os homens quanto para as mulheres ouve crescimento das taxas de mortalidade no período estudado. Para os homens, ela passou de 0,49 em 1980 para 1,14 em 2003. As taxas femininas, por sua vez, variaram de 0,62 até 0,88 no mesmo período.

De acordo com Patrícia, os resultados além de expressarem o crescimento progressivo da doença, mostram que a diferença de óbitos entre os sexos é menor que em outros países. É possível que, no caso do Brasil, esse aumento dos óbitos femininos seja devido à significativa presença de mulheres que trabalham nas indústrias têxteis ou em outras cuja matéria-prima seja o amianto, disse, lembrando ainda da exposição doméstica em que a esposa entra em contato com a roupa contaminada do marido. Essa forma de exposição pode ser considerada importante até a implantação das medidas de controle adotadas a partir da década de 80 vestiário duplo, por exemplo. Isso, no entanto, são apenas hipóteses que levantamos para explicar o fenômeno, ressaltou.

O tema escolhido, segundo a aluna, é de extrema importância para a saúde pública. Eu considero a pesquisa que fiz muito importante no âmbito da saúde pública e da saúde do trabalhador. O amianto precisa ser banido, e nós estamos nessa luta, não só como sanitaristas, mas como seres humanos. Esse material é altamente cancerígeno e prejudicial à saúde. Precisamos lutar contra a comercialização dessa fibra que já foi banida em muitos países, mas que continua a ser produzida e vendida no Brasil, explicou Patrícia.

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