Congresso de EAD reunirá cerca de 800 participantes no Rio de Janeiro

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Com o tema central Educação a distância e cidadania: um caminho para a justiça social, o XII Congresso Internacional de Educação a Distância - Cread Mercosul/Sul 2008 vai reunir, no Rio de Janeiro, de 5 a 8 de outubro, cerca de 800 participantes para discutir a educação a distância no âmbito das políticas públicas, cidadania, tecnologia e desenvolvimento pedagógico. Além do tema central, o XII Cread está dividido em quatro eixos temáticos e conta com nove minicursos. De acordo com Lúcia Dupret, coordenadora da Educação a Distância da ENSP/Fiocruz, o principal objetivo do evento é propor a reflexão sobre o papel da modalidade educativa a distância como caminho para a justiça social e a cidadania. Leia, a seguir, a entrevista que Lucia Dupret deu ao Informe ENSP.

Informe ENSP:Qual o objetivo do Cread e por que o XII Congresso será realizado no Brasil?

lucia_dupret_entrevista.jpgLúcia Dupret:O Cread é o Consórcio Rede de Educação a Distância que trabalha pelo desenvolvimento da educação a distância no continente americano, por meio de cooperações interinstitucionais, do compartilhamento de recursos e de parcerias. O Cread não tem fins lucrativos e foi criado na perspectiva da solidariedade visando à integração das Américas. A cada edição, o Congresso é realizado em uma cidade diferente. O objetivo é aprofundar o debate da educação na modalidade a distância.

Informe ENSP:Por que a edição brasileira do Congresso aborda a EAD como prática cidadã?

Lúcia Dupret:A educação a distância no Brasil tem um foco diferente dos outros países. Por ser um país de dimensão continental, o Brasil utiliza a EAD, principalmente, como estratégia para levar a educação aos rincões mais afastados do país. Para nós, a educação a distância representa uma significativa estratégia de implementação de políticas públicas. Os outros países têm experiências exitosas, mas a maioria deles ainda não incorporou a EAD como estratégia de governo. No Brasil, temos dois bons exemplos: a Universidade Aberta do Brasil (UAB) e a Universidade Nacional do Sistema Único de Saúde (Unasus), dois projetos do governo que alcançam milhares de pessoas e são gratuitos. A UAB já é um projeto consagrado e apresenta dados consistentes do sucesso de sua implementação. É interessante mostrar para o mundo que isso é possível.

Informe ENSP:Quais são as novidades programadas para este ano?

Lúcia Dupret:A solenidade de abertura será bem diferente. Em vez de uma mesa formal, com falas oficiais e uma palestra, faremos a gravação de uma edição do Programa Unidiversidade, do Canal Saúde da Fiocruz, com os convidados da mesa de abertura. O objetivo é que as pessoas vejam como funciona esse processo, vivenciem como se grava um programa. Esse será transmitido ao vivo em três línguas português, espanhol e inglês tanto pela televisão quanto pela internet. Isso possibilitará uma forte dinâmica com participação, por meio de perguntas, dos convidados presentes no evento e também dos espectadores e internautas. Além de mostrar a possibilidade de integrar várias mídias em função de uma diretriz comum, também estamos fortalecendo a parceria da EAD/ENSP com o Canal Saúde.

Outra novidade será o lançamento do livro sobre vigilância nutricional de saúde indígena, que é parte do material didático do Curso de Vigilância Alimentar e Nutricional para a Saúde Indígena. Com esse lançamento também estamos consolidando a parceria com a Editora Fiocruz, que edita os nossos materiais desde o começo do ano. Essa é a primeira vez que a Editora Fiocruz lança um livro didático, desenvolvido com base em uma metodologia para cursos na modalidade a distancia. Como desenvolver material didático não é considerado produção científica; a publicação agrega valor para a EAD/ENSP. Esse também é um projeto totalmente inovador para a Editora. Com a realização desse Congresso, estamos sintetizando projetos e planos de trabalho e consolidando internamente algumas parcerias.

Informe ENSP:Quais são os destaques do evento?

Lúcia Dupret:Teremos uma mesa de discussão muito interessante sobre a UAB e a Unasus - uma em fase de implementação, já consagrada, e outra ainda na fase de desenvolvimento. Essas duas propostas chegam como respostas à utilização da educação a distância na implementação de políticas públicas. É uma experiência muito forte e muito brasileira. Tenho certeza que desperta o interesse de outros países. Outro ponto importante a ser debatido são as estratégias de compartilhamento trazidas pelo Cread. O próprio Consórcio Rede tem promovido debates como esse. Os quatro eixos trazem temas bastante relevantes.

O primeiro eixo tem como foco a discussão sobre o uso da EAD no fortalecimento das políticas públicas; o segundo eixo está voltado para o compartilhamento, a solidariedade, os grandes projetos em EAD que estão acontecendo pelo mundo e como os países lidam com as diversidades. O penúltimo eixo temático aborda a educação, a montagem dos projetos e os componentes pedagógicos de cursos nessa modalidade; e o quarto e último eixo traz à luz questões tecnológicas com o objetivo de debater a tecnologia como ferramenta facilitadora da educação. A questão da tecnologia merece destaque. Precisamos abandonar a idéia de que EAD é sinônimo de tecnologia. Com essa discussão, queremos contribuir para acabar com o estigma que envolve esta modalidade. A educação a distância é uma proposta, uma modalidade, e deve ser entendida como tal. Debater esse tema será um grande avanço para nós.

Informe ENSP: Como foi montar o evento, a programação científica e a infra-estrutura?

Lúcia Dupret:A organização do evento teve foco na cidadania. Não podemos discutir apenas a tecnologia pela tecnologia. Pensamos na EAD com a perspectiva de onde queremos chegar. Queremos saber qual o seu objetivo social. Foi muito trabalhoso, mas acho que a programação científica ficou muito interessante. Trouxemos congressistas de vários lugares do mundo, que apresentarão as experiências e perspectivas da EAD no mundo. Mas, sem dúvida, a nossa experiência com educação a distancia é muito rica e teremos grande representação durante o evento. O Congresso acontecerá no Centro de Convenções SulAmérica, no centro do Rio de Janeiro. A EAD/ENSP teve cerca de dez trabalhos aprovados e outros que desenvolvemos em parceria com outras unidades da Fiocruz, como o Instituto Fernandes Figueira (IFF) e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

As discussões do Cread mobilizaram muito mais que a organização do evento. Mobilizaram também a produção de conhecimento dentro da EAD/ENSP. Com o Congresso, fomos forçados a parar para sistematizar nossos processos internos, o que normalmente não é priorizado devido ao grande volume de trabalho e ao ritmo acelerado dos projetos. Vamos aproveitar a oportunidade para divulgar a nossa experiência e mostrar que é possível realizar grandes projetos em outros países. A questão do modelo de trabalho e a forma como articulamos saúde e educação desperta o interesse dos outros países. Agora estamos vivendo a sensação de que somos capazes.

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