Gestão clínica é debatida no Abrascão

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vinhetaabrasco.jpgA tarde de quinta-feira (24/08) do Congresso de Saúde Pública da Abrasco reservou um espaço para discussão da gestão clínica. Duas pesquisadoras da ENSP, Margareth Portela e Creuza da Silva Azevedo, apresentaram trabalhos, acompanhadas do espanhol Jose Luis Navarro Espigares, do Hospital Universitário Virgen de Lãs Neives. As exposições mostraram três temas distintos e novos na saúde coletiva.

Aylene Bousquat, do Centro de Estudos de Cultura Contemporâno/Unisantos, coordenou os debates, aberto por Creuza da Silva Azevedo. A pesquisadora do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (Daps/ENSP/Fiocruz) apresentou o trabalho resultante de sua tese de doutorado, com o tema Sob o domínio da urgência:o trabalho de diretores de hospitais públicos do Rio de Janeiro.

A pesquisa analisou a prática gerencial em hospitais gerais com emergência do município do Rio de Janeiro, vinculados aos níveis municipal, estadual e federal. O estudo adotou a abordagem de narrativas de vida, focalizando a gestão hospitalar pública tanto como um mundo social, como também expressão dos processos imaginários presentes nas organizações e que atravessam o relato dos entrevistados. Entre os depoimentos colhidos dos diretores dos hospitais, são citados problemas como pressão política, escassez de recursos, precárias condições de funcionamento, tornando incapaz a luta por mudanças significativas de gestão nas emergências.

A segunda apresentação foi de Jose Luis Navarro Espigares, que tratou das possíveis incertezas de adaptação das tecnologias sanitárias ocorridas na Espanha. O pesquisador explicou que a recente literatura espanhola mostra a inovação tecnológica como o principal fator do aumento do gasto sanitário diante do envelhecimento demográfico e do nível de renda. Essa inovação, aliada aos processos de acreditação e de certificação, traduzem uma melhoria no Sistema Nacional de Saúde.

Já a coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da ENSP, Margareth Portela, explorou um estudo encomendado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar sobre a utilização das diretrizes clínicas na saúde suplementar. O trabalho fez um amplo diagnóstico do sistema de prestação de serviços, tendo como base 90 operadoras das mais de 1500 cadastradas na ANS, envolvendo seguradoras de saúde, auto-gestão, medicina em grupo, instituições filantrópicas e cooperativas médicas.

No questionário descritivo desenvolvido pelo grupo de pesquisadores do estudo, a melhoria da qualidade da eficiência foi o ponto principal destacado por aqueles que utilizam tais diretrizes. Margareth explica que, apesar da resposta positiva, nem sempre corresponde à realidade do serviço. A questão das diretrizes não pode ser discutida e avaliada apenas pelos gestores dos serviços. Temos que criar parcerias entre grupos clínicos multidisciplinares, gestores e atores do sistema para realmente desenhar o quadro da saúde suplementar no país.

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