Experiências internacionais em educação a distância na pauta do último dia do XII Cread

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cread_mesas_capa.jpgNo último dia (8/10) do XII Cread Mercosul, especialistas de diferentes países do continente debateram as experiências nacionais e internacionais de Educação a Distância e seus desafios no contexto da globalização. Os participantes das mesas abordaram a EAD como um caminho para a justiça social e fizeram uma espécie de raio-x do ensino na modalidade a distância no âmbito das políticas públicas, da cidadania, da tecnologia e do desenvolvimento pedagógico.

A primeira mesa debateu as experiências internacionais em educação a distância. José Duran Reyes, da Universidad de Concepción, no Chile, apresentou a participação do governo chileno na aplicação das tecnologias de informação e comunicação (TICs), enquanto José Jardines, da Opas, falou das experiências do Campus Virtual em Saúde Pública, e João Vianney dos Santos, da Unisul, apresentou dados sobre a EAD no Brasil. Ao iniciar sua apresentação, Reyes parabenizou a Escola Nacional de Saúde Pública e o Cread pela realização do evento, afirmando que o governo chileno reconhece a importância das tecnologias de informação e comunicação para o desenvolvimento do país. As tecnologias, em particular a EAD, são fatores-chave para a construção de uma sociedade cujo desenvolvimento deve ser realizado com equidade e integração cultural.

cread_reyes.jpgO palestrante concentrou sua apresentação na evolução das TICs durante os três últimos governos de seu país. Na gestão do ex-presidente Eduardo Frei (1994 a 2000), ficou definida a necessidade de massificar a aprendizagem e o acesso a novos conhecimentos, utilizando, de forma intensiva, novas tecnologias e redes de informação. Desse modo, foram criadas iniciativas de curto prazo para consolidar uma rede digital de capacitação com o objetivo de desenvolver uma formação contínua e a distância para os professores, conectar em rede todos os estabelecimentos educacionais do Chile e impulsionar o Programa Nacional de Informação e Telecentros Comunitários em Internet.

O passo seguinte, já no governo do ex-presidente Ricardo Lagos (2000 2006), foi dado mediante o uso das TICs em todo âmbito de governo (e-government), em especial por meio da Secretaria Geral da Presidência, do Ministério da Educação e o Ministério da Economia. O governo do Presidente Lagos considerou a educação como base para humanizar a vida das pessoas. Por fim, mencionou a política da atual gestão. O governo da atual presidenta Michelle Bachelet elaborou um informe que visa à Estratégia de Desenvolvimento Digital: 2007 2012. Esse plano busca aumentar a competitividade das empresas mediante o uso sofisticado e intensivo das tecnologias de informação, criar uma nova cultura em TICs, aprofundar a modernização e a inovação da gestão pública através da promoção e desenvolvimento do Governo Eletrônico e aumentar a intensidade de uso das TICs por estudantes e pela sociedade civil, finalizou.

A Educação a Distância no Brasil

cread_vianney.jpgEm seguida, João Vianney, diretor do campus UnisulVirtual, da Universidade do Sul de Santa Catarina, apresentou o cenário brasileiro da educação a distância a partir de uma pesquisa solicitada pela Câmara dos Deputados. Vianney revelou que o ensino superior é recente no Brasil se comparado aos demais países da América do Sul e da Europa, assim como a educação a distância, que só chegou aqui em 1994. Segundo ele, as promessas da EAD, em 1995, visavam democratizar o acesso ao Ensino Superior e a conectividade em qualquer tempo e lugar, além de buscar metodologias inovadoras e, principalmente, o fim das iniqüidades. O que buscávamos era a inclusão de populações até então não alcançadas pelo ensino superior, a expansão do número de alunos na faixa de 18 a 24 anos, e a utilização de novas tecnologias.

O diretor da Unisul Virtual apresentou números da EAD nos cursos de graduação para comprovar seu crescimento. Em 2000, essa modalidade estava presente em 10 cursos/carreiras, com 1682 alunos matriculados, e, em 2006, números do censo realizado pelo INEP constataram o ensino a distância em 349 cursos, com 207.206 alunos. Em 2006, 4,4% dos alunos matriculados na graduação eram de EAD. Vianney ainda traçou o perfil desses alunos no país. As mensalidades dos cursos a distância na graduação são de 30% a 50% menor em relação aos preços equivalentes no ensino presencial. As pesquisas demonstraram que o estudante de EAD é, preponderantemente, casado, tem filhos, com menor índice de participação de pessoas brancas, mais pobre, contribui mais para o sustento da família e tem pais com menor escolaridade em relação ao aluno de cursos presenciais, assegurou.

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Além disso, informou que os alunos de educação a distância tiveram um rendimento maior no Enade 2005 2006 que os alunos inscritos nos cursos presenciais, o que comprova a qualidade do ensino nessa modalidade. Temos a prova da qualidade do ensino a distância, mas ainda precisamos descobrir o porquê dessa performance. Os números estão aí, há todo um universo para pesquisas de mestrado e doutorado, e contamos com a participação de vocês.

CVSP: espaço de comunicação e aprendizagem

cread_jardines.jpgÚltimo palestrante da primeira mesa, o coordenador executivo do Campus Virtual de Saúde Pública (CVSP) Regional, José Jardines, da Organização Pan-americana em Saúde (Opas/OMS), destacou que o projeto consiste numa rede de pessoas e instituições que compartilham o propósito de facilitar a gestão da informação e a comunicação para desenvolver competências individuais e capacidades institucionais em saúde pública. Trata-se de um espaço de comunicação e de aprendizagem para desenvolver cooperação interdisciplinar no campo de formação, resultado de uma parceria entre a Opas e o países da região.

Segundo ele, a missão do CVSP como ferramenta de cooperação técnica da Opas consiste em desenvolver por meio da cooperação, interação e aprendizagem em rede as capacidades das instituições e as competências individuais para a melhoria contínua do desempenho das práticas da saúde pública. O Campus virtual opera através de nodos, mediante um modelo de gestão de forma cooperativa e descentralizada, com a participação de instituições formativas, instituições de serviços e associações de técnicos e profissionais que integram a força de trabalho em saúde pública dos países e da região das Américas.

No Brasil, o nodo do CVSP é coordenado por Ana Furniel, coordenadora da Comunicação Institucional (CCI) da ENSP. Também fazem parte do projeto as servidoras Ana Paula Mendonça e Rosane Mendes, da CCI/ENSP, responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico.

EAD e a globalização

cread_elena.jpgNa segunda mesa da manhã, que abordou os Desafios da educação a distância no contexto da globalização, Maria Elena Martinez, da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, falou da educação a distância numa perspectiva intercultural. Na opinião da professora, é fundamental estabelecer o diálogo entre os diferentes saberes para construir um conhecimento integrado. É preciso lidar e aprender a trabalhar com a interculturalidade, e o ensino a distância nos oferece ferramentas para construção de novas linguagens. Essa modalidade cria oportunidades de aprendizagem no nível coletivo e individual, afirmou.

cread_rama.jpgPor último, Claudio Rama, do Observatório de Tendências da Educação Virtual na América Latina, focalizou a normatização da educação a distância e suas tendências. Para ele, a EAD está crescendo fortemente na AL graças à existência de demandas dessa modalidade, os custos menores, as políticas públicas e a existência de professores capacitados. No entanto, para ele, ese crescimento está desdobrando-se em algumas tendências. As fases normativas da EAD nascem dos modelos educativos pontuais experimentais ou de elites; formam-se a partir dos critérios da educação presencial ou de normas pré-existentes da educação a distância para adultos. Essas normas são caracterizadas pela existência de marcos orientados para regular, promover e restringir o acesso de novas instituições. Não podemos esquecer que a normatização diferencia os atores, finalizou.

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